Artigos por Cícero Galdino – 2015

IMPORTÂNCIA DOS VALORES NA FAMÍLIA
Por Cicero Galdino (Licenciado em Biologia e membro da ACALA)

A simpatia que existe entre as pessoas de sexos opostos, que através da aproximação de ambos desperta interesse de descobrir as boas qualidades que eles têm,  foi e continua sendo um ponto de partida que poderá levá-los ao início de um namoro, principalmente quando os interesses predominam. A fase do namoro é o período em que ambos têm oportunidade de se conhecer melhor. Após se conhecerem bem, convictos de que se amam, o casal resolve noivar. O rapaz, em uma visita especial aos pais, decide pedir a mão de sua filha em casamento. Confiantes e seguros, trilham no trajeto habitual de sua cultura para uma vida feliz partilhada em todos os segmentos após o casamento. Durante o noivado, as conversas ganham novas dimensões. Fase de refletir, planejar, amadurecer ideias, enfim, sonhar. É uma fase de expectativas, em que a vontade de estarem sempre juntos se fortalece a cada dia. Juntos para dialogarem, se tocarem, se abraçarem, se beijarem e partilharem seu amor, numa reciprocidade marcante e moderada. Era assim que acontecia no passado e ainda hoje acontece. O amor é invencível. Existirá sempre.

Situações de aparente amor ou simplesmente amizade têm impulsionado muitos a viverem a dois, principalmente nos dias atuais. Esse tipo de convivência que alguns casais assumem de forma superficial, muitas vezes desestruturadas e sem prévio planejamento, tem contribuído de forma implacável a não durar muito tempo, a não dar certo. Casamento é assunto sério. É através da união de duas pessoas de sexos opostos que há o surgimento do primeiro filho, constituindo-se a família. A família que tem um início bem estruturado, tem maior chance de sucesso, lembrando que a presença de Deus no lar deve estar sempre em primeiro plano, pois uma família sem crença religiosa precisa ressentir algo edificador. Sem a proteção da Santíssima Trindade, a vida do cristão não tem sentido.

A união conjugal, através do casamento religioso e civil, consagra legalidade da vida a dois para Deus e o planeta. Relembrando a sábia frase de orientação Divina, pronunciada pelo sacerdote em realizações matrimoniais, cito: “O que Deus uniu, o homem não separe”. Foi dessa forma que  acompanhei a realização de inúmeros casamentos, que vivenciaram muita paixão e amor, assim como no meu.

Nossos genitores repassavam valiosas informações educativas de valores. Com isso, era concretizada uma perfeita união com a bênção de Deus, dos pais e dos padrinhos. Era uma união esplendorosa. Dessa forma, com esse bom início, os casamentos tinham tudo para dar certo, como muitos deram. Com esse perfil, eram pouquíssimas as separações que surgiam. Foi assim a preparação para a vida conjugal de meus pais e a de minha geração, que me parece ter sido melhor direcionada, comparada com a de hoje. Na época de meus pais, a igreja católica não exigia curso, mas no meu noivado, Erluce e eu participamos de curso matrimonial preparatório para o casamento, que muito contribuiu com nossa vida a dois. Por isso, recomendo levar a sério o acompanhamento das instruções desses cursos, hoje obrigatórios. Neles se tiram dúvidas, se recebe orientações valiosíssimas. Vale a pena acompanhar.

Os filhos, objetivo fundamental que leva à constituição da família, devem ser cuidados pelos pais com carinho, paciência, presença, orientação e, principalmente com amor. De todas as organizações existentes em nosso planeta, a família deve ser considerada a mais importante. Ela é a base edificadora da sustentação de qualquer projeto de vida de um ser humano. Ninguém pode ser feliz todo o tempo, durante seu percurso vitalício, sem ter o amparo, o aconchego e o amor de sua família.

A primeira preocupação de um construtor quando inicia a construção de um edifício é a de fazer um bom alicerce, porque dele depende a sustentação da obra.

Se decidirmos semear, a escolha da semente e a qualidade da terra é o ponto de partida. A muda bem tratada se desenvolve bem. Após plantá-la, os tratos culturais são indispensáveis para seu desenvolvimento. Ela necessita de acompanhamento, ser regada todos os dias e de cuidados específicos até a fase adulta, quando se torna árvore. Boas árvores sempre dão bons frutos. A árvore que nasce torta pode ser desentortada quando nova. Cuidados com providência resolve. Com nossos filhos não é diferente. Dedicação e cuidados devem ser redobrados. Nossos pequenos devem ser tratados com esmero e amor desde a concepção, todos os dias, durante toda a vida, pois dessa forma estaremos alicerçando a base para futuras famílias que, sem dúvida, marcarão a construção de um mundo mais humano e feliz. A família é o grupo social que jamais se extinguirá. Vamos cuidar para que nunca seja enfraquecida. Depende de cada um de nós, pais!

Fonte: Revista “O Mensageiro”, janeiro de 2015.

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RONDONISTA VENCENDO DESAFIOS
Por Cicero Galdino (Licenciado em Biologia e membro da ACALA)

A capacidade de realização de tarefas, existente nas pessoas, é muitas vezes maior que a vontade de realizá-las. Nunca devemos subestimar a capacidade humana. Todos somos capazes de realizar o que pretendemos, de chegarmos onde imaginarmos. Se idealizarmos chegar a um objetivo, devemos encará-lo, lutar para conquistá-lo. A conquista é o fruto da vitória. Se conseguirmos chegar onde planejamos, certamente sentiremos o sabor da realização do plano, do dever cumprido.

Quando ainda graduando-me em Ciências Físicas e Biológicas pela Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca, em 1975, tive a ousadia de me inscrever no Projeto Rondon para participar de um processo seletivo gradativo para uma Operação Nacional. Era o único universitário do interior que participara desse treinamento. Foram 30 viagens que fiz à Maceió, acompanhando as instruções e participando da seletividade. Dos 400 participantes, foram selecionados 110 no final. Vivenciei um clima de muita expectativa, principalmente nos encontros finais, para chegarmos a seleção definitiva.

Finalmente, no início da segunda quinzena de dezembro de 1975, saiu a relação dos universitários que iriam participar da Operação Nacional – PRO XVI, nas cidades de Aquidauana e Anastácio, em Mato Grosso, atual Mato Grosso do Sul. Viajamos pela VASP, num boeing 727, voo exclusivo, com 116 passageiros, sendo seis os tripulantes, no dia 3 de janeiro de 1976. Foi minha primeira viagem de avião. Uma viagem inesquecível, num clima festivo durante quase todo trajeto, um sambão para ninguém botar defeito.

Coordenada por Maria Betânia Jatobá, tendo como assistente Cristina Ferro, a delegação chegou em Aquidauana na tarde do sábado, dia 3. Nos acomodamos num prédio onde funcionava um antigo seminário, ao lado de uma praça, onde ficava a igreja principal e, na segunda, dia 5 fomos nos apresentar ao prefeito da cidade, tradicional médico da região pantaneira. Quando falei que era de Arapiraca, o prefeito interrompeu-me, dizendo: “Você é da terra que matou meu colega, José Marques da Silva, numa brutal emboscada”. Nunca imaginei que depois de 20 anos, alguém de tão distante fosse lembrar com detalhes daquele triste episódio. Nessa ocasião, me senti menor que uma formiga diante de todos, naquela terra estranha. Como se não bastasse, logo após fui chamado à coordenação para ser convencido sobre a mudança de minha rotina de atuação. Mesmo tendo recebido instruções e ter me preparado para atuar na área de Ciências, a coordenadora me revelou que a colega que estava responsável pela matéria Programa de Saúde, não estava se sentindo preparada para ministrar o treinamento aos professores da rede municipal daquelas cidades e queria a todo custo substituir sua matéria pela minha. Depois de muita conversa, vendo que não tinha outra solução, sugeri até ficar com as duas matérias, mas Betânia, a coordenadora, me convenceu de que assim não dava certo porque minha colega ficava sem função específica e poderia correr o risco de regressar a sua terra de origem sem participar da operação. Demorei a aceitar, mas não tinha outra saída. Embora tenha sido preparado para instruir os professores dando aulas de Ciências, terminei com Programa de Saúde, uma matéria nova sobre a qual não existia sequer um livro na cidade disponível à venda, que me servisse de orientação. Era um dos maiores desafios que eu havia enfrentado em toda minha vida. Mesmo com atuação inesperada, obtive uma boa experiência, vencendo o desafio!

