A Educação Em Arapiraca Entre As Décadas De 1940 e 1970


 A Educação em Arapiraca entre as décadas de 1940 e 1970, sob a orientação do Professor Pedro de França Reis.

Uma análise do Ensino Tradicional e rigoroso que contribuiu como avanço na formação da sociedade arapiraquense.

Simone Barbosa Santos

EIXO TEMÁTICO: EDUCAÇÃO, SOCIEDADE E PRÁTICAS EDUCATIVAS.

RESUMO:

Este trabalho discute a prática pedagógica desenvolvida pelo professor Pedro de França Reis em Arapiraca na década de 1940 quando foi criada a primeira escola privada dessa cidade, o Instituto São Luis. A intenção é compreender como um ensino de cunho tradicional deixou saldos positivos na construção daquela sociedade.

Essa discussão está sustentada nas concepções de teóricos que tratam do processo educacional no período investigado, a exemplo de Faoro (1975) e Verçosa (1999) além de outros estudiosos do tema. A história oral foi relevante além da analise de documentos, decretos e fichas de alunos. Dessa forma percebe-se que na década de 40 o ensino desenvolvido com forte disciplina foi responsável pela formação de bons profissionais em Arapiraca.

INTRODUÇÃO

O professor Pedro de França Reis deixou para a sociedade arapiraquense, um grande legado, pois nesta cidade ele viveu mais de quarenta anos prestando um grande serviço na educação e formação de muitos jovens, que, como profissionais elogiam as práticas desenvolvidas por aquele professor. Arapiraca é considerada a segunda maior cidade do estado de Alagoas, pelo seu crescimento populacional motivado pela economia baseada na cultura fumageira segundo a tradição.

Seu povoamento começou por volta de 1848, quando Manoel André foi em busca de terras no agreste alagoano, com o objetivo de desenvolver o plantio da mandioca a pedido de seu sogro, Amaro da Silva Valente, ex soldado português. A mandioca era indispensável naquela época, pois a farinha era alimento de agrado da população brasileira. Conta a tradição, que em sua caminhada Manoel André parou para descansar na sombra de uma árvore chamada “arapiraca” perto de um riacho, conhecido como o Riacho Seco.

A primeira casa a ser construída foi a de Manoel André, era uma casa de taipa. Depois seus parentes vieram contribuir nos trabalhos com a mão de obra para o plantio da mandioca que tinha alto custo ampliando o numero de casas e moradores. Ainda segundo a tradição, Amaro da Silva Valente morreu em 1875 e seus herdeiros que residiam em Cacimbinhas buscaram suas heranças acerca do povoado Arapiraca.A união matrimonial entre parentes aumentou a população, numa verdadeira relação familiar.

Dessa forma constitui-se em Arapiraca, uma sociedade assentada no patriarcalismo, consoante com a sociedade brasileira, que àquela altura se desenvolvia numa perspectiva neopatrimonial tendo em vista que a herança patrimonial ibérica ultrapassa os primórdios coloniais, permeia os períodos, imperial e republicano, atingindo os dias atuais, com especial relevo para Alagoas. (cf. FAORO, 2000; VERÇOSA, 2001) Enquanto as famílias iam se multiplicando, a concentração de terras também ampliava-se gerando a riqueza de poucos que sentiam-se no direito de cuidar dos menos favorecidos.

Professor Pedro de França Reis

Bibliografia do Professor Pedro de França Reis

O professor Pedro de França Reis perpetuou-se como um dos maiores educadores em Arapiraca e no estado de Alagoas. Nascido em Igreja Nova e educado em Penedo, acumulou muito conhecimento e sabedoria, procurando expandir essa experiência através da prática de ensino. Foi um professor honesto, hábil e corajoso, segundo depoentes que conviveram com o referido professor e contribuíram com a elaboração desse trabalho.

