João de Lima das Alagoas

João de Lima de Alagoas

Frases:
“Já realizei muita coisa, mas ainda tenho outras cosias para realizar. Gostaria de ter um programa de TV em nível nacional onde eu pudesse apresentar artistas de Alagoas. Tem muita gente boa aqui, de muita competência, mas que nunca chega lá. Também penso em construir uma Igreja para N. S. Aparecida no Sítio Boa Vista, onde me criei. É tudo o que quero”.
João de Lima das Alagoas
[ Fonte (frase): Jornal “O Jornal”, 25 de setembro de 2009 ]

“Para compor, o violeiro só precisa de um mote: num instante, a inspiração toma conta e a palavra vira música, poesia ou cordel”.
João de Lima das Alagoas
[ Fonte (frase): “Diário Oficial” / Algo Mais, 23 de agosto de 2011 ]

Ficha Artística
Nome completo: João Pereira Lima
Nome artístico: João de Lima das Alagoas
Data de nascimento: 10/05/1943
Local: Porto Real do Colégio
Gênero: Repentes, Modas, Toadas e Poesia cantada.

João de Lima: Um Violeiro
Por Elô Baêta ( Repórter )

O Caderno Dois de O Jornal conversou com João de Lima, um dos maiores representantes da cantoria de viola em Alagoas, para saber por que ele foi um dos contemplados com o título de Patrimônio Vivo do Estado, este ano. Confira!

Em Porto Real do Colégio/AL, a história registra o toré mantendo firmes os passos dos Caririxocós como os primitivos habitantes daquelas terras. Na aldeia, peças de artesanato surgiam do coco, da madeira; também de sementes, penas e ossos. E ganhavam com o calcário tauá fazendo as vezes de tinta, era a música de viola que dava o tom artístico á localidade anos atrás. De fato, a sonoridade perpassava muitas das casas de porta e janela dos homens do campo. Mas, era no clã dos Limas, que, no repouso da enxada, reinava absoluta.

A viola era para os Limas como a mandioca na mesa de todo dia. Tanto quanto acompanhar leituras e mais leituras dos folhetos de cordel era algo corriqueiro entre aquela gente. Mas, o costume da família de dedilhar cordas de aço do instrumento e delas retirar instigantes modas e toadas nasceu com o pai. Estendeu-se aos tios. E atingiu em cheio o pequeno João Pereira Lima. Isso lá para o final dos anos 1940.

Hoje, aos 68 anos, aquele meninote que costumava plantar e colher na roça e amarrar cabras e bodes nos açudes cantarolando e improvisando versos e traquinar no violão do pai na esperança de um dia poder afiná-lo atende simplesmente por João de Lima. E, virou uma das principais referências em Alagoas quando o assunto é são repentes, modas, toadas e poesia cantada. Ele e suas dez violas, que diz mantê-las com o mesmo apreço de quando as tirou da caixa com cheiro de nova.

Beirando quase cinco décadas de dedicação a um dos mais típicos cancioneiros do Nordeste, João de Lima foi um dos contemplados com o título de Patrimônio Vivo do Estado, neste ano. Agora, ele dá uma parada para relembrar alguns momentos de sua caminhada com o cancioneiro da viola ao Caderno Dois de O Jornal.

Do Meio Rural aos Palcos Urbanos de Alagoas
“Meu pai era lavrador e excelente violeiro. Praticamente não sabia ler, mas tocava e cantava devidamente repentes nas festas de Porto Real do Colégio. Cresci nesse ambiente. Vendo duplas de repentistas nas casas dos meus tios. Ouvindo historinhas de cordel e pelejas de cantadores como Joaquim Jaqueira, Patativa do Norte, Severino Borges e outros”, conta.

Foram essas vivências que fizeram João de Lima amadurecer na vida, desde que fugiu do sítio dos pais, aos 16 anos, para subir em pau-de-arara rumo ao interior de São Paulo. Ainda sem a companhia da viola, haveria de se embrenhar nos campos de cafezais, algodão e amendoim para, só aos 20 anos, de volta a Alagoas, virar mestre em tirar versos e rimas das cordas de aço.