No início da atuação, fundamos um informativo que intitulamos RONFONAL, Rondon Fofoca do Pantanal, objetivando ajudar no relacionamento e na comunicação das turmas em que atuávamos nas área de educação e saúde. Através desse informativo, descobriram minha tendência a fazer poesias. Sabendo disso, Neiza, uma colega da área de educação, na véspera de seu aniversário, pediu-me como presente um soneto. Embora, com dificuldades em compor naquele momento, até porque estava tentando me adaptar ao local, atendi seu pedido e fiz “Para Neiza”, entregue a ela no dia 08.01.1976, que veio a ser publicado no meu primeiro livro, intitulado “DESAFIO”, editado em maio de 2012: Muito distante do meu torrão natal, atuante, enérgica, entusiasmada, nesse setor expansivo cultural participava Neiza emocionada. Num almoço de costume ritual, quando se encontrava sombrio o céu azul, e bem revestido de água o Pantanal, nova idade fazia na Princesa Sul. Saudava aplaudindo, a coordenadora, rondonistas acompanhavam a ação, partilhando emoção com merecedora. Bela festa essa, entre outras de Operações do Rondon quando estive em atuação. Para Neiza, demos felicitações!  Neiza ficou tão contente naquela ocasião que parecia uma criança quando ganha um desejado presente. Apesar do sufoco, fiquei também feliz ao compartilhar de seu contentamento, de sua sensação prazerosa de felicidade. Foi mais uma fantástica experiência que vivenciei naquela ocasião.

Nos finais de semana, procurávamos conhecer cidades, regiões indígenas e pantaneiras. Num desses, resolvemos conhecer a cidade de Ponta Porã e lá atravessamos a avenida principal e conhecemos também a cidade de Pedro Juan Caballero, Paraguai. Na ida, quando passávamos pela cidade de Dourados, resolvemos parar para lanchar. Ao nos dirigirmos a uma lanchonete, fui logo pedindo um sanduíche de queijo acompanhado de um leite com café. Ninguém conseguiu comer o sanduíche todo, porque o pão era enorme e o queijo tinha a espessura de três centímetros. O curioso foi que um de meus colegas pediu também um sanduíche de queijo e um café com leite. Meu lanche veio a meu gosto, mas o do meu colega não. Então ele disse ao garçom: “Quero o café com leite igual ao do meu amigo Cicero”. O garçom respondeu: “Nesse caso, você peça um leite com café, como ele pediu, e não um café com leite”. Essa foi mais uma lição que aprendi da cultura mato grossense.

No entanto, a viagem mais ousada foi a que fiz a Corumbá, de trem, atravessando o pantanal, enfrentando mais um desafio, numa autêntica aventura. De Corumbá, viajei de picape com destino a Poerto Soarez, cidade Boliviana, sentado em banco de madeira, junto aos camponeses que regressavam a seus lugares de origem. Poucas palavras que eles falavam, a gente entendia. Lá chegando, meus colegas e eu sentíamos como os pássaros, quando fora de seu ninho.

Foi através dessa atuação que compus a poesia “Borrachudo”, publicada no livro “Desafio, cujo final é: “A virtude do saber, a tem quem sabe sofrer, pois é muito bom pra gente. Aprendamos a andar, sabendo dissimular o mal que passa, que sente.”. Diante das adversidades enfrentadas no PRO XVI, a conclusão que cheguei foi a de que obtive uma grande experiência, vencendo vários desafios que fizeram parte do meu amadurecimento pessoal.

Fonte: Revista “O Mensageiro”, fevereiro de 2015.

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EDITORIAL  – Revista “O Mensageiro”, Março de 2015
Por Cícero Galdino

O ano de 2015, em seu segundo mês, nos trouxe grande tristeza. Na sexta-feira 13 de fevereiro de 2015, fomos surpreendidos com a notícia do falecimento do Monsenhor Aldo de Melo Brandão. Filho de Alda de Melo Brandão e de Manoel Caetano de Águia Brandão, nasceu em 09.01.1927 na cidade de Penedo/AL. Foi ordenado sacerdote em 22.11.1954 pelo Frei Dom Felício da Cunha Vasconcelos. Padre Aldo foi um homem de vida simples, paciente, amável e acolhedor. Deixou um legado de bons exemplos para todos nós, incentivando o desempenho do trabalho voluntário através de suas obras sociais.

Com quase 61 anos de vida sacerdotal, Padre Aldo passou por várias paróquias, mas as que mais marcaram sua vida, pelas obras sociais que ele fundou foram as de Penedo e Arapiraca. Penedo/AL, por ter criado a escola profissional “Lar de Nazaré”, instituição para acolher crianças e jovens abandonadas em situação de risco, com idades de 4 a 17 anos e a creche Aldo de Melo Brandão, onde idealizou e fundou há 18 anos. Em Arapiraca, foi um semeador, pelo celeiro de entidades que fundou e manteve durante seus 24 anos que passou como pároco da Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho. Idealizador e fundador da Casa da Menina, UREM (Unidade de Recuperação a Crianças Desnutridas), Creche “Meu Lar”, Marcenaria Jesus e José, Capela da Divina Providência, e a rádio comunitária “A Voz do Povo, a Voz de Deus” – FM 105,9, entre outras.

Quando celebrava a última missa de seu aniversário, no auditório da Casa da Menina, Pe. Aldo repetiu o apelo que fez quando presidia a celebração da Missa do 12 de outubro 2014, dia de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil, na Capela da Divina Providência, transmitida pela rádio A Voz do Povo, a Voz de Deus: “Quando Deus me chamar, quero que vocês deem continuidade as minhas obras sociais, não deixem elas se acabarem”. Esse pronunciamento apelativo foi repetido também na última reunião que houve com funcionários e a Diretoria do Complexo, oportunidade que agradeceu a cada um dos colaboradores presentes e diretores, enfatizando que queria que Cicero Galdino participasse do quadro diretivo de suas instituições, por seu histórico de dedicação ao trabalho voluntário.

Padre Aldo escreveu uma linda história de vida como evangelizador e criador de suas obras sociais… Foi sem dúvida um grande marco para a nossa sociedade, que merece nossa admiração e empenho para que nada do que construiu com tanta dedicação e amor, sofra descontinuidade. Vamos a luta!

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ACOLHEDOR (Soneto)*
Autor: Cícero Galdino

Benfeitor Monsenhor Aldo de Melo Brandão
Trouxe benefícios que nossa terra recebe,
Iluminação que Nossa Senhora concebe.
Nesse complexo agrega tudo que todos dão.

Surge encantadora “A voz do Povo é a voz de Deus”.
UREN bem acolhe as crianças abandonadas,
Casa da Menina educa jovens desprezadas.
Para aquelas misérias essa casa dá adeus!

Dona Rejane Barros foi a primeira adotiva
Da grande família que nessa casa gerou…
Uma ideia ótima que todo mundo cativa.

O Mensageiro vem completar o engajamento
Da ação dinâmica que a cidade consagrou,
Prosseguir firme, depende do seu investimento.

* Soneto de Cicero Galdino em homenagem ao Reverendíssimo Mons. Aldo de Melo Brandão, publicada no livro “Desafio” (2012).

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VIVENCIANDO A HUMILDADE
Por Cicero Galdino (Licenciado em Biologia e membro da ACALA)

A experiência nos mostra que, para alguém que deseja buscar o caminho do sucesso, é preciso se conscientizar  de que a simplicidade é um dos atributos eminentes. Junto a simplicidade, deve-se  vivenciar características de uma pessoa  humilde, agindo com inteligência, de modo honesto e sincero. A prática da humildade deve surgir de forma espontânea, pois se alguém ousar ser humilde de maneira forçada, raramente conseguirá ir muito longe. Quando objetivamos ser e viver a simplicidade, valorizando as pessoas humildes, se dedicando às obras sociais, às pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade social,  contribuímos com a melhoria social.  Mesmo que ajudemos apenas a uma pessoa,  para essa a vida passa ser vivida de forma diferente. Podemos ajudar ao nosso próximo até com uma simples aproximação, um sorriso, uma palavra amiga, enfim, conversando e procurando expressar palavras de otimismo.

Se analisarmos a história da vida de algumas pessoas bem sucedidas em suas profissões e a de vários religiosos que se santificaram, observamos que além de seus encantamentos pelo fato de terem deixado um legado de bons adjetivos utilizados em sua plenitude em qualquer que seja a atribuição exercida, sendo pessoas bondosas, pacientes e piedosas,  mostravam  também procedimentos de humildade.  Por mais rico que alguns foram, sempre  valorizavam a prática de serem humildes em suas ações e atitudes. Acredito que por isso alguns dos líderes que assim pensaram conseguiram eficaz desempenho nos seus projetos.

Certa vez, um grupo de amigos resolveu visitar uma floresta. Idealizavam procurar pedras preciosas e conhecer a vegetação. Seguiram trilhas diferentes. Um deles, o mais exigente e vaidoso não se sentia bem diante de pessoas simples, ao ponto de seus colegas dizerem, na linguagem popular que ele tinha o Rei na barriga (termo que ainda hoje alguns utilizam para expressar que alguém quer ser mais importante do que o que é). Desintegrado da área de seus companheiros, sozinho,  sentiu sede e quanto mais andava, menor a chance de encontrar água. Depois de longa caminhada, já exausto avistou ao longe, um modesto casebre, de pessoas paupérrimas. Se dirigiu para lá. Ao se aproximar viu que era uma casa de taipa com uma família onde  todas as cinco crianças da casa  estavam com severas lesões labiais (feridas de boca). O cidadão ao ver aquela cena sentiu-se mal, mas estava com muita sede e precisava saciá-la. Mesmo assim, pediu um copo d’água a mãe das crianças e ela ordenou que um de seus filhos fosse buscar um caneco d’água, pois disse ao moço que lá eles não tinham copo, só tinha um caneco, onde todos bebiam. Ao receber o caneco de formato quase quadrado, o cidadão escolheu um dos cantinhos do caneco para saciar sua sede. Logo que bebeu, um dos meninos disse: “Hem hem! Ele escolheu beber pelo mesmo local que gosto de beber”. O moço arrepiou-se de nojo, mas já tinha bebido. Refletindo sobre o episódio, daquele dia em  diante aprendeu a lição de humildade. Isso  fez com que  modificasse consideravelmente a  maneira daquele jovem pensar e de agir.