Enfrentou muitos desafios, principalmente em relação à perseguição política, por que não era de ficar calado quando se sentia incomodado, como esclarece Guedes (1999).

Era filho de Luis de França Reis e de Marceonila de França Reis; nasceu em 31 de janeiro de 1907 na cidade de Triunfo atual Igreja Nova. Pertencente à uma família humilde de ferreiros, não pode atender os anseios de seus pais, ser padre, devido às condições financeiras, porem teve uma boa formação moral e cristã; aos 10 anos de idade concluiu o curso primário numa escola estadual, depois estudou por mais um ano, particular, com o professor Rosendo Borges. Para ampliar ainda mais seus conhecimentos mudou-se com a família para Penedo. Lá, Pedro Reis conquistou a amizade do Cônego Dr. Teotônio Ribeiro e Silva que possibilitou sua matricula no colégio Jacomo Calheiros dirigido pelo professor Tertuliano Filho.

Terminou seus estudos na Escola Normal em Maceió, passando a lecionar aos 15 anos, no curso primário na cidade de Penedo. Ainda nessa cidade lecionou no Grupo Escolar Gabino Besouro criada em 1931. Passou por diversas cidades, do alto ao baixo São Francisco. Destacou-se por sua dedicação e desempenho.

Em Delmiro Gouveia foi nomeado delegado regional de ensino estadual em 1937; voltando a Penedo assumiu grande responsabilidade na delegacia da educação estadual. Mas, as delegacias logo foram extintas, então o professor foi transferido para o Grupo escolar Pedro Francisco Correia em Santana do Ipanema; após três meses transferiu-se para o Grupo Escolar Bráulio Cavalcante da cidade de Pão de Açúcar. Por ser destaque entre os professores da época no estado de Alagoas, Pedro de França Reis foi solicitado pelo prefeito da cidade de Porto Real do Colégio José Vieira Dantas para assumir a direção do novo Grupo Escolar Santa Bulhões, pedido aceito pelo então governador do estado Osman Loureiro em 1940. Por discordâncias políticas em 1942 o professor Pedro Reis foi novamente transferido, desta vez para um Grupo Escolar em Piaçabuçu.  No ano seguinte em 1943 recebeu mais um convite importante; o diretor de educação do estado, a Cônego Medeiros Neto convidou-o a dirigir o grupo escolar da cidade de Traipu. Neste mesmo ano é removido para Arapiraca pelo então diretor da educação do estado, para dirigir o primeiro Grupo Escolar Adriano Jorge, mas não chegou a assumir o cargo, porque o então governador, Ismar de Góis Monteiro não concordou. Isso explica as retaliações políticas existentes em Alagoas, discutidas por Verçosa (1999). Em reportagem ao jornal Gazeta de Alagoas (1999) o professor Manoel Oliveira Barbosa falou que Pedro Reis não admitia ingerência política dentro das unidades de ensino em que trabalhava. Essa é a explicação para tantas transferências.

Em 1950 Pedro Reis foi aposentado pelo estado, passando a se dedicar dessa forma apenas ao Educandário Instituto São Luis. Morreu aos 68 anos no dia 2 de abril de 1975, depois de muito sofrimento causado por cegueira e uma trombose. Durante 35 anos prestou serviços a comunidade arapiraquense, que durante muito tempo, retardou seu processo educacional. Escolaridade em Arapiraca Em entrevista para elaboração desse trabalho, o professor Zezito Guedes afirma que a escolaridade em Arapiraca começou por volta de 1880 com professores leigos, a exemplo do professor Antônio Raimundo, que era chamado de professor “pé de pau” porque ele era leigo, mesmo assim ensinava o português, o que significa escrever uma carta e lê outra, e matemática, o conhecimento das quatro operações: somar, diminuir, multiplicar e dividir.