E, ele recorda sua primeira apresentação em público. “Foi no sítio Poço Comprido, em Limoeiro de Anadia/AL. Eu e o cantador José Francisco das Alagoas. Foi complicado porque eu nem sabia ainda afinar a viola, que naquele tempo era guardada coberta com uma toalha cheia de broches. Mas, naquela noite ganhei um bom dinheiro e consegui comprar meu primeiro violão, em Arapiraca/AL. Ainda me lembro. Era azul, com cordas de aço, custou treze mil reis e, eu afinava como viola.

Apenas o primeiro passo para sua vinda definitiva para a capital ao lado do violeiro Guriatã de Alagoas. Foi em Maceió/AL que João de Lima tornou-se conhecido de respeitados artistas e folcloristas como Théo Brandão – que cita como seu maior incentivador -, Ranilson França e outros. Nos anos 1960, através do mestre Théo, chegou á rádio Difusora de Alagoas, onde passou a atender ao pedido dos ouvintes com seus repentes e modas no programa A Hora dos Municípios, á época reproduzido para todo o Nordeste. A cantoria de sua viola também chegou ás rádios Palmares, Progresso e outras.

Mas, Seu João sempre sonhou alto. As ondas do rádio não lhe eram suficientes. Seu desejo era chegar ás emissoras de TV. E chegou. A convite do locutor Haroldo Miranda se apresentou nas TVs Rádio Clube de Pernambuco, Jornal do Comércio e outras. “Mas, meu sonho não era só chegar ao rádio e á TV. Mas ficar famoso no Brasil”, dispara.

A primeira investida de sucesso veio em 1977, quando gravou Repentes e Poesia, seu primeiro LP. Depois veio o segundo, Os Vagalumes da Serra. Além da participação com faixas de sua autoria nos discos Cheiro do Povo – onde aparece com a que ele chama de “poesia triste” intitulado O Ônibus da Rio-Bahia e o Rancho de Paulo Bob, com a “poesia alegre” O Papa e o Jumento.

Ainda nos anos 1970, João de Lima começou a construir sus história em programas de TV de repercussão nacional. No Rio de Janeiro/RJ “Fui para o trono do Show de Calouros de Cassino do Chacrinha!”, relembra. Fez várias gravações para o Projeto Minerva, com narração de Sérgio Chapelin. Participou dos programas O Povo na TV, no SBT e Sem Censura, na TV Educativa. Chegou ás ondas das rádios Nacional, MEC, Globo, Tupi, Mauá… Ao palco do Sílvio Santos. Á poltrona do Jô Soares…

Seus repentes e poesias também foram ouvidos por gente importante, como a (saudosa) atriz Sandra Brea, os ex-presidentes João Figueiredo e José Sarney, o (saudoso) jornalista Roberto Marinho, dentre outras personalidades das Artes e política brasileiras. Tudo devidamente documentado em fotos e reportagens em diversos jornais do país, em uma pasta que ele leva debaixo do braço pra todo lado.

Inspiração Vinda do Campo e da Saudade
O homem que revela ter ganhado corpo e tamanho com bons bocados da “Farinha nossa de cada dia” saída do mandiocado roçado do pai e ter comprado o primeiro sapato – com “sola fina”, como faz questão de ressaltar – somente aos 16 anos de idade, tornou-se um poeta do povo com características bem peculiaridades. Falante e bem á vontade no ofício que escolheu, Seu João não dá rodeios sobre a modéstia ao falar sobre seu potencial de poeta do povo e violeiro.

Questionado sobre quais suas poesias preferidas dentre as tantas que já escreveu, que diz já ter perdido as contas, é enfático. “Escrevo com tanta perfeição que gosto de todas. Minha poesia é um cordel clássico. Para mim, são do nível das de Cassimiro de Abreu”, dispara.

E, quando o assunto é inspiração, ele fala no verde e nas folhas secas dos cenários do campo. E, em saudade. Mas a que tipo de nostalgia ele se refere? “Aos meus tempos de menino, andando descalço na roça. Ou de apercatas, que só tirei dos pés quando já estava homem feito. Era uma vida com pouca coisa, mas de muita paz. É essa a minha saudade. E que passo em muitas das minhas poesias”, revelou Seu João enquanto cantava “O arroz e a farinha”, um dos tantos poemas em que retrata sua origem interiorana.