Num seminário promovido pelo Conselho Municipal de Políticas Sobre Drogas, no auditório do planetário de Arapiraca, onde contou com a participação de diversos profissionais do magistério, ligados a Rede Municipal de Ensino, fomos premiados com a palestra da dinâmica  Drª Valdenize Ferreira Lima, Tenente Coronel do Estado de Alagoas. Falando sobre sua experiência obtida nas diversas atuações em favelas do estado, proferindo palestras de orientação sobre os terríveis efeitos da droga, fez um relato que sensibilizou a plateia, de modo que fiquei também encantado com sua didática na comunicação e  sua narrativa, contou: “Certa vez, visitando uma colônia de catadores num lixão, após proferir palestra, já era hora do almoço. Uma crianças se aproximou de mim e me fez um convite para almoçar na casa dela. Aceitei e segui com a equipe de trabalho. Lá chegando, estava a  mãe das crianças preparando  o almoço, tratando vísceras de galinha, que após, lavou-as com água de péssima qualidade. Era tudo que tinha naquela ocasião para preparar. Mandei comprar macarrão e foi cozido para  completar o almoço. Convidei meus colegas militares para almoçarem também com essa família. Eles vivenciando uma situação inédita e até chocante. Almoçamos e os anfitriões ficaram contentes por termos aceitado o convite”.

Fico a imaginar a grande lição de simplicidade desse gesto de humildade que a Coronel Valdenize deixa para todos.  É surpreendente para muitos verem que existe pessoas de hierarquia superior agindo dessa forma, no mundo atual. Resta-nos parabenizá-la por essa belíssima ação, que, sem dúvidas é uma grande lição de vida.

No meu torrão natal, Arapiraca, o sr. Benedito Galvão Ribeiro (“Baiano”), empresário proprietário da CAPA (Comercial Arapiraquense de Produtos Agrícola Ltda), aqui domiciliado há mais de 40 anos, se destacou por ações  generosas feitas nas décadas de 1970 e 80, doando amplos terrenos  para construção de obras sociais ligadas a sociedade civil organizada, entre outras cito: Clube de Mães (onde funciona uma escola municipal),  Câmara Júnior (hoje sede da Pestalozzi) e Clube do Professor que ajudou a construir, inclusive. Como fez bem a nossa comunidade as doações dessas áreas! Sua simplicidade e amor ao próximo predominavam nas suas ações de generosidade. Atitudes assim me fazem lembrar a história do jardineiro que construiu tesouros no Céu, narrada na revista “O Mensageiro” Nº 86 (agosto de 2014) e mencionada na de Nº 90 (dezembro de 2014). Pessoas assim, sem dúvidas, mereceram sempre honrosas homenagens!

E, como falar de humildade sem falar nele? Em 17.12.1936,  nasceu em Flores, Buenos Aires, Argentina JORGE MARIO BERGOGLIO, filho de Mario José Bergoglio e Regina Maria Sivori; irmão de Alberto, Maria Elena, Oscar e  Marta Regina. Ordenou-se sacerdote em 13.12.1969 e foi nomeado bispo auxiliar de Buenos Aires em 20 de maio de 1992 pelo Papa João Paulo II. Teve sua ordenação episcopal em 27.06.1992, sendo nomeado arcebispo coadjunto de Buenos Aires em 03.06.1997, tornando-se arcebispo metropolitano de Buenos Aires em 28.02.1998 e Cardeal Presbítero em 21.02.2001. Finalmente, em 13.03.2013, o Cardeal foi eleito Papa, ocupando o numeral 266º. Escolheu ser Francisco por admirar a simplicidade de São Francisco de Assis. Ganhou a simpatia não só dos católicos, mas também de vários cristãos de diversos seguimentos religiosos, enfim, a todos de modo geral. Seu poder de santidade transborda evidências de ser uma pessoa simples e humilde. É um modelo de Líder Católico que nos transmite segurança em sua ações. Mostra em suas palestras a força do convencimento do que prega, movido pela amorosidade que sente, principalmente quando fala dos jovens, dos desamparados, dos menos favorecidos.  É comum fazer refeições no refeitório onde os funcionário da Santa Sé se alimentam.  Suas vestes e sua conduta religiosa simbolizam a simplicidade.

Como seria bom se procurássemos vivenciar a simplicidade, valorizando a humildade. Temos grandes exemplos, por que não segui-los?

Fonte: Revista “O Mensageiro”, março de 2015.

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DEVOÇÃO – UM MARCO DE FÉ / Por Cicero Galdino (Licenciado em Biologia e membro da ACALA)

Nesse universo religioso, é comum vermos pessoas católicas se dedicarem em veneração a Santos. Essa atitude dar-se-á em geral pelo sentimento religioso de alguns, quando passam a conhecer a história da vida dos santificados, que sempre nos mostram posturas de sofrimentos, de terem sido piedosos, caridosos, pacientes e, sobretudo, terem se dedicado aos ensinamentos de Jesus Cristo durante a vida terrena.

Ao conhecermos a vida dos Santos, descobrimos aprendizados importantes. Diante dos ensinamentos, nossa mente nos conduz a uma forma diferente de pensar e de agir. O agir sobrepõe ao pensar. Se pensarmos em fazer o bem e procurarmos realizar essa ação do bem, certamente receberemos indulgências sobre nossas atitudes. No entanto, se tivermos a oportunidade de fazer o bem e não realizarmos, perderemos essa chance por ter predominado a omissão. Uma das grandes falhas que a humanidade pode cometer, é a omissão. Se podemos ajudar, por que não fazê-lo? Boas ações sempre fazem a diferença para alguém. Beneficiando pessoas, estamos construindo tesouros no céu. Quando fazemos o bem a alguém, sentimos a sensação de vitória. Sejamos um vencedor! Pautemos nossas iniciativas baseando-se nos ensinamentos dos Santos.

Nossa história religiosa relata a vida de algumas pessoas que dedicaram todo seu tempo a serviço dos necessitados, dos pobres, como foi o caso de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, conhecida por Irmã Dulce, Beata dos Pobres e Bem-aventurada Dulce dos Pobre. Ela recebeu a cognominação de “Um Anjo Bom da Bahia”. Irmã Dulce nasceu em Salvador em 26.05.1914 e faleceu em 13.03.1992. Outra irmã que dedicou toda sua vida aos pobres, deixando belíssimos conceitos de como devemos servir ao próximo e da prática do perdão foi Anjezê Gonxhe Bojaxhiu, conhecida por Madre Teresa de Calcutá ou Beata Teresa de Calcutá, que nasceu em 26.08.1910, na Escópia, República da Macedônia e faleceu em 05.09.1997, em Calcutá, na Índia. Grandes exemplos de vida!

Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, primeiro santo brasileiro, conhecido por Frei Galvão, nasceu em 10.05.1739, em Guaretinguetá (SP), filho de Antonio Galvão, português, natural da cidade de Faro em Portugal e de Isabel Leite de Barros, de Pindamonhangaba (SP). Frei Galvão foi canonizado pelo papa Bento XVI em 11.05.2007. Certa vez, uma jovem encontrava-se muito doente, sofrendo dores horríveis por estar em crise provocada por cálculos renais. A família dela se dirigiu ao Frei Galvão e pediu-lhe socorro para a cura daquela moça. Frei Galvão escreveu num pedacinho de papel: “Ó Mãe de Deus, intercedei por nós”. Enrolou em formato de pílulas e mandou para ela. Ela engoliu com água, como se fosse uma pílula. Logo após, as dores cessaram e em seguida expeliu todos os cálculos renais. Um senhor, desesperado porque sua esposa estava para dar a luz e o parto era difícil, muito difícil. Ele era de família pobre, não podia pagar hospital. Socorreu-se de Frei Galvão e ele escreveu: “Após o parto, permaneceste virgem: Ó Mão de Deus, intercedei por nós”! Enrolou o pedacinho de papel em formato de pílula e mandou aquela senhora engolir com um pouco de água. Logo após tomar, teve um parto normal, rápido e sem complicação. Dessa maneira, as graças alcançadas se multiplicavam a cada dia e seus devotos foram surgindo.