Não tinha curso regular, não existia primeiro segundo nem terceiro ano. Outras professoras leigas que se destacaram, foram: Antônia Macedo e sua irmã Chiquinha Macedo que seguiam orientações de seu irmão, o padre Macedo, para desenvolverem sua prática pedagógica. Segundo Farias (2007) com o progresso econômico que se desencadeou em Arapiraca com a expansão da cultura fumageira, essa sociedade passou a se envolver num processo capaz de inseri-la numa dinâmica educativa escolar que atendesse aos seus interesses. A década de 40 representa para esse município um grande avanço tanto no campo econômico como educacional.  A cultura fumageira atraiu um grande contingente populacional oriundo de todo o nordeste, transformando Arapiraca em pólo de desenvolvimento econômico.

Nessa época o professor Pedro Reis passou a ministrar aulas particulares, traçando novos rumos para a escolarização da população de Arapiraca; conseguiu mobiliário e formou a primeira turma com 24 alunos matriculando-os em nome do Educandário São Luis. Como consta nos registros desse colégio, essa Instituição de ensino foi criada no dia 1º de março de 1943, cujo nome homenageava seu pai Luis de França Reis e também ao protetor dos Professores, São Luis. Oficialmente, o Educandário São Luis foi registrado em 1945 no Departamento Estadual de Educação. Como era professor do estado, Pedro Reis não pode assumir a direção da Escola, colocando Manoel de Oliveira Barbosa que foi seu aluno no grupo escolar Adriano Jorge no curso primário, já que este não tinha vinculo com serviço público.

Apenas com dezesseis anos, era um aluno aplicado, recebeu do então Secretario de Educação do Estado, Medeiros Neto um certificado de posse, de n 157, através do Decreto 2.225 de Dezembro de 1936, registrado na folha 84 do livro n 01, conforme informações prestadas pelo professor Manoel Barbosa à autora desse trabalho. Apesar de o Professor Manoel Barbosa assumir oficialmente a direção do Instituto, o Professor Pedro Reis era o administrador de fato, porque era ele que cuidava do funcionamento da escola, contando com o apoio do professor Manoel. De início, o Instituto não tinha local próprio, funcionava em um salão na Rua do Comércio na Praça Marques da Silva, depois passou a funcionar na própria casa do Professor Pedro Reis, na Rua Estudante José de Oliveira Leite; só após dez anos foi construído um prédio próprio para o Instituto também na Rua Estudante graças ao desempenho da sociedade arapiraquense no apoio a esses dois grandes educadores. A nova instalação foi inaugurada em 5 de julho de 1953.

Na inauguração foram distribuídas lembrancinhas em modelos de folder, constando além da foto do novo prédio do instituto São Luis a letra do hino da instituição criada pelo seu Diretor, além dos nomes da equipe diretiva. Em conversa informal com Valdemar Macedo, percebe-se que estiveram presentes à inauguração, figuras ilustres da sociedade como o Dr. Marques da Silva, que chegou a discursar, elogiando o Professor Pedro Reis pela iniciativa e também por ter criado uma escola longe da cidade, num lugar reservado sem barulho “sossegado”. Isto significa que Arapiraca, apesar de autônoma continuava, na década de 1950, com o perfil de um povoado! Pedro Reis, que apesar de não ter nascido nesta cidade se considerava arapiraquense de coração, chegou a receber um diploma de cidadão arapiraquense do presidente da câmara municipal de Arapiraca Antônio Ventura de Oliveira.

Além da sua experiência em alfabetizar, foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento educacional em Arapiraca; tinha apreço pela arte, musica e poesia, foi o autor da letra do Hino Municipal de Arapiraca que teve sua oficialização depois de uma votação unânime da câmara de vereadores da cidade; fez também o Hino do ASA ( Agremiação Esportiva de Arapiraca) imortalizando o “pendão alvinegro”, fundada em 1959. A “casa da cultura” nesta cidade, leva seu nome devido a uma votação na câmara de vereadores onde a escolha foi feita como homenagem a esse inesquecível educador. Sua presença e instalação do Instituto São Luis de Arapiraca vieram acelerar a escolarização formal dos cidadãos; suas ações influenciaram vários setores administrativos da cidade, deixando um grande legado para a sociedade arapiraquense. Criado em 1943 o Instituto São Luis foi oficializado em registro dois anos depois.

A primeira turma de alunos foi formada com 13 meninos e 11 meninas destacados em fotografia; dessa forma as demais turmas que precederam na instituição, seguiam um sistema de ensino misto. Analisando os sobrenomes nas fichas de matriculas daquela escola, percebese que famílias inteiras frequentavam o Instituto São Luis, entre duas a três gerações. Isso demonstra que o ensino ali desenvolvido era bem aceito. (A prática pedagógica daquela escola, era consoante com a educação dominante no país de cunho tradicional, no que pesem os movimentos de modernização pedagógica que, desde fins do século XIX já despontavam aqui e ali;  por todo o país. No Instituto São Luis o aluno deveria aprender por práticas rigorosas, por meio de castigos físicos, em que a palmatória era o instrumento mais usado para impor a disciplina, quando necessário, também à aprendizagem. Para muitos pais, o Instituto fazia milagres com seus critérios ). (FARIAS, 2007, p.83).

Os métodos utilizados no processo de ensino no Instituto tiveram efeitos positivos, pois os alunos com a oportunidade de ali estar para aprender tiveram um educação incontestável em aprendizagens de um modo geral como educação moral, religiosa e formal. O professor e historiador, Valdemar de Oliveira Macedo conta em entrevista semi estruturada que o uso da palmatória era de conhecimento dos pais, que sentiam orgulho por ter seu filho estudando no Instituo São Luis. Geralmente os alunos castigados, eram aqueles indisciplinados. O professor explica ainda que o Pedro Reis, diretor do Instituto São Luis era muito compreensivo com relação às condições financeiras dos arapiraquenses que só tinham acesso a um volume maior de capital na época da colheita de fumo, entre outubro e dezembro. A esses, era permitido que só fizessem o pagamento anual. A prática pedagógica desenvolvida pelos professores dessa Instituição, não era imposta pelo professor Pedro de França Reis, mas sim, o consenso entre esses profissionais como pose-se perceber: Havia um bom relacionamento entre os professores e alunos, um sistema disciplinar ótimo, com isso concorrendo para escola ter o seu conceito de referencia nacional, preparando os jovens para o meio social. O processo de punição existia sim, mas para o aluno excessivamente indisciplinado. A relação do Professor Pedro Reis e Manoel Barbosa para com os outros professores sempre foi de total coerência com um trabalho combinado. (ENTREVISTA / OLIVEIRA-julho/2010).

O uso da Palmatória e as punições, com castigos físicos eram utilizados, mas como forma de impor respeito, como declara o ex-professor do Instituto: ( Eu, Ademar Pereira tenho o prazer de ter sido professor e educador do famoso Instituto São Luis por 33 anos, hoje encontro com ex-alunos em vários lugares e eles me recebem sempre com muito carinho. Foi um trabalho sempre recompensador, tanto na época como professor quanto agora.) (ENTREVISTA / PEREIRA, julho-2010). Os professores José de Oliveira e Ademar Pereira citaram vários nomes de ex-alunos daquela escola e que hoje são pessoas ilustres da sociedade e exercem profissões muito importantes como os médicos Dr. Welington Palmeira, Dr. Fernando Lins, Dr.Nelson Brandão, Dr. Genisvaldo Pereira, Dr. Geraldo Vital, Dra. Vilma Marques, Dr. Adailton Leão, Dr. João Santana Sobrinho, o ex-prefeito de Lagoa da Canoa e médico Dr. Lauro Farias. Os dentistas Diogo Cesar e João Nascimento. O desembargador Tutimés e os advogados Mauricio Fernandes e José Pereira Neto, o deputado Gilvan Barros, o secretario de educação do estado, Dr. Rogério além destes tantos outros que exercem cargos muitos importantes.

Todos eles lembram o nome do Pedro Reis com muito orgulho, contam os entrevistados acima citados.  Complementando essas formulações, a professora Maria Lucia, filha do professor Manuel Barbosa que são inúmeros os ex alunos do Instituto São Luis que desenvolvem atividades importantes no Brasil inteiro. Apesar da prática tradicional com castigos físicos como a palmatória, o rigor na disciplina gerou efeitos positivos como se pode perceber nos depoimentos de ex-alunos, como o de Sineide Maria Valentino de Moura, que colaborou com seus relatos, na elaboração desse trabalho. ( Estudei o maternal, a alfabetização, ao 4º ano. Ao chegar à escola no sábado ultimo dia de aula da semana, a primeira coisa que se fazia era hastear a bandeira e cantar o Hino Nacional. Eu era “danada”, mas quando ia para sala do Diretor morria de medo, quando chegava em casa que a minha mãe via as mãos vermelhas, sabia que era da palmatória e eu levava mais castigos.). A entrevistada deixa claro que foi a melhor forma para que ela aprendesse o suficiente para que hoje conviva com as complexidades que os avanços tem promovido.

Existia nesse período um verdadeiro antagonismo entre os alunos do Adriano Jorge e do Instituto São Luis, sendo os últimos considerados elite por poderem pagar pelo ensino. No entanto, as escolas tinham muita coisa em comum: o fardamento era exigido em ambas que zelavam também pela seleção de professores; as escolas eram mistas, recebendo alunos com idades variadas entre 7 e 18 anos de idade. A organização dessas Instituições de Ensino destacava-se também nos desfiles estudantis.

Desfile de 7 de setembro década 1970

Conta Zezito Guedes, um historiador arapiraquense que também contribuiu com a construção desse texto que o primeiro desfile de Arapiraca, foi organizado pelo Professor Pedro de França Reis que em 1945 já havia conseguido uma pequena banda marcial para essa escola. Esse desfile emocionou a população de Arapiraca e atraiu alunos de regiões vizinhas. Para atender aos moradores dessas regiões, o professor Pedro de França Reis criou o internato. Os alunos que vinham de outras cidades ficavam residindo na casa do Professor, ocupando as mesmas instalações. Os alunos internos ficavam dependendo do seu aproveitamento para poder ir para casa da família no final de semana. ( A maior parte dos alunos ficava internos, pois assim estudaria mais, ou, seja, os dois horários, os pais que deixavam seus filhos no sistema de internato pagavam um acréscimo sobre a mensalidade normal. Grande parte dos alunos que ali frequentaram obtiveram boa formação e se destacaram como excelentes profissionais.  (ENTREVISTA / OLIVEIRA-julho-2010).

O entrevistado, conta ainda que um aluno, depois de concluir seus estudos (o primário) no Instituto foi para o Rio de Janeiro para complementar sua formação; lá se destacou em suas avaliações de modo que os diretores do Instituto São Luis receberam uma carta de elogios pelos trabalhos desenvolvidos na instituição. A disciplina envolvia alunos e profissões; não era permitido adiantamento de aulas nem ausência de professores.  O professor Pedro Reis buscava desenvolver uma formação moral e religiosa entre seus alunos, pois esse era vocacionado para o ministério religioso, mas não logrou seu intento, por razões particulares. Este pensava em atender a sociedade arapiraquense de todas as formas possíveis; como muitos jovens precisavam trabalhar muito cedo e não tinham como estudar durante o dia, para estes o Instituto São Luis passou a oferecer curso noturno. Dessa forma o trabalhador podia pagar seus estudos e inserir-se no processo de escolarização.

Foi criado ainda o curso de Datilografia, que contribuiu com a formação de alunos que pretendiam submeter-se a exames para concursos. Percebe-se dessa forma que essa Instituição não teve só a prática repressora, com castigos e punições; premiava com medalhas (ouro, prata e bronze) os alunos que conseguiam notas boas e colocava-se num quadro de honra a foto daqueles que se destacavam. O trabalho burocrático era realizado com muita precisão as fichas de matriculas eram preenchidas com os dados pessoais como nome e profissões dos pais, sendo para as meninas fichas de cor rosa e para os meninos fichas azuis.

Os certificados de final de ano eram entregues aos alunos, na presença dos pais e de autoridades locais em clima de festas. Era uma forma de estimular os alunos. Em 1975 com a morte do Professor Pedro Reis a escola ficou sob responsabilidade do professor Manoel Barbosa que em 1990, sem condições de manter essa Instituição resolveu fechar, em função da oscilação financeira do Brasil que dificultou financeiramente a administração da escola, cedendo o prédio a um grupo de professores da cidade.  O Instituto São Luis chegou a fazer cerca de mil matriculas por ano. Atualmente o professor Manoel Oliveira Barbosa encontra-se impossibilitado de dar qualquer depoimento devido a problemas de saúde, sua filha auxilia no resgate à história do Instituto e Professor Pedro Reis através de documentos que estão aos seus cuidados.

Hoje o Colégio Rosa Mística, funciona no antigo prédio do instituto, e mantém um memorial do Instituto São Luis. CONSIDERAÇÕES FINAIS Não foi fácil penetrar nas particularidades vivenciadas pelo Instituto são Luis. Ao contrario do que se percebe em relação às escolas públicas municipais de Arapiraca na década de 1950, que tiveram alguns documentos queimados pela transferência dos arquivos para um novo prédio. Segundo as informações obtidas, os registros do Instituto São Luis prevalecem intactos, no entanto, não são de fácil acesso. Percebe-se nessa investigação que o professor Pedro de França Reis destacou-se por ter contribuído com a formação dessa sociedade. Chegando a essa cidade com o intuito de dirigir o Grupo Escolar Adriano Jorge, termina criando a primeira escola privada, que com o ensino pré-primário e primário, estimulou muitos alunos a ultrapassarem as barreiras do exame de admissão e cursarem o ginásio. Este foi um grande educador, mas não era só esse o seu papel político, pois contribuiu muito nas discussões políticas em prol do crescimento da cidade.

A análise de registros, boletins e atas de final de ano, evidencia o desenvolvimento de uma prática pedagógica disciplinada e rigorosa, que contribuiu positivamente com a formação de cidadãos capazes de se inserir no mundo da complexidade e das transformações.

REFERÊNCIAS:

FARIAS, Maria Aparecida de. O Romper do silencio: a trajetória da educação escolar em Arapiraca (AL), do seu povoamento até a década de 1950 / Maria Aparecida de Farias. Dissertação de Mestrado – Maceió, 2007. 119 f. FAORO, R. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro (v. 1 e2) Porto Alegre: Globo: São Paulo. EDUSP, 1975 GUEDES, Zezito. Arapiraca através do tempo. Maceió. Gráfica Montergraphy, 1999. MACEDO, Valdemar de Oliveira. Raízes e Frutos de Arapiraca. Maceió: Ed. gazeta de Alagoas, 1992. TENÓRIO, Douglas Apratto In Cabanos: Revista de História / Fundação Universidade de Alagoas- Ano 1, vol.1 n.1(jan/jun.2006).- Arapiraca: FUNESA: Maceió: EDUFAL, 2006. VERÇOSA, Elcio de Gusmão. et alli. Caminhos da Educação em Alagoas da Colônia aos dias atuais / Elcio de Gusmão Verçosa. Maceió: edições Catavento, 2001.

Fonte:  http://www.educonufs.com.br/

Blog Arapiraca Legal

Edição: Gilvan Juvino

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