Católico convicto e sem querer revelar seu grau de instrução, o João de sobrenome Lima apressa-se em se apresentar como um leitor voraz de livros de todo tipo – da História do Catolicismo á Literatura de grandes escritores brasileiros, que ele chama de “Homens nobres”. E, em dizer que muitas de suas poesias já foram publicadas em livros de diversos autores do país.

Mas, e sobre ser um dos escolhidos como Patrimônio Vivo de Alagoas? “Foi ótimo. Mas tenho dito que já sou patrimônio vivo há muiito tempo porque exerço a profissão de violeiro, poeta, repentista, trovador e cordelista há anos. Fui contemplado merecidamente e já deveria ter sido eleito há muito mais tempo pelas vezes que já representei Alagoas pelo Brasil. A poesia é a minha vida. É com ela que divido minhas alegrais e resolvo meus problemas. Tenho muita história para contar”, afirma.

O autor de mais de uma dezena de folhetos de cordel, livros de poesias e repente, diversos CDs e DVDs como Recordações e Lembranças, Vergonha, Verso e Viola, Sonhei Cantando no Céu, Paisagem da Minha Terra, O poder do Criador, Percorrendo as Estradas do Passado e outros, que carrega na bagagem com o mesmo orgulho dos registros dos lugares por onde já passou, diz que, se pudesse voltar atrás, a viola e a poesia não seriam mais seu ganha-pão. “Não seria mais violeiro se voltasse no tempo. Não pela concorrência, mas porque tem muita gente por aí que não sabe nada da profissão e diz que é violeiro. E ainda se acha bom.É isso que desgosta”, explica.

O João de Lima de Porto Real do Colégio, gostaria de ter sido “um general do Exército ou um Juiz de Direito dos bons”. Ele segue com seus sonhos e a viola a tiracolo para soltar aos versos de sua cantoria do povo em outras paragens.

[ Fonte: Jornal “O Jornal”, 25 de setembro de 2009 ]
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João de Lima

DIÁRIO OFICIAL / Algo Mais
Mestres do Patrimônio Vivo de Alagoas / João de Lima

ARTESÃO DA PALAVRA
Por Larissa Bastos ( Repórter )

Basta dizer uma única palavra para que o mestre João Pereira Lima, ou “João de Lima de Alagoas”, como ele gosta de ser chamado, comece a criar. Em poucos minutos, dezenas de estrofes e rimas feitas pelo senhor, de 68 anos, já pairam no ar. A inspiração é constante e, nas mãos do talentoso artista, pode virar música, poesia ou cordel. Assim como o formato, os temas também são variados – os mais citados, porém, são a saudade e a infância no campo, assuntos que muitas vezes acabam por se combinar.

A preferência tem explicação: as imagens de Porto Real do Colégio, onde nasceu e se criou, continuam fortes na mente do violeiro, cordelista e trovador. Foi na cidade que ele começou a vida artística. Ainda criança, acompanhava o pai, que era cantador, nas festas pelas fazendas do município e, ensinado pelos primos, aprendeu a tocar e afinar sua viola. A profissionalização aconteceu mais tarde, por volta dos 20 anos, quando decidiu tentar a vida em Maceió/AL.

Já na capital alagoana, conheceu o médico e folclorista Théo Brandão, que o levou para cantar em uma rádio pela primeira vez – a escolhida foi a Difusora AM. A empreitada deu tão certo que ele virou atração do programa A Hora dos municípios, transmitido para todo o Nordeste. “Recebíamos umas 500 cartas por dia pedindo para que eu fizesse rimas, relembra o mestre, que acaba de ser selecionado pela SECULT (Secretaria da Cultura), como Patrimônio Vivo do estado.

De Alagoas Para o Mundo
Com o sucesso, outros convites começaram a aparecer. Logo, o violeiro e trovador ganhou não só o Estado, mas também o país. “Já me apresentei em emissoras de rádio e televisões de quase todo o Brasil, inclusive pelo Projeto Minerva, do governo federal. Também já cantei nos programas apresentados por Silvio Santos, Jô Soares e na cabine da Rádio Globo, no Maracanã, durante a transmissão de um jogo”, conta, com orgulho, “João das Alagoas”, acostumado a mandar cartas e postais de Alagoas para emissoras de rádio de todo o mundo.