No Nordeste, a devoção ao missionário Frei Damião de Bozzano é grande. Frei Damião nasceu em Bozzano, Itália, em 05.11.1898 e faleceu em Recife (PE), em 31.05.1997. Era filho dos camponeses Felix Giannotti e de Maria Giannotti. No entanto, quando se fala de Padre Cicero ainda hoje a devoção predomina na vidas das pessoas. Pe. Cicero Romão Batista, filho de Joaquim Romão Batista e de Joaquina Vicência Romana, nasceu em 24.03.1844, na cidade de Crato (CE) e faleceu em 20.07.1934, em Juazeiro Norte (CE), onde foi prefeito por 15 anos. Certa vez, em uma de suas celebrações eucarísticas, a hóstia consagrada por ele transformou-se em sangue na boca da beata Maria de Araújo, na hora da comunhão. Esse episódio que se repetiu por várias vezes fez com que os católicos da época considerassem ter havido o surgimento de milagre, contrariando preceitos da Igreja Católica, que achava que o fenômeno estava causando nas pessoas atitudes de fanatismo e não aceitava que fosse milagre. Mesmo indo à Roma e obtendo o perdão do papa João XIII, ele, o Pe. Cicero foi proibido fazer celebrações eucarísticas, inclusive a celebração da santa missa. Mesmo sem ter sido ainda canonizado, o povo católico nordestino o considera um Santo. Atualmente, ainda há a

prática de grandes romarias a Juazeiro do Norte, para rezar e fazerem visitação as obras que ele deixou e a outras que construíram em sua homenagem, bem como ao seu túmulo.

Em 1930, meu avô paterno, o saudoso José Galdino dos Santos, que tinha o mesmo nome de meu pai, em companhia de amigos, fez sua última viagem à Juazeiro, a pé. La chegando, adoeceu. Comunicou ao Padre Cicero e ele o aconselhou que ficasse mais uns dias em Juazeiro para se recuperar. Meu avô disse que não podia porque havia deixado a família em casa e precisava retornar logo e retornou, mas ao chegar, exausto e debilitado pela doença que contraiu na viagem, a febre aumentou. Após sofrer convulsões, pereceu dias depois, deixando sua esposa com sete filhos, todos pequenos, uma verdadeira “escadinha”, como se dizia no popular. A mais velha se chama Maria e tinha naquela época 7 anos e 5 meses, atualmente com 93 anos de idade. Foi um enorme sacrifício que Rosa Ferreira da Conceição, carinhosamente chamada de Dindinha, minha saudosa avó, enfrentou para terminar de criar seus filhinhos, o que fez com muita coragem e determinação.

É comum ouvirmos pessoas dizerem: São Brás!, quando a criança tem qualquer engasgo. No popular, quando alguém passa por situações difíceis, as pessoas falam: Deve-se gritar por São Bento antes da cobra morder. Os devotos de São Longuinho, prometem dar três gritos, três pulos e três assobios, quando perdem algum objeto e, valendo-se do Santo, acham. Não podemos esquecer de Santo Expedito, o Santo das causas impossíveis, que tem socorrido a milhares de seus fiéis devotos. Quando algumas moças pensam em casar, se valem de Santo Antônio, o Santo casamenteiro, o do desdobramento.

A fé move montanhas e com essas devoções vamos solucionando alguns percalços. Assim, essas pessoas Santas que souberam vivenciar o sacrifício e a solidariedade na extensão máxima da palavra, serve de exemplos e são, sem dúvidas bálsamo para o sofrimento e esperança num mundo tão conturbado e desumano em que, lamentavelmente hoje vivemos. A devoção é o alento e marco de fé, para os cristãos.

Fonte: Revista “O Mensageiro”, abril de 2015.

 

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ILHA OU CONTINENTE – ESCOLHA SUA
Por Cicero Galdino (Licenciado em Biologia e membro da ACALA)

Existem duas formas de se chegar a uma ilha: A primeira  pode ser
através  das águas, podendo ser pelo mar, rio, lago ou lagoa, a depender da localização. A segunda, por via aérea. Em ambas as situações pouco importa o veículo de locomoção que seja utilizado e muito menos o tipo, marca ou modelo. Nesse caso, o indivíduo vivencia situações diferentes, enfrentando as adversidades que certamente surgirão. Óbvio que ele poderá alcançar seu objetivo, que é o de chegar ao destino, enfrentando possíveis dificuldades ou riscos.

No continente, qualquer  deslocamento que o indivíduo precise enfrentar é menos complexo e em algumas situações , mais seguro. Além de poder chegar ao destino se utilizando do mar, rio, lago, lagoa ou por terra, através de embarcações marítimas, aéreas ou veículos, pode-se também escolher outra forma mais prática, segura e objetiva, que é o deslocamento a pé, caminhando firme sobre o solo.

Na década de 1960, um de meus professores perguntou aos alunos algo  que ainda hoje me serve de parâmetro quando o assunto é comunicação: “Você é uma ilha ou um continente? Naquela época, poucos entenderam a pergunta. Os que acertaram se utilizaram da intuição, imaginando que ser ilha é ter a comunicação limitada. Sendo uma ilha,  uma partícula do ecossistema isolada, levando-se em conta a imensidão do globo terrestre, evidentemente  o processo comunicativo seria bastante prejudicado. Não tínhamos o computador nem celular. O sistema de telefonia era precário. Para se fazer uma ligação, esperava-se horas e as vezes, dias, principalmente as pessoas de algumas regiões do interior do Brasil, após pedir diretamente a telefonista, quando tinha o sistema telefônico implantado na região. Só  o radioamadorismo conseguia se comunicar com o mundo,  mesmo assim enfrentando suas limitações.

Infelizmente, hoje muitos são obrigados a viverem  em sua ilha imaginária e real, isolados da sociedade, dos amigos e do mundo. Alguns fatores contribuem para conduzirem o indivíduo a se submeter a vida monótona, sem se comunicar e muito menos sem vivenciar  a prática da comunicação presencial. Essa que é a mais eficaz, pela troca de energias, pelo calor humano que se absorve, pelo aconchego, por ser de fato a forma mais completa de se comunicar.

A preocupação com a segurança faz com que muitos vivam numa prisão domiciliar de forma espontânea, sem cumprir sentença judicial, embora esteja sentenciado a viver vida de prisioneiro, em seu próprio lar, cercado por verdadeiras muralhas equipadas com cercas elétricas, sensores e câmeras. Quando resolve sair de carro, mantém os vidros fechados. Dele abre  seu portão e fecha ao sair. Mesmo com essa precaução, o cidadão vive apreensivo. Como se não bastasse, quem vive em cidade grande muitas vezes se estressa com a agitação do tráfego e medo de ser assaltado a cada sinal vermelho que para, colocando em risco sua própria segurança. É preciso muita calma, ser paciente e prudente, procurando evitar a ansiedade. Situações de isolamento associadas ao stress podem comprometer a saúde. Pessoas ilha são presas fáceis para a depressão.

Ser continente abrange a imensidão ilimitada de se comunicar.  Antigamente, não era possível tamanha dimensão. Hoje, com a abrangência da globalização e a implementação da moderna tecnologia, convivemos com abruptas mudanças, nesse fenômeno que também engloba a comunicação, chegando muitas vezes a nos assustar com essa evolução. O que acontece em todas a dimensões do globo terrestre é possível acompanharmos os fatos em tempo real. Nunca imaginei vivenciar esses grandes avanços, especialmente os que atingem o processo da comunicação, com  esse moderno sistema tecnológico. São encantadoras essas inovações.

Quando se procura levar uma vida saudável, agindo com paciência, prudência, respeitando suas limitações, sendo uma pessoa amável e comunicativa, a troca de energias contribui com o bem estar de cada um. Meu pai, o saudoso José Galdino dos Santos, com sua sábia experiência, dizia: “Para se viver de forma saudável é preciso cumprir três determinações, que são: Comer na hora certa, dormir na hora e não teimar com ninguém”. Ações que só beneficiam aqueles que as cumpre. Entretanto, no corre corre do mundo atual, é muito difícil cumpri-las. O que podemos fazer é tentar, dentro de nossas possibilidades, realizá-las, adequando-as a nossa realidade.

Ser comunicativo é fundamental para uma vivência saudável, otimizada pelo equilíbrio emocional com que as pessoas extrovertidas costumam ter. Como vai sua maneira de se comunicar? Você é ilha ou continente?

Fonte: Revista “O Mensageiro”, maio de 2015.

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EDUCANDO PARA A VIDA
Por Cicero Galdino (Licenciado em Biologia e membro da ACALA)

A gestão familiar tornou-se uma das maiores preocupações para alguns pais nos dias atuais. Há décadas, a tendência de redução da família no quantitativo vem sendo acentuada. Vários motivos têm contribuído.  A situação financeira é um dos  que mais pesam na decisão. Atualmente, casais só querem ter um ou dois filhos. Há de convir que as atribuições profissionais do mundo moderno fazem com que os pais tenham pouco tempo disponível para dar assistência. Muitos planejam, mas poucos decidem encarar a paternidade, principalmente nas cidades grandes, naquela vida agitada do cotidiano, quando vários cônjuges só se encontram a noite, nos finais de semana e feriados.

