Ernande Moreira

Valdir Oliveira, Ernande Moreira e Roberto Gonçalves

“Os amigos que conheço, são como um terço e se multiplicam a cada dia, a cada rua, a cada verso, a cada estória. Neste momento a minha memória transforma-me criança, adolescente, jovem, adulto… Ignora a minha idade e proporciona-me o dom de um ser atemporal!” – (Ernande Moreira Bezerra)

SOBRE ERNANDE MOREIRA BEZERRA
Por Valdir Oliveira

Ernande Moreira Bezerra tem jeito e alma de matuto. Também pudera. Foi no topo da Serra do Candará, no município de Palmeira dos Índios (AL), que Dona Afra Moreira Bezerra deu o menino à luz. Era o dia 22 de setembro de 1941 quando nasceu chorando o menino que, mais tarde nos faria sorrir.

O filho de Seu José Raimundo Bezerra morou naquelas bandas até o ano de 1946. Depois veio para Arapiraca (AL), onde levou muito fumo de uma roça para a outra. Mais tarde tornou-se bancário, dedicando-se a esse ofício durante 33 anos, até aposentar-se.

Ernande leva a vida como uma piada e parece que a vida também o leva assim. E, quem acaba ganhando é quem o conhece, seja pessoalmente ou através das estórias que agora ganham páginas de livro.

[ Fonte: Livro “Candará – Estórias Que Ouvi Contar”, 1997 ]

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Ernande Moreira

ERNANDE MOREIRA – ANEDOTAS DE GRAÇA
Por Valdir Oliveira

O Nordeste está repleto de contadores de histórias e também de (re) contadores, aqueles que dão novos significados a causos ou anedotas a partir de suas visões pessoais. Impossível se contar uma piada duas vezes da mesma maneira. Cada pessoa também encontra seu jeito próprio de contar uma anedota. Alguns dão show de interpretação, outros nem tanto e, mesmo assim, a plateia ri para não deixar o contador em “maus lençóis”. Quem arranca risos normalmente conta de novo e não mais para o mesmo público. Replica a piada para os mais próximos ou mesmo para um indivíduo que encontra no caminho.

Na solidão, na depressão, no desengano ou na hora da raiva uma boa piada, contada por um bom contador, é capaz de curar qualquer chaga sentimental. E quem nunca se deliciou com uma boa piada, pudica ou picante? Quem nunca escutou aquela piada contada baixinho (para quem está do lado não ouvir), ou aquela escancarada que atesta ao contador a fama de figura engraçada?

O bom da piada mesmo é quando ela é contada sem amarras, de forma despojada e transgressora, passando por cima de todo o nosso lastro conservador. Seja do Juquinha ou do “Seu Zé” da esquina, a boa piada é aquela que consegue arrancar a gargalhada e, melhor ainda, quando toca fundo em um problema social e, logo depois nos deixa pensativos, tirando lições para a vida.

Toda essa introdução foi para chegar a um personagem que muitas vezes me fez rir nas ruas de Arapiraca. Seu nome: Ernande Moreira Bezerra, natural de Palmeira dos Índios. Já morando em Recife e depois em Olinda, sempre o visitava nas minhas idas a Alagoas nas décadas de 1980 e 90. Como plateia que busca o riso do palhaço no picadeiro, eu ia me deliciar nas anedotas do Ernande, nas dele e nas que ele arrancava dos lugares por onde andava.

Até que um dia me procurou para reunir as anedotas em um livro que ganhou o nome da serra onde nasceu em Palmeira dos Índios “Candará – Estória Que Ouvi Contar”. Trinta e quatro piadas, 34 capítulos, 34 gargalhadas. Ele me passou cada uma, dei uma arrumada assinando a redação final. E o que tinha de picaresco, de safado e de erótico ficou porque se não fosse assim não poderia ter a assinatura do Ernande. Safado no bom sentido e com um componente psicossocial de grande relevância. Um livro com a coragem de um cabra macho do interior das Alagoas, lançado sem pudor em 1997. Transcrevo, a seguir, a anedota “Mudinha”, da página 11 do livro Candará:

Dois Riachos. Numa de suas ruas, a mudinha Salete sai à frente da casa, abre o vestido e mostra os seios para Joãozinho que, no momento, joga pelada com outros colegas. O menino não vacila e baixa logo seu calção mostrando-se para a mulher.
– Escândalo, pecado da pior marca – conclui o padre recém-chegado ao município. Fica tão desnorteado com tamanha indecência que suspende a barra da batina e volta em disparada para a casa paroquial.
– Ai, minha filha, estou horrorizado com o que acabei de ver nesta cidade. Uma mulher exibiu seus seios para uma criança de aproximadamente 13 anos e o menino, também impuro, mostrou os documentos para ela. É o fim do mundo.
– Ah, padre, não se preocupe. É minha irmã Salete, a mudinha. Ela deve ter mandado o filho ir buscar leite e ele, tarado por bola, deve ter respondido: “morro no pau mas não vou, só quando terminar o jogo”.
– Ah, entendi!

Mas o Ernande, que faleceu em 2005, foi muito mais do que um contador de piadas, ele era extremamente humano. Era um defensor inconteste da cultura arapiraquense. Vibrava com as pessoas que produziam arte e artesanato, fosse cordelista, ceramista, artista da madeira, da música ou do livro. Acolhia a todos com um sorriso e com uma piada. Talvez por isso não esquecemos dele como uma pessoa do riso. Não usou a maquiagem nem a fantasia de palhaço, mas era como um desses artistas e por isso terá sempre o nosso respeito e admiração. Viva a alegria do Ernande!