Junto com o reconhecimento, as participações especiais renderam também outro fruto: oportunidades para a carreira. Foi quando estava em turnê pelas emissoras de Recife/PE que uma gravadora reconheceu seu talento e o chamou para fazer a primeira gravação. O lançamento aconteceu em 1977, com um disco repleto de músicas autorais. De lá para cá, ele já lançou 3 LPs, 6 CDs e diversos DVDs de entrevistas, além de escrever incontáveis repentes, poesias e cordéis.

A trajetória do mestre é extensa e ele completa, ainda, com os ensinamentos aos jovens – que, segundo ele, são direcionados não só par oa a juventude. “Já ensinei pessoas de todas as idades, até cantadores antigos já foram meus discípulos . Sempre que alguém me procura querendo uma dica, dou com o maior prazer. Também vou muito a escolas. Faço versos com conselhos para as crianças sobre questões como o fumo e a violência”, diz ele, que, além dos 47 anos de carreira, também já foi lavrador e comerciário.

Tanto trabalho, porém, não deve acabar nem tão cedo porque, se depender da vontade de viver de João de Lima, sua história será ainda mais longa. “Quero viver uns mil anos, só que com a mente sadia e sem rugas”, brinca ele, que até embolada sobre o tema já fez.

[ Fonte: “Diário Oficial” / Algo Mais, 23 de agosto de 2011 ]
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POESIAS

1. SÓ UM PINGO DA MINHA POESIA ENVERDECE A PAISAGEM NORDESTINA
Autor: João de Lima de Alagoas ( Maceió/AL, 15 de junho de 2012 )

1
Minha nuvem de verso é tão pesada / Se eu for nos Estados mais enxutos,
Basta eu derramar vinte minutos / Toda terra de lá fica brejada
Todo mundo se atola na estrada / O mundo se enche de neblina
O arco-íris por cima da campina / Faz o sol esconder-se ao meio dia,
Só um pingo da minha poesia / Enverdece a paisagem nordestina.

2
Meu martelo de aço é tão potente / Onde bate não fica nem o cisco
Tem a velocidade dum corisco / Não existe pedreira que aguente
Resplandece no chão, passa corrente / Tem o brilho do Sol que ilumina
Mas, depois se transforma em vitamina / Fertiliza a terra quando esfria,
Só um pingo da minha poesia / Enverdece a paisagem nordestina.

3
Com as ordens do Pai Celestial / Minha nuvem de versos é imensa
Se jorrar meia hora o povo pensa / Que é outro dilúvio universal
Derramando uma chuva de cistral / Enche toda barragem: chega mina
Toda água barrenta se refina / Fica doce igualmente melancia,
Só um pingo da muinha poesia / Enverdece a paisagem nordestina.

4
Me inspiro somente em coisas boas / Nas estrelas, na Lua, na floresta,
Onde as aves cantando fazem festa / Onde a voz do meu Deus do céu ecoa
No riacho, na fonte, na lagoa, / No açude, no rio, na piscina,
No lodo, no óleo, na rizina, / Na flor perfumada e bem macia,
Só um pingo da minha poesia / Enverdece a paisagem nordestina.

5
Me inspiro nos lindos colibris / E nas penas dos lindos sanhaçús
No baton dos bicos dos nambús / E na pronúncia dos lindos bem-te-vis
No brilho, na tinta e no verniz / Que Deus derramou da mão divina
Dando cor e beleza cristalina / Ensinando cantar com melodia,
Só um pingo da minha poesia / Enverdece a paisagem nordestina.

6
Me inspiro nas florestas bem cheirosas / Admiro de mais sua beleza
Vejo a mão divinal da natureza / Colocando perfume em suas rosas
Me inspiro nas pedras preciosas / Esmeralda, Rubi e turmalina
Diamante, safira e oliveira / Na Ciência da mineralogia,
Só um pingo da minha poesia / Enverdece a paisagem nordestina.

2. MEU PAI ERA LAVRADOR – EU ME CRIEI TRABALHANDO
Autor: João de Lima de Alagoas (Maceió-AL, 19 de novembro de 2013)

1
Meu pai olhava sorrindo / A roça de algodão
E no varal de feijão / As bages secas s, abrindo
Meu Deus como era lindo! / Ver o milho pendoando
E as borboletas pousando / Em um tapete de flor
Meu pai era lavrador / Eu me criei trabalhando.