Orientar os filhos, instruindo-os para se desenvolverem centrados no caminho do bem e, sobretudo repassando valores é o desejo da maioria do pais, mas em alguns casos fica impossível o acompanhamento. Muitos, ao saírem para enfrentar a labuta diária, deixam suas crianças em poder de creches, quando encontram vagas. Outros, nas responsabilidades de pessoas que muitas vezes não conhecem a formação, não sabem que valores elas podem transmitir aos seus filhos. Esses fatores têm interferido  na qualidade  educacional de nossos pequenos, de modo que em algumas situações eles ficam confusos quanto ao aprendizado. Será que a inversão de valores, observada em algumas famílias não começam dessa forma? Pense nisso!

Estar sempre presente é a primeira condição necessária para melhor educar, orientando os filhos sempre que se fizer necessário. Mas, como proceder essa orientação se  muitas vezes alguns pais não estão preparados e não procuram buscar soluções? É preciso repensar o planejamento e desenvolvê-lo com firmeza e segurança.  Assim como houve no geral importantes mudanças nas últimas décadas, é necessário que haja também  adequação à nova modalidade de educar a família.  Já não é  possível educar nossos filhos da maneira pela qual nossos pais foram educados. Hoje, encontramos dificuldades de educar da mesma forma que fomos educados. Por isso, se faz necessário adotar critérios de mudanças.

Para ser um bom gestor é preciso acompanhar o desenvolvimento dos filhos desde a concepção. Cada fase requer  cuidados específicos, onde a dedicação  deve ser constante e o amor predominante todo tempo. Ser paciente e compreensivo são também  qualidades imprescindíveis. A religiosidade é um compromisso importante a que os pais devem conduzir seus filhos. Uma família sem religião e sem a presença de Deus fica difícil sobreviver com sucesso.  Portanto, os pais têm  uma missão de muita responsabilidade, mas é gratificante.
Em 19 de fevereiro de 2011, o professor Agamenon Magalhães Júnior, publicou em “O Jornal” o artigo intitulado “Arapiraca, um Modelo de Cidade”, onde citava informações por mim reveladas sobre a melhoria do ensino, no setor Educação em Arapiraca, que proporcionou a muitos o ingresso nas faculdades, até de medicina. Para surpresa de todos, chegaram 218 mensagens, relatando opiniões sobre o assunto, 20%  delas declarando que o jornalista havia se equivocado na descrição sobre a realidade educacional de Arapiraca. Na época, era narrada a real situação no referido artigo. Vivíamos uma fase áurea neste setor. Num país democrático, todos podem e devem opinar, expor sua opinião sobre qualquer assunto, mas é preciso conhecimento de causa para optar com clareza e convicção, principalmente quando divulgamos  na imprensa, cujo alcance é maior. Sejamos coerentes em nossas afirmações. Há um ditado popular que diz: “Palavras ditas, pedras atiradas e pancadas dadas não voltam atrás”.

Mesmo respeitando as opiniões adversas, Agamenon resolveu me participar. Citei, naquela oportunidade, exemplo de minha família e ele relatou: “Meu amigo Cicero Galdino dos Santos, educador e sócio benemérito da Academia de Letras e Artes de Arapiraca tem uma história que resgata a trajetória dessa geração mais jovem de arapiraquenses: ‘A melhoria do ensino  em Arapiraca é bastante notável, principalmente se compararmos com o nível cultural de 21 anos atrás’. Naquela época, poucos eram os estudantes que conseguiam uma vaga nas faculdades públicas. Hoje, muitos são os estudantes que saem da rede pública e conseguem entrar, por exemplo na UFAL. Exemplifiquei os meus filhos: Cárlisson se formou em Ciência da Computação; Cleberson e Evelyn fazem medicina, todos na UFAL e sem ter havido a necessidade de se deslocarem de Arapiraca para se preparar em Maceió”.  Hoje complemento, a mais nova, Ellen, também é universitária da UFAL, em Psicologia. Baseado nesse relato, o jornalista escreveu: “A Insustentável Leveza da Crítica”, publicada em 26 de março de 2011, com a legenda “Há no contexto coerência entre o que se diz de positivo e o que se  vê”.  Dessa vez, não houve mais nenhum comentário.  Isso nos convenceu de que as explicações oferecidas convenceram os leitores.

Quero reafirmar que é estritamente necessária a parceria Escola e Pais. Caminhando juntos, certamente formaremos cidadãos para a vida.

Fonte: Revista “O Mensageiro”, junho de 2015.

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INOVAÇÃO – ATITUDE NECESSÁRIA
Por Cicero Galdino (Licenciado em Biologia e membro da ACALA)

As circunstância da vida refletidas pelo desejo que temos  em busca da melhoria de resultados  em nossas ações, nos levam a tomar atitudes de reflexão, versatilidade e mudanças. É preciso  determinação, coragem e objetividade para procedermos o enfrentamento dessas mudanças necessárias, que, certamente irão contribuir  com  nosso engrandecimento pessoal e coletivo.

Vivenciando o dia a dia, aprendemos muito.  É como alguém já disse: “Numa sociedade organizada, os bons servem de modelo e os maus de exemplo”.  Na trajetória de cada um, fica na sua história um aprendizado que poderá servir de modelo ou exemplo.  Como modelo devemos nos espelhar nas atitudes que tiveram sucesso. Quanto as demais, não devem ser desprezadas. Elas servirão para corrigir  nosso  aprendizado, sobretudo quando focamos  atenções em nossos e  nos erros  dos outros. Nesse caso, refiro-me apenas as ações. É acompanhando atentamente o passar do tempo, nas diversas etapas da vida que descobrimos como somos, como vivemos e como agimos, para podermos prever até onde se pode chegar. É bom que de vez em quando paremos um pouco  para  uma introspecção.  Assim agindo, tomamos consciência da situação referente aos  erros e acertos que praticamos.

Certa vez, tive a oportunidade de presenciar uma orientação de um pai num diálogo com seus filhos adolescentes, quando repassava valores, dizia: “Meus filhos! Aprendam a fazer só o que é certo. Se um dia tiverem que tomar uma decisão mais difícil, tentem sempre fazer o certo pra não dar errado. Quando se faz certo, não pode dar errado”. Que sábia orientação! Fiquei surpreso em ver aquele cidadão abastado, sem graduação escolar, educar sua família dessa forma. Embora, sabe-se que a educação familiar com repasse de valores aos filhos independe da graduação.

Num outro momento, o gestor de uma família chamou seu filho mais velho, já adulto e disse: “Rapaz venha cá. Quero lhe dar um conselho. “Você soube o que aconteceu com seu colega, né? Pois bem. Aprenda ajustar sua vida não repetindo decisões  que não deram certo”. Com isso ele quis dizer que seu filho deve estar atento, observando as lições que a escola da vida  nos oportuniza e tentar não agir arriscando ações que não deram certo, como  atitudes erradas de pessoas que fizeram tentativas de acertar, mas infelizmente não tiveram êxito. Assim  agindo, aprendemos também com os erros dos outros. Portanto, esse episódio deixou algo que se pode tê-lo como lição e poderá servir como alerta para  futuras decisões que alguém precise tomar. É bom que também se aprenda observando os outros, pois teremos menos chance de errar. A escola da vida contribui também com o aprendizado. Se  formos observadores e reflexivos teremos erro em menor proporção. Afinal, ninguém é perfeito.

A frase que se tornou popular: “Errar é humano e perdoar é Divino” leva-nos a um melhor aprofundamento dos fatos. Realmente, quem nunca cometeu erro durante sua vida? Isso me faz lembrar a passagem bíblica  da história do nosso Salvador Jesus Cristo, quando se deparava diante de uma multidão que estava preste a apedrejar uma prostituta  e disse a multidão: “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”. Com isso, a multidão parou, e aos poucos foram largando as pedras e aquela pecadora livrou-se desse castigo, que ocasionaria certamente sua morte. Ela dirigiu-se a Jesus e indagou: “E vos Senhor, não me condenas?” “Não, se eles não te condenaram, eu também não te condeno. Voltas e não tornes mais a pecar”.

Como faz bem a nós quando sentirmos a sensação de ter feito somente o bem ao próximo. Ter a consciência tranquila de que não temos a intenção de fazer o mal a ninguém e mesmo quando  ofendemos  de forma intencional a  alguém, devemos buscar arrependimento, corrigindo, imediatamente nossa falha, essa atitude nos traz também momentos de alívio e satisfação. Afinal, o perdão revigora o coração. Deixa-nos quase flutuando, pela leveza que sentimos em nossa consciência pelo fato da prática do  perdão. A sensação fica mais profunda quando alguém nos faz um mal e  procuramos  perdoar e fazer com que a pessoa que nos agrediu receba em  troca uma ação benevolente partida por nós próprios. Não há nada mais gratificante, que o sentimento que temos ao  perdoar e fazer uma ação que beneficie o agressor, um ato de bondade, pagando o mal com o bem. Isso, me faz lembrar os ensinamentos bíblicos de Jesus: “Quando seu irmão te bater num lado da face, dê o outro lado da face para ele bater” e “Perdoai e serás perdoados”. Por outro lado, vemos na oração do Pai Nosso:  “Perdoai os nossos pecados assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Fonte: Revista “O Mensageiro”, julho de 2015.

