Petrúcio Silva

 

Tributo ao cantor arapiraquense Petrúcio Silva: hoje faz um ano de sua morte – Artista, nos idos de 1970, foi o grande ídolo musical dos filhos da Terra de Manoel André)
Por Hélio Fialho

Hoje, 25 de outubro de 2013, completa um ano de morte do talentoso e saudoso cantor arapiraquense Petrúcio Silva. Ele, nos idos de 1970, brilhou intensamente nos palcos dos clubes sociais, principalmente nos bailes de formatura, debutantes e pesonalidades da Terra de Manoel André. E até hoje nehum artista arapiraquense conseguiu igualar-se a ele em talento e fama.

Ele cantava e encantava o público que o ouvia e calorosamente o aplaudia. Nesta época, ele integrava o Apolo D (de Arapiraca), grupo musical que competia com Os Notáveis (também de Arapiraca), Os Tremendões (de Palmeira dos Índios) e Os Naturais (de Santana do Ipanema).

Petrúcio Silva foi o grande ícone da música arapiraquense e interpretava divinamente as canções de Roberto e Erasmo Carlos, Moacir Franco, Fernando Mendes, José Augusto, The Fevers, Barrabas e tantos outros cantores e grupos nacionais e internacionais que faziam grande sucesso nas paradas musicais.

O Apolo D, na época, foi considerada a melhor banda de Arapiraca e de Alagoas, pois o famoso “conjunto musical” (expressão muito usada naquele tempo) era formado por músicos profissionais do quilate de Pedrinho (tecladista), Zé Rufino (baterista), Humberto (baixista), Dija (guitarrista e cantor) e Petrúcio Silva (cantor principal).

No auge do sucesso este conjunto musical chegou a pertencer a meu cunhado Severino Silvá de Brito, um contador famoso, primo legítimo do tecladista Pedrinho, que tinha sua residência e escritório de contabilidade localizados na Rua Domingos Correia, bem ao lado do CALIFA e vizinho aos senhores José Edson e Marcolino, sendo este último proprietário de uma farmácia.

Dentre os clientes do escritório do meu cunhado Silvá, que também era funcionário dos Correios e Telegráfos, lembro dos comerciantes Zé Penedo (proprietário de uma joalheria na Praça Marques da Silva), Zé Canuto (na Avenida Rio Branco), “Seu Elias” (proprietário da loja Chinelim) e a Sra. Sebastiana (proprietária de uma loja de miudezas).

Neste tempo, eu passava as minhas férias, a convite da minha irmã Helenira (esposa de Silvá), na cidade de Arapiraca, e sempre frequentava (quando eu saia com meu cunhado e minha irmã) a barbearia do “Seu Gilberto”, também localizada nas proximidades do mercado de farinha, Rua Domingos Correia. Também assisti, por diversas vezes, os treinos do ASA dos craques Zé de Lira, Zé Nilton e Bió.

Destaco aqui três fatos históricos que deveriam estar registrados na história de Arapiraca: a inauguração do Supermercado Vascore (o primeiro de grande porte a ser instalado na cidade pelo gerente itabaianense Antonio de Melo Rezende); a inauguração da Sorveteria Kimel (do comerciante pão-de-açucarense José Moura Amaral) e a eleição da minha irmã Eliana Fialho como Rainha da Vaquejada de Arapiraca, uma jovem de beleza invejável e, por isso, superou várias jovens elegantes da sociedade arapiraquense, na disputa. Tempo em que a tradicional “Vaquejada de Arapiraca” era de fama nacional. Lamento profundamente não terem mantido esta tradição nordestina!

E o canto,r Petrúcio Silva, fazia muito sucesso nos lugares onde se apresentava. A minha idade era entre 12 e 14 anos, mas lembro ainda hoje daquele talentoso cantor de pele morena, estiloso, cabelos longos, soltando sua voz harmoniosa que ecoava com