2
Não é pecado trabalhar / Preguiça, só atrapalha
Até formiga trabalha / Dia e noite sem parar
Faz buraco pra morar, / Fica saindo e entrando
Cavando a terra e tirando / Sem precisar cavador
Meu pai era lavrador / Eu me criei trabalhando.

3
Nos galhos das juremeiras / Toda hora que chovia,
Cantavam com alegria / Milhares de lavandeiras
Canários e tecedeiras / Os garranchinhos levando,
Faziam ninho cantando / Sem ter frio e sem calor
Meu pai era lavrador / Eu me criei trabalhando.

4
Calo na mão é a prova / Do trabalho do roceiro
Meu pai cavava canteiro / E minha mãe ainda nova,
Com um pé cavando cova / Com outro pé aterrando
Muita semente plantando / Sem precisar de trator
Meu pai era lavrador / Eu me criei trabalhando.

5
Nosso sítio Carirí / Craíbas e Boa Vista,
Orgulho de repentista / Nascido e criado ali
Poço-verde: estou aqui / A nossa história contando
Hoje recordo chorando / Como quem sente uma dor
Meu pai era lavrador / Eu me criei trabalhando.

6
Me criei com tapioca, / Com farinha e com beiju
Com castanha e com caju / Amendoim e paçoca
Plantei muita mandioca / Vi o milho bonecando
E os camaleões andando / Como quem muda de cor
Meu pai era lavrador / Eu me criei trabalhando.

7
Na hora do meio dia / Quando o almoço chegava,
Todo mundo descansava / Numa mangueira sombria
Lá no sítio ninguém via / Menino vagabundando
Nem pedindo, nem roubando, / Nem matando professor
Meu pai era lavrador / Eu me criei trabalhando.

8
No meu tempo de menino / Cantava pelas estradas
Vendo flores perfumadas / Naquele campo divino
Vi beija-flor pequenino / De uma em uma beijando
Vi as flores desbotando / Embriagadas d, amor
Meu pai era lavrador / Eu me criei trabalhando.

3. DEUS CARREGOU PARA O CÉU, O NOSSO ZÉ DO ROJÃO
Autor: João de Lima de Alagoas (9 de dezembro de 2013)

1
Um grande amigo da gente / Locutor da voz sonora,
Deu adeus e foi embora / Pra um lugar florescente
Vendo Deus na sua frente / Pegado na sua mão
São Pedro abriu o portão / E lhe cobriu com um véu
Deus carregou para o Céu / O nosso Zé do Rojão.

2
Um locutor excelente / Da Rádio Novo Nordeste
Está na mansão Celeste / Muito distante da gente
Nós sentimos, ele sente / Bastante recordação,
Que a dor da separação / Fez chorar no mausoléu
Deus carregou para o Céu / O nosso Zé do Rojão.

3
Nosso amigo, gente nossa / Filho de trabalhador
Gente do interior / Criado perto da roça
Carro de boi e carroça / Chapéu de couro e gibão,
Os costumes do Sertão / Lhe deram muito troféu
Deus carregou para o Céu / O nosso Zé do Rojão.

4
Com bastante nostalgia / Vejo a lágrima que desce
Que Zé do Rojão merece / A mais bela poesia
Não fiz porque não sabia / A melhor composição
Mas, canto a triste canção / Chorando igualmente um réu
Deus carregou para o Céu / O nosso Zé do Rojão.

5
Lá do Céu está olhando / Para a rua São Francisco
E, quem nunca tocou seu disco / Agora já está tocando
Eu só fico escutando / Prestando bem atenção
Que o Zé na gravação / Cantava igual um téu-téu
Deus carregou para o Céu / O nosso Zé do Rojão.

6
Foi amigo dos vaqueiros / Poetas-aboiadores
Amigo dos cantadores / Trovadores-violeiros
Dos boêmios-seresteiros / Que cantam com emoção
Se ver Dr. Théo Brandão / Dê lembrança ao Dr. Théo
Deus carregou para o Céu / O nosso Zé do Rojão.

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CONTATO – João de Lima das Alagoas

Celular: (082) 9904.8911 (TIM)

[ Editado por Pedro Jorge  / E-mail: pjorge-65@hotmail.com ]

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