[ Fonte (link): http://www.valdiroliveirasantos.blogspot.com.br/#!http://valdiroliveirasantos.blogspot.com/2013/08/anedotas-de-graca.html ]

* O arapiraquense Valdir Oliveira é jornalista, escritor, professor universitário, ator teatral, cineasta, radialista e apresentador de TV.

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Livro “Candará – Estórias Que Ouvi Contar”

Livro “Candará – Estórias Que Ouvi Contar” [ Prefácio ]
Por Valdir Olivera

Livro: “Candará – Estórias Que Ouvi Contar”
Impressão: Gráfica e Editora Pontual Ltda
Local e Ano de Produção: Arapiraca (AL) – 1997.

O Contador de Estórias, propicia aos amantes da Literatura, a oportunidade de uma leitura bem humorada de “causos” recriados na visão de Ernande Moreira Bezerra. O autor foi buscar nos recantos mais diversos, a inspiração para suas estórias, passando por lugares bastante conhecidos dos alagoanos. Girau do ponciano, Lagoa da Canoa, Jaramataia, Palmeira dos Índios, Batalha, Jacaré dos Homens, Santana do Ipanema, Penedo, Craíbas, Limoeiro, Maceió e Arapiraca (AL), são alguns do cenários dessas estórias quase histórias. Matuto, como seus personagens,m Ernande não carece de intelectualismo para chegar a um texto exuberantemente palatável. Duvidamos que ele não seja capaz de agradar a doutores de enxada ou de anel.

Está bastante claro que Ernande não tem a pretensão de tornar–se mais um dos imortais a ABL (Academia Brasileira de Letras). Ernande é simples, é humilde e por essa qualidades é que tem uma de fazer inveja a muitos doutores: o dom de fazer as pessoas sorrirem. Assim são suas histórias – suas pela capacidade de inventá-las ou reinventá-las, dando-lhes a medida exata da graça e da irreverência. Quem o conhece sabe que é o jeito dele mesmo, ser engraçados, cômico, humorístico. Reúne todos os adjetivos dos quais os palhaços precisam. E, neste livro Ernande consegue fazer das páginas o seu picadeiro. Consegue, da mesma forma, transformar-nos numa plateia de semblante saudável, de olhos brilhantes e atentos, como os das crianças que encontram nos mensageiros da alegria, o complemento da felicidade.

[ Fonte: Livro “Candará – Estórias Que Ouvi Contar” ]

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CAUSOS POR ERNANDE MOREIRA [ Livro “Candará – Estórias Que Ouvi Contar” ]

( Aguarde postagem )

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AS RAÍZES E OS VOOS DA NOVO NORDESTE – 1.° ANIVERSÁRIO NN AM
Por Ernande Moreira Bezerra*

A verdadeira independência de um povo se verifica quando acontece a plena conscientização do seu próprio poder e, igualmente, das suas potencialidades. E, esse ato de autoconhecimento só de estabelece pelo desenvolvimento dos meios de comunicação.

É vital que a expansão se vincule a todos os setores de informação e formação. Arapiraca (AL) começou a integrar esse Novo Nordeste há década e meia, quando aqui foram implantados os serviços de telefonia, cujo papel tem sido dos mais relevantes, com resultados altamente benéficos que se traduzem não apenas na aproximação deste Agreste aos grandes centros, mas sobretudo, pela popularização do uso desse extraordinário invento de Graham-Bell, aproximando-se de nós mesmos, dando enfim um sentido ideal de comunidade.

A chegada feliz de uma moderna emissora de rádio entre nós, sintetizando a plenificação do crescimento de Arapiraca, representou com justiça o maior instrumento para a efetiva conquista do desenvolvimento integrado da região.

Consolidada como imprensa, a Rádio Novo Nordeste AM, em apenas um ano, consolidou igualmente a imagem de uma nova Arapiraca, dinâmica, jovial e inteligente; centro promissor tanto na agricultura como no setor educacional, hoje ilustrado pelo sorriso confiante de uma juventude que se instrui em nível universitário no seu próprio chão.

È uma nova era para a qual foi substancial e decisiva a presença da Rádio NN AM que, empresarialmente, terá muito ainda a oferecer, pois o seu avanço no período meramente de implantação e solidificação superou as próprias expectativas dos seus criadores. De avezinha que partia, a um ano, em busca de voos experimentais, a NN AM ganhou o infinito com segurança, consciente dos rumos, sempre para o alto e com as raízes cada vez mais fortes no chão abençoado da “Terra de Manoel André”.

Á frente de um grupo de abnegados, liderando uma empresa difícil, o nome de Judá Fernandes, esse médico querido de toda Alagoas e líder estimado em todo o Agreste, passou a integrar, com justiça, o reduzido rol dos grandes benfeitores de Arapiraca, inserindo-se, sem a menor contestação, na privilegiada galeria dos construtores de Alagoas.

Aqueles que verdadeiramente amam a sua terra haverão de reconhecer a importância desse trabalho e a dimensão da Rádio NN como instrumento de progresso.

* Ernande Moreira Bezerra é arapiraquense, bancário e membro a AAI (Associação Alagoana de Imprensa). Este texto foi escrito no dia 20 de agosto de 1977, por ocasião do primeiro aniversário da Rádio Novo Nordeste AM e, publicado nos jornais de Maceió (AL). Agora transcrito, com a nossa gratidão, como uma homenagem póstuma, ao grande e saudoso amigo, Ernande Moreira Bezerra; falecido em 27 de maio de 2005.

[ Fonte: Livro “A Saga da Rádio Novo Nordeste, a Pioneira”, Editora Q Gráfica – 2013 ]

[ Editado por Pedro Jorge / E-mail: pjorge-65@hotmail.com ]

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