Estudante José de Oliveira Leite


Estudante José de Oliveira Leite, ex-funcionário do Banco da lavoura, presidente da UESA, instrutor da Banda Marcial do Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, locutor do primeiro pastoril do Colégio Bom Conselho e líder estudantil que comandou a campanha para que o Dr. José Moacir Teófilo assumisse a direção do Colégio Bom Conselho em novembro de 1954.

Como nos contos de fadas, era uma vez um menino pobre, alvo, esquio e de cabeça grande, esperto e comunicativo, filho de um humilde pedreiro que, desprovia de meios, colocou-o juntamente com a irmã no Grupo Escolar Adriano Jorge, para que fizesse o curso primário. Seu nome José de Oliveira Leite, mas conhecido na intimidade por Zezito.

José de Oliveira Leite era um menino alegre, extrovertido e, além de estudar, jogar bola de meia, bola de gude, caçava passarinho, tomava banho no açude da velha Lourença, Perucaba, brincava de garrafão, cinturão queimado, boca de forno, bandeirinha, barra; enfim, era uma criança descontraída e feliz no meio da meninada da Av. Rio Branco e adjacências. Zezito, com era conhecido, tinha o “hobby” que lhe fascinava: era çouco por cinema. Os filmes de Humphrey Bogard, Alan Lad, Tyrone Power; os Cowboys Randolf Scoltt, Tom Mix, Bill Elliott; os seriados: A Caveira, Os Tambores de Famanchu  do Cine Leão, o fascinava de maneira irresistível. Mas, como manter este hábito que só os privilegiados tinha condições de fazê-lo? Tinha que encontrar uma solução.

Inteligente como era Zezito, encontrou uma única saída; tornou-se amigo de Manoel Preto, o empregado do cinema  de seu Manoel Leão. Quando terminava as aulas do Adriano Jorge, corria para o Cine Leão, afim de ajudar a pintar os cartazes do dia e colocá-los na rua. Foi a maneira que encontrou para assistir os filmes de sua predileção, sem pagar ingresso. Quando terminou o curso primário, em situação precária, seu pai o colocou em uma alfaiataria para aprender a profissão.

Em 1950, foi fundado o Ginásio Nossa Senhora do Bom Conselho e Zezito teve que ficar de fora, por falta de condições financeira. Todavia, no ano seguinte, chega o Banco da Lavoura e o gerente Ciro Acyoli lhe dá uma oportunidade, colocando-o como contínuo. A partir daí, a coisa começou a mudar de figura. O rapazola foi evoluindo rapidamente na agência bancária e, em pouco tempo, passou a funcionário. Em 1952, ingressa no Ginásio Nossa Senhora do Bom Conselho. A essa altura, sua estrela começou a brilhar e sua condição social melhorou sensivelmente: namorava frequentemente, frequentava bailes, festas de aniversário, onde sempre se destacava pelo seu espírito cavalheiresco.

No Ginásio, dada a sua popularidade, sua ascensão  foi imediata. Em 1954, foi eleito foi eleito  presidente do Grêmio Literário Rui Barbosa; assumiu o comando da Banda Marcial, da qual era corneteiro, e organizou a equipe de futebol, onde atuava como zagueiro central e capitão do time no I Campeonato Amador pela a Liga Desportista de Futebol Amador, tendo como presidente Wilson Lins.

Em novembro de 1954, o estudante José de Oliveira Leite, demonstrando o seu extraordinário espírito de liderança comandou uma campanha sistemática contra o Diretor do Ginásio N. S. do Bom Conselho, Dr. Geraldo Magalhães; liderou a greve que durou uma semana e consegui afastá-lo do cargo, através do Cônego Teófanes  A. Barros que nomeou como interventor e, em seguida diretor Dr. José Moacir Teófilo.

Em 1955, já cursando o 4º ano de Ginásio, foi eleito presidente da UESA, secção Arapiraca, onde realizou um excelente trabalho, defendendo os interesses da classe estudantil secundarista. Afora essas atividades já citadas, José de Oliveira Leite ainda cantava no Grêmio Cultural Rui Barbosa, fazia serenatas e funcionou como locutor, animando o pastoril do Ginásio, em dezembro de 1954.

De 26 a 30 de julho de 1955, a União dos Estudantes Secundário de Alagoas – UESA, realizou o VI Congresso de Estudantes Secundários de Alagoas e a UESA, secção Arapiraca, foi convidada a participar do conclave que reuniu centenas de secundaristas de todo o Estado de Alagoas.

A representação de Arapiraca ficou hospedada na enfermaria da Polícia Militar, enquanto outras bancadas ficaram alojadas no Quartel do 20º BC.

A bancada de Arapiraca desempenhou um papel importante e o líder José de Oliveira Leite teve uma destacada atuação e, no final do Congresso, foi eleito o 2º Secretário da Chapa de Mário Peixoto, numa campanha das mais disputadas.

Encerrado o Congresso, na noite do dia 30, ás 23 hs, os congressistas foram comemorar a vitória, participando de um animado baile em Rio Largo/AL, só voltando á Maceió ás 5 hs da manhã de domingo.

Eram 11;45 hs, aproximadamente, a bancada de Arapiraca no Congresso: Sylvio Rodrigues, Marcos Queiroz, José Felix, Orlênio Leite e este cronista, banhávamos alegremente na paria da Av. Duque de Caxias, em frente ao Clube Fênix, quando, sem que ninguém percebesse, o estudante José de Oliveira Leite foi tragado pelas ondas do Atlântico, deixando todos desesperados. No outro dia, ás 8:30 hs, seu corpo foi avistado por seu próprio pai, Enoque Leite. Assim terminou o maior Líder estudantil que Arapiraca conheceu.

Infelizmente, a voragem do tempo tudo apaga e até seus próprios colegas o esqueceram. Hoje resta apenas a Rua Estudante e uma estrofe de sua autoria, que mais parece um vaticínio:
“EU VI UMA FLOR CAÍDA
NUM RIACHO QUE CORRIA
AS ÁGUAS LEVAVAM ELA
PARA ONDE NINGUÉM SABIA.”
Fonte:
Livro: Arapiraca Através do Tempo (1999)
Autor: Zezito Guedes.

Edição:
Gilvan J.S.

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