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PATERNIDADE E SEUS ATRIBUTOS / Por Cicero Galdino (Licenciado em Biologia e membro da ACALA)

O compromisso que cai nos ombros do gestor familiar é grande, difícil, mas prazeroso, sobretudo quando o indivíduo assume as atribuições específicas da paternidade com dedicação, amor e responsabilidade.

O cotidiano familiar, exige a presença e a participação paterna para se obter resultados satisfatórios de forma natural, na condução educativa dos filhos. Desse modo, esses descendentes seguem as pegadas de seu heroico orientador, único e grandioso. É assim que os filhos veem seu pai, com esses e outros adjetivos, de forma apaixonante, espelhando-se nas ações que ele pratica. Portanto, é preciso que fiquemos sempre atentos diante de nossas atitudes, lembrando que educa-se pelo modelo de vida que vivenciamos. Não é certo cobrar dos filhos procedimentos adversos aos que costumamos adotar. Isso confunde e descredibiliza a autoridade paternal. Por isso, devemos caprichar em nossas iniciativas e tomadas de decisões.

Quando numa família deixava de existir a presença do genitor, motivada pela morte, a mãe passava a assumir também atribuições paternas. Era uma situação difícil e complicada a que ela passava a enfrentar, principalmente quando os filhos ainda estavam pequenos, mas sem perder o foco e o domínio de suas próprias obrigações, tocava a vida procurando se acostumar com a nova situaçao. Essa, considero uma verdadeira heroína, principalmente a que soube educar de forma correta seus filhos, repassando valores, direcionando-os para o caminho do bem e aperfeiçoando sua religiosidade.

Cito uma situação que aconteceu na minha família e duas na de minha esposa Erluce. Com Rosa Ferreira da Conceição, a Dindinha, minha saudosa avó paterna, falecida aos 58 anos de idade, houve uma reviravolta em sua vida com a morte de seu querido marido aos 35 anos, deixando-lhe viúva aos 28. Sem profissão, criou e instruiu seus 6 filhos enfrentando enorme sacrifício. Dona Enilda Borges Tenório de Lima, a baronesa (título que carinhosamente atribui), tem 94 anos, ficou viúva aos 35.. Educou muito bem seus 5 filhos, conseguindo formar todos, inclusive um médico. Já dona Ederilda Borges Lira, conhecida por dona Dedé que completou 90 anos de idade recentemente, criou seus 9 filhos de forma adequada. Todas ficaram sem marido muito jovens, mas nunca se casaram de novo. Dedicaram toda sua vida cuidando dos queridos filhos. Órfãos, foram educados de forma surpreendente. Prosperaram na vida e constituíram lindas famílias, repassando valores que receberam de sua mãe, sendo hoje pais exemplares.

Só a força Divina pode promover a superação na família, quando ocorre a perda do gestor e fazer com que a genitora administre com equilíbrio, mesmo enfrentando severas situações de dificuldade, muitas vezes até financeiras. Parabéns a essas grandes heroínas, mulheres guerreiras que administraram sua família agregando e desempenhando as funções paternas de maneira eficaz.

Para que a criança tenha um referencial masculino em sua etapa de formação emocional, muitas vezes a presença e a atuação de um tio ou de um avô, pode, até certo ponto, compensar essa ausência. Isso é de suma importância, mas hoje, com a modernidade e a desestruturação familiar em muitos lares, a mãe com determinação e bons exemplos consegue suprir essa carência comum na infância. E assim, surgem admiráveis mães-pais. Do mesmo modo, alguns pais, carregam sozinhos a responsabilidade de cuidar de seus filhos. A ausência de cada figura, seja ela materna ou paterna, será sempre grande, porém, com equilíbrio, carinho, sabedoria e determinação, poderá sempre ser diminuída.

Meu querido e inesquecível pai, o saudoso senhor José Galdino dos Santos, desempenhou de forma perfeita sua função paterna. Por hábito familiar, por ocasião de seus aniversários quando chegava minha vez de usar da palavra fazia questão de dizer que ele tinha um coração de mãe, pela forma amável e generosa dele tratar seus filhos, aconselhando-os. Costumava nos ensinar a pescar, evitando nos dar o peixe, pois em sua sábia filosofia de vida, cada um tinha que enfrentar seus desafios. Amava minha mãe, seus filhos e netos como ninguém. Lembro que todos os meus irmãos e netos sentaram em seu colo nas horas de refeição, quando pequenos. Pacientemente, amassava a refeição com a colher e servia primeiro aquele pequenino. Após saciado, iniciava sua refeição.

Comigo não foi diferente. Cada filho me dava uma emoção indescritível. Acompanhei de modo participativo todas as fases da vida de cada um. Pai de quatro filhos: Cárlisson, Cleberson, Evelyn e Ellen, tenho procurado sempre continuar presente em suas vidas. Dois já casados e o primogênito já me deu dois netos: Ian e Wendy. Novamente sinto-me revivendo emoções da infância de meus filhos. Com eles vivi momentos inesquecíveis.

Numa das festas da Paróquia de Santo Antônio, no bairro de Cacimbas resolvi levar minhas duas filhas para passear, numa tardinha. Em um dos parques de diversão, elas se engraçaram de um brinquedo que tinha forma de xícara. Me pediram para passear e fomos. Sentado no meio, ladeado pelas duas, passei o maior sufoco. Elas eram pequenas e tinha que segurá-las e me sustentar nas correntes para não cairmos. A xícara rodava feito um pião. Ao término, fiquei uma semana com meus braços doloridos de tanto esforço que fiz, mas valeu a pena pela satisfação delas. O que um pai não faz por seus amados filhos?

Amo minha família. Ela constitui meu maior tesouro. Meus filhos são dádivas de Deus que vieram de minha alma gêmea. Portanto, não vejo nada mais precioso que um bom relacionamento, mas é preciso que antes de tudo, estejamos de bem conosco. Lembro-me de uma frase popular: “Ao lado de um grande homem sempre existe uma grande mulher”. Ela tem me auxiliado muito na construção da paternidade junto aos meus filhos. É com essa união participativa que procuramos vencer na caminhada do bem e na paz. Ser pai, acredito, é uma das maiores realizações da vida!

Fonte: Revista “O Mensageiro”, agosto de 2015.

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EDUCAÇÃO AMBIENTAL – COMPROMISSO DE TODOS
Por Cicero Galdino (Licenciado em Biologia e membro da ACALA)

Nos últimos tempos, com os grandes avanços tecnológicos, as indústrias ampliaram as modalidades de embalagens e seus produtos utilizados na fabricação delas. São vários os tipos de materiais utilizados, e as diversificações de modalidades quanto ao tamanho e formato são enormes. Portanto, é preciso que se invista mais na educação ambiental, de modo que esse investimento seja intensificado desde a fase inicial do ensino fundamental. Nossas crianças precisam entender a necessidade de proteger o meio ambiente desde cedo, evitando possíveis poluições ambientais. Assim agindo, garantiremos um futuro melhor.

Sabemos que subprodutos oriundos do plástico, do petróleo e de metais, por exemplo, podem permanecer no solo décadas ou até mesmo séculos para serem diluídos de forma natural. Por isso, a preocupação com esses descartáveis é fundamental. Entre todos os poluentes, o lixo químico, seja sólido, líquido ou gasoso, e o hospitalar me parecem ser os mais perigosos, pela contaminação do solo e subsolo, ou do ar atmosférico atingindo, de forma implacável o filtro solar do globo terrestre. Esse, que é formado pela camada de ozônio, fica na estratosfera entre 15 e 35 km de altitude e que tem espessura de cerca de 10 km. O lixo que se descarta no meio ambiente de forma irresponsável, além de entupir as galerias de coleta de águas pluviais e contaminar o solo e sub-solo, contribui de forma implacável com a proliferação de insetos, colocando em risco a saúde de todos.

Cidades mais desenvolvidas, onde a cultura de seus habitantes é refinada, pouco sofrem com problemas causados por manipulação de seus resíduos poluentes. Desde cedo, educam seu povo a lidar com essa situação. Ao visitarmos essas regiões, é perceptível o zelo da população com relação ao visual das praças e demais vias públicas. É surpreendente ver os próprios habitantes zelarem pela manutenção da limpeza.

Há quase quatro décadas, uma comitiva da extinta CAJUARA (Câmara Júnior de Arapiraca/AL), foi a Blumenau (SC) para participar da Convenção Nacional da entidade. Quando certo dia passeavam por uma das lindas praças que lá existem, uma elegante senhora muito bem vestida caminhava no mesmo sentido, na frente dos visitantes. Viram ela se abaixar, de sapatos altos para apanhar na calçada um simples pedacinho de papel e se dirigir até a lixeira mais próxima para depositá-lo. Era uma embalagem de confeito que alguém deixou cair. Naquela ocasião, todos ficaram surpresos com a atitude nobre daquela senhora. Que belo gesto! Esse procedimento fazia parte da cultura de seu povo.

Entre benefício ao meio ambiente, não poderíamos deixar de comentar sobre arborização. Plantar uma árvore é algo gratificante, quando se tem consciência dos benefícios que ela oferece a todos. Em 13 de fevereiro de de 2014, na Escola de Circo foi lançado o Projeto Arborizar Para Melhor Viver, cuja prioridade das ações idealizei ser implementado atitude educativa, como por exemplo, ao nascimento do filho, que o pai providencie o plantio de uma árvore. A medida que essa plantinha for crescendo, o filho também. Essa criança acompanhará o desenvolvimento dela e passará a, além de cuidar e amá-la, proteger a natureza. Que essa atitude deva também acontecer em datas marcantes na vida das pessoas, como aniversários, sejam da idade pessoal de cada um ou de alguns acontecimentos importantes que surjam na vida das pessoas, como casamento, formatura, entre outros. Quando se tratar de ações que beneficiem o ecossistema, acho que não devemos medir esforços para realizá-las.

Adotar uma árvore é algo mais consistente. Assim como os seres vivos do reino animal necessitam de cuidados específicos desde pequenos, os vegetais também. Por isso, tomei a iniciativa de trazer de volta aquela ideia que utilizamos em 1975, numa operação especial do Projeto Rondon que deu certo, cujo tema era “Pante e Adote uma Árvore”. Quando plantamos uma muda e encontramos alguém que se comprometa a cuidar dela, ficamos tranquilos, certos de que ela tem mais chance de se desenvolver melhor, de forma saudável.

É despertando nas pessoas o interesse de plantar e também adotar mudas de árvores, nativas ou frutíferas que damos nossa singela parcela de cooperação na melhoria do nosso habitat. Vamos pensar nesse compromisso?

Fonte: Revista “O Mensageiro”, setembro de 2015.

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PRÁTICA DO SABER – UM VALOR INESTIMÁVEL / Por Cicero Galdino (Licenciado em Biologia e membro da ACALA)

Na caminhada da vida, nos deparamos com várias situações em que precisamos ter, além de habilidade e discernimento, conhecimento de causa para solucionarmos os problemas de forma tranquila, onde possamos catalogar maior índice de acertos, mediante as ações com eficácia, determinação e objetividade. É com o conhecimento e a experiência que conseguiremos chegar a uma sábia decisão, agindo-se sempre com pleno equilíbrio.

A capacitação do ser humano tem sido o principal ponto de partida. Ela tem contribuído, de forma substancial com o desenvolvimento das atividades em geral da humanidade. Para que se alcance uma desenvoltura satisfatória, não seria possível sem contar com a participação do facilitador, mestre ou professor, como é o mais comum chamarmos.

Rendo-me a enaltecer a valorização dos educadores, esses incansáveis batalhadores que não medem esforços para transmitir conhecimentos a seus educandos. É através deles que se consegue atingir a realização profissional do corpo discente de qualquer educandário. Com seus ensinamentos, têm formados centenas de milhares de pessoas em todo o universo, profissionalizando-as nos diversos seguimentos profissionais. Aos que partiram para a outra dimensão, resta-nos orar por eles e agradecer-lhes pelo grandioso trabalhos que prestaram aos seus ex-alunos, como disse no soneto “Ao Mestre”, livro “Desafio”, homenageando-os.

Ao exercer o magistério, o professor ou a professora está assumindo uma das mais importantes e sublimes profissões. Abraçar essa função requer do atuante, acima de tudo dedicação, paciência e vocação para ter um bom desempenho no exercício desse trabalho. É uma função tão bela que só posso compará-la ao amor, dedicação e carinho de uma mãe para com seus queridos filhos. Merecem de fato o Céu para descanso da alma.

Em Arapiraca temos há mais de duas décadas o Clube do Professor. Foi uma difícil conquista dessa classe profissional. Graças a benevolência do generoso empresário Benedito Galvão Ribeiro que doou toda área do terreno e ajudou a construir a sede que nossos profissionais da educação tem seu clube social. É um ambiente aconchegante e agradável. Sua atual presidente é a professora Verônica Pereira de Melo Silva.

A metodologia que se utiliza atualmente nas salas de aulas, aliada aos modernos equipamentos eletrônicos interligados à internet, têm alcançado maior índice de aproveitamento no aprendizado de vários seguimentos da educação. Esse moderno trabalho realizado pelo professor em sua sala de aulas substitui o antigo plano de aula que, previamente, ele elaborava. Há professores que marcam nossas vidas, entram em nossas histórias para sempre. Muitas vezes tem participação até na formação do caráter, é quando além de professor é educador. Quantos se tornam confidentes e se transformam em porto seguro para aqueles seres em formação? A confiança é um grande aliado na educação. Se a gente confia, respeita, tudo fica mais fácil. Sem dúvida, o processo educacional se torna fluente.

Todos os professores guardam episódios que marcaram suas vidas. Lembro-me de um que apesar de ser um episódio de desonestidade por parte dos alunos, me marcou pela postura descontraída do professor. No último sábado de agosto de 72, recebi na residência de meus pais dois alunos do Colégio Quintela, meus colegas do 1º científico (intensivo) que traziam as provas de minha turma, as que o professor Geraldo Lima e Silva aplicara dia anterior, de surpresa sobre história universal e não tinha ainda corregido-as. Num descuido de funcionários da secretaria, eles haviam retirado de cima de um dos armários, onde alguns professores costumavam deixar. Todos ficaram com ótimas notas nesse mês. Na semana seguinte, o professor devolveu as provas, já corrigidas e surpreso com a evolução do suposto aprendizado. Tinha uma colega que a maior nota dela nessa matéria era 4 e tirou 9 naquela prova. O professor ao entregar a prova dela disse: “Você conseguiu essa nota!” Ela respondeu: “foi professor”. Ele então completou: “Pois você é uma brasa, embora apagada”. Foi um grande reboliço de gargalhadas na sala de aulas naquele momento em que todos estavam felizes.

Em 25.09.1973, quando professor do extinto Instituto São Luiz ganhei um presente que guardo-o até hoje bem conservado. Um disco de vinil, compacto, autografado pelo autor das letras do Hino Oficial de Arapiraca e Asa Gigante – Frevo canção, da gravadora Naluva, do Recife (PE). Após as aulas costumava visitar o Professor Pedro de França Reys. Naquele dia fui surpreendido por ele quando disse. Professor Cicero, tenho esse presente para você, esse compacto. Estava assim autografado: “Ao professor Cicero Galdino esta lembrança do autor. Prof. Pedro Reys”. Diante da emoção, agradeci. Foi um dos mais importantes presentes que ganhei até hoje. Este, um presente físico, junto a tantos outros presentes que os professores entregam diariamente, em forma de experiência e conhecimento.

Ser professor é vivenciar uma missão de doação diária. Sonho em ver um dia essa profissão ser mais valorizada e recompensada pelos poderes público e privado. Vamos dar o real valor que esses profissionais formadores do saber merecem, remunerando-os de forma justa e merecedora! Faça homenagens para seus mestres no seu dia. Ele merece! Salve o 15 de outubro, o dia do professor!

Fonte: Revista “O Mensageiro”, outubro de 2015.

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ALVORECER COM SABEDORIA
Por Cicero Galdino (Licenciado em Biologia e membro da ACALA)

Um dos sete dons do Divino Espírito Santo, se não o mais importante é a Sabedoria. Ela passa despercebida por alguns que realizam suas ações por intuição, sem parar para imaginar seus efeitos. Se procurássemos agir com prudência, analisando de forma reflexiva nossos planejamentos, certamente nossas ações obteriam melhores resultados quando postas em prática. Tudo de honesto e sem ambição que realizamos com amor, dedicação e de forma planejada tende a dar certo. É uma força superior que nos inspira e nos mantém firmes na fé, quando buscamos o sucesso em nosso trabalho a serviço do bem, agindo com equilíbrio e tomando sábias decisões.

Para que as coisas boas aconteçam é preciso que façamos a nossa parte, ou seja: andar na linha, sem medo do ser atropelado. Como é que se deve andar na linha? Primeiro, sendo honesto consigo e com o próximo, procurando praticar sempre o bem, para que um dia nos conscientizemos dessa importante atitude e saboreemos um pouco dos efeitos da valorização do quanto é bom ser bom. Depois, nunca prejudicar alguém, mesmo que receba ingratidões daqueles que não valorizaram benefícios recebidos ou quando suas boas atitudes não sejam reconhecidas. Assim agindo, seremos premiados com a proteção do Divino Pai Eterno em nossa vida.

Certa vez, um ambicioso e desatento cidadão, um tanto quanto desonesto se deparou, em uma de suas caminhadas, com um talentoso homem sábio. Daqueles que só faltava adivinhar os pensamentos dos outros. Às vezes até adivinhava alguns. Preocupado com seus negócios que, na sua ótica nunca andavam bem, perguntou-lhe: Amigo! O que devo fazer para ter sucesso na vida? O sábio homem, conhecendo um pouco de sua história respondeu-lhe: “Andar na linha”. Morando próximo de trilhos por onde via passar o trem de vez em quando, resolveu andar sobre eles, até que um dia o trem apareceu de repente. Aproximou-se dele no exato momento em ele andava sobre uma das linhas férreas, cabisbaixo, talvez por carregar em seus ombros sentimento de culpa que martelava sua consciência. Assustou-se mas teve tempo se livrar, após um tremendo apito. Era sua primeira caminhada matinal que fazia naquelas condições. Esse susto levou-lhe a pensar de que nada nessa vida acontece por acaso. Esse episódio o fez ficar alerta. Com sua vida desregrada, o conselho que recebeu não saia de sua consciência, aquele que o sábio lhe deu. Compreendeu assim o verdadeiro significado daquela frase . Procurou mudar suas atitudes, valorizando ações com honestidade. Assimilou que aqueles que andam na linha, dificilmente são atingidos pelo trem. Seus negócios melhoraram a cada dia. Passou a saborear um pouquinho dos atributos da sabedoria, praticando somente o que é certo, com honestidade e benevolência. Tornou-se um homem feliz com as mudanças de suas atitudes. Passou a valorizar a vida, sua família e sua ações. Assim, continua cuidando de seus negócios e repassando bons valores à sua família mediante suas ações.

São inúmeras as histórias que abordam a importância da sabedoria. Numa tradicional família ribeirinha do município de Traipu (AL), o gestor era o marido, cidadão trabalhador, honesto e cortês. Era um homem sério. Embora fosse ele de fino trato com as pessoas, quando se tratava de negócios, até mesmo os menores (como por exemplo, vender um boi), ele repassava para sua esposa essa tarefa para que ela avaliasse-o e desse o preço. Ele sabia fazer quase tudo, menos negócios. Quando insistia, tomava prejuízo. Por isso, era sua sábia esposa quem vendia seus produtos da produção agropecuários. Ela tinha o dom da sabedoria, o qual usava frequentemente e com habilidade .

Já em outro caso, um cidadão católico de classe média, casado na década de 1980 passou grande parte de sua vida conjugal sentindo dificuldade para tomar decisões instantâneas sozinho. Quando as fazia, raras eram as vezes que lograva êxito. No entanto, se estivesse ao lado de sua esposa e a consultasse, certamente o resultado da decisão seria satisfatório. Os tempos passaram. Ele procurava se dedicar a cada dia aos serviços voluntários. Trabalhava sempre em benefício dos mais carentes, procurando fazer somente o bem. Pouco se valia da intercessão dos Santos. Aprendeu a prática do perdão e fazia caridade sempre que podia, até que um certo dia precisa tomar várias decisões importantes, mas sua esposa não se encontrava perto. Sem opção, resolveu agir só e foi percebendo que suas resoluções, acontecendo de forma natural estavam surtindo efeitos positivos nunca vistos, pois os resultados passaram a ser amplamente satisfatórios. Desse dia por diante, entendeu que o Divino Espírito Santo presenteou-lhe com um de seus dons, o da sabedoria. Para ele foi uma graça alcançada. Não sei se por merecimento. Só sei que ainda hoje procura fazer o que pode para continuar sua missão, agindo com cautela e presteza, acertando constantemente em suas tomadas de decisões, com a força maior que tem: a fé. Nunca é tarde demais para recomeçar uma vida. Vamos agir com sabedoria, possibilitando o bem estar de todos e construindo a nossa felicidade.

Fonte: Revista “O Mensageiro”, novembro de 2015.

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HARMONIA FAMILIAR – MODELO DE VIDA
Por Cicero Galdino (Licenciado em Biologia e membro da ACALA)

O estilo de vida que se vive com amorosidade, na paz e bem, como o lema de São Francisco de Assis é a receita certa para harmonização familiar. Esse é o ponto de partida para uma vida feliz, sempre focando no ato do perdão e na ideia de que a nossa felicidade se completa com a dos demais membros da família.

Há muito, admiro a convivência de algumas famílias que conheço, pelo seu estilo de vida simples, amável e harmonioso. Em uma delas, o que mais me chamou a atenção foi a forma de união que ainda hoje existe entre eles, mesmo depois da morte do patriarca. Deixam transparecer que o pensamento de um comunga com o de todos. Mesmo quando há ideias divergentes, em ocasiões que precisam tomar iniciativas sobre qualquer assunto ligado à família, muitas vezes a hierarquia não precisa predominar, pois a concordância nas sugestões sobre atitudes que se precise tomar no dia a dia facilmente é absorvida por todos, chegando-se rapidamente a um consenso, onde a ideia central facilmente é acatada e colocada em prática.

Os valores de família, herança de nossos pais, têm contribuído de forma implacável na convivência familiar e externa. Costumo dizer que nada acontece por acaso. Nas famílias harmoniosas, naquelas que predominam a organização, o amor e a compreensão, certamente vivenciam a plenitude da união, passando a agir sempre de forma correta. Essa modalidade que elas apresentam é fruto de uma boa orientação de seus genitores. Mas não podemos dispor deles por toda vida. Por isso, é oportuno lembrar para quem ainda tem seus pais vivos que aproveitemos cada momento, cada conselho e cada orientação que derem. Tenham paciência com eles. Sejam convenientes. Não se importem em ouvir conversas repetidas. Eles esquecem facilmente o assunto que conversaram no último encontro. Conversem assuntos animadores.

Quando criança, ainda na primeira infância, passei a dormir na casa de minha saudosa avó paterna Rosa Ferreira até o final de minha adolescência.  “Dindinha” morava em companhia de minha tia Alice, filha caçula, já falecida, próximo de minha residência. Elas me contavam várias historinhas. Seus cuidados carinhosos despertaram-me o interesse em ouvir os mais velhos. Eles sempre tem algo de sua história a contar, que contribui com nosso aprendizado. Aos 18 anos, professor do Instituto são Luiz tornei-me sócio fundador da Casa dos Velhinhos, onde estou na diretoria dessa instituição há cerca de dez anos, intensificando meu convívio com pessoas de maior idade. Essa experiência ajudou-me a compreender melhor as limitações dos idosos. Foi para mim grande aprendizado. Isso fez com que entendesse a necessidade de ouvir mais o idoso, fazendo com que fosse um dos filhos que mais conversava com nosso querido pai. Nos últimos contatos, escutava a mesma conversa por diversas vezes, sem demonstrar já ter ouvido. Aliás, escutá-lo era uma prática de todos os filhos. Entre as inúmeras conversas e conselhos que escutei, uma me chamou a atenção. Costumava dizer que para viver bem era preciso: “Comer na hora certa, dormir na hora certa e não teimar com ninguém”. Ao que respondia que era muito difícil essa prática no mundo atual. O corre-corre não nos permitia ter essa organização. Ele esboçava um sereno sorriso, pois agia da forma que orientava.

Uma outra história que meu pai gostava de contar era a seguinte: “Certo dia, um viajante esbarrou num casarão e se dirigiu a um idoso que se encontrava numa rede, resmungando, e falou: ‘Bom dia! O que aconteceu com o senhor?’ O homem respondeu: ‘Fui repreendido pelo meu pai.’ ‘O senhor ainda tem pai?’ ‘Sim.’ ‘Quero conhecê-lo’, disse o viajante. No encontro, o forasteiro indagou: ‘Como conseguiu chegar a essa idade, meu velhinho?’ ‘Meu filho, nunca fiz nada além do que posso e não teimo com ninguém’, respondeu. O viajante, perplexo, quis testá-lo: ‘O senhor sabia que esse rio que passa ao lado de sua casa corria no passado, em sentido contrário?’ O velhinho percebendo o deboche do viajante, respondeu sabiamente: ‘É verdade meu filho, as coisas mudam…’” Assim, ainda que sabendo a inverdade falada, não teimou. Ás vezes é necessário expressar a discordância, porém, quantos desentendimentos poderiam ser evitados se tivéssemos essa prudência?

Convivo também com minha sogra, Dona Enilda Borges, que aos 94 anos é uma grande contadora de história, que agrada todas as gerações. O repeito ao idoso nunca deve faltar. Eles sempre têm algo importante a nos oferecer. Sua farta experiência chega as vezes a nos surpreender e até nos encantar.

Todo alicerce de uma velhice segura e feliz depende da harmonia do lar e do carinho com que seus entes queridos vão envelhecendo. A vida é como um edifício que vai sendo edificado aos poucos, no percurso do dia a dia. A harmonia familiar é o grande alicerce dessa construção. Que cada família seja um modelo de vida harmonioso e com certeza Deus estará abençoando-a diariamente.

Fonte: Revista “O Mensageiro”, dezembro de 2015.

[ Editado por Pedro Jorge / E-mail: pjorge-65@hotmail.com ]

2 Respostas para “Artigos por Cícero Galdino – 2015

  1. O Blog Arapiraca Legal tem contribuído bastante com a divulgação de nossa cultura. É uma boa fonte de pesquisa. Parabéns aos idealizadores: Gilvan e Pedro Jorge.

    • Nós, Pedro Jorge e Gilvan Juvino – administradores do blog cultural “Arapiraca Legal”, agradecemos as palavras elogiosas e de incentivo do empresário e membro da ACALA, Cícero Galdino.

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