A Bandinha do Dedé / Os Primeiros Carnavais


Bandinha do dede

A BANDINHA DO DEDÉ
Por Zezito Guedes ( Historiador, folclorista e artista plástico )

O povo sempre teve uma participação ativa na formação histórica de uma Cidade. Isso vem ocorrendo desde os primórdios de nossa civilização.

Aqui em Arapiraca/AL, uma criatura simples, espontânea e sempre bem humorada marcaria sua passagem pela terra do fumo de maneira inesquecível: o saudoso Dedé Vigário, um entusiasta das festas de Arapiraca, principalmente, o carnaval.

A sua simples presença irradiava alegria em qualquer ambiente onde estivesse: a sua maneira de ser e de viver era característica e, por isso, só fazia amigos por onde circulava; era realmente uma figura impagável. Dedé Vigário tinha o gosto pelas coisas simples da região e comemorava a data de seu aniversário oferecendo aos amigos um animado baile, ao som do Zabumba dos Ambrósios, no dia 2 de fevereiro.

Numa época em que os carnavais estavam quase em recesso, em virtude de acirradas lutas políticas, Dedé Vigário criou a sua bandinha de zabumba, que tomou o seu nome, composta de veteranos boêmios da sociedade local, que saiam tocando grotescamente pelas ruas de Arapiraca, provocando risos e invadindo as residências dos amigos: Marcolino Guedes, José Inocêncio, Beregudé, Milton (“Militão”), Lourenço Almeida, Antônio Luis, Daniel Vieira, Filadelfo Macedo, José Gondim, Luis Cornélio, Cícero Texaco, Zuzú, Pedro Carnaúba (“Valdemazinho”), Ciro e outros desafinados músicos.

Tanto sucesso fez a Bandinha do Dedé que, com o passar dos anos, se transformou em bloco misto, animando carnavais por muitos anos, sempre com destaque. Após a criação dessa bandinha, houve uma espécie de “abertura” e foram surgindo outros blocos, formados por estudantes, tais como: Zum-Zum, Tengo-Tengo, Bizorão, Bloco do Pau, Bisoleta, Corrupaco, Pingo Dela e as escolas de samba: 30 de Outubro, Unidos de Arapiraca e Cebolinha.

Com o desaparecimento de Dedé Vigário, a batuta da Bandinha do Dedé ficou com seu lugar tenente Marcolino Guedes, que após alguns carnavais, passou a ser regida pela saudosa figura de Lourenço Almeida, excelente criatura humana, que deixou uma lacuna enorme na comunidade arapiraquense, ás vésperas da folia momesca.

Desde 1978, a famosa Bandinha do Dedé não se apresentou mais, pois seus componentes estavam de luto e acharam por bem não participar do carnaval.

[ Fonte: Livro “Arapiraca Através do Tempo”, 1999 ]

_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

OS PRIMEIROS CARNAVAIS
Por Zezito Guedes ( Escritor, folclorista e artista plástico )

Nos anos pós-emancipação – 1925, 26 e 27, os políticos e as figuras de destaque da sociedade intensificaram as atividades sociais da nova Cidade e, promoveram concorridas festas caranavalescas, que ainda tinham aquele sabor de vitória, aquele caráter cívico e comemorativo da conquista da Emancipação. Como as famílias tradicionais da época eram muito bairristas, carregavam dentro de si o orgulho de terem origens portuguesas e, revelavam essa condição nas músicas dos primeiros carnavais.

Uma das personalidades mais eufóricas era o Cel. Zé Farias – comerciante, político, agropecuarista e um dos foliões mais entusiasmados. Fundou o primeiro bloco carnavalesco de Arapiraca/AL: O Canaverde, cujas fantasias eram confeccionadas por D. Noca Pereira. Participavam deste bloco: Cel. Zé Farias, José Lúcio da Silva, Domingos Lúcio, Francisco Lúcio, Cecília Lúcio, Rosinha Pereira, Elvira Leite, Ceci Fausto, Rosinha Ribeiro, Toinha Pereira, Rosinha Lúcio, Lino Barbosa, Nezinho Gonzaga, Olegário Magalhães, Maria Fausto, João Vigário, Estela e Angelina Magalhães e, outros.

Á frente do préstito, fazendo evoluções, a porta-bandeira Rosinha Pereira conduzia o estandarte do bloco – uma cana verde com o pendão. Logo após, vinham os foliões cantando a músicacaracterística do bloco.

Em seguida, o “Mestre Jovino” fundou o bloco Bola Preta, que também saiu, ás ruas em muitos carnavais e tinha como carro-chefe a música composta pelo maestro, que era cantada pelos compositores.

Mais tarde, surgia também o bloco Lusitano, fundado por Gama, João Vigário e D. Rosinha Pereira e o bloco Garota Moderna que tinha á frente Maria Fausto, uma das grandes incentivadoras dos primeiros carnavais da nova Cidade. Também surgia nesta fase o bloco Padadinos que se apresentou em vários carnavais, acompanhado pela Orquestra da União Arapiraquense, composta por: Virgílio Rodrigues, Gondim, Chico Leite, Né Firmino, Filadelfo Macêdo, Antônio Nobre e outros músicos de então.

O sargento Américo Freitas, do Tiro de Guerra 657 fundou o bloco carnavalesco Caçadores que animou muitas festas de momo. Finalmente, surgia o bloco de rua denominado Sossega Leão, que tinha sido inspirado na música que havia sido cantada por Carmen Miranda. Estes blocos animaram os primeiros carnavais de Arapiraca e, alguns chegaram até o ano de 1935.

[ Fonte: Livro “Arapiraca Através do Tempo”, 1999 ]

__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Clarice Modas0001

reservado para anuciante gif - 480x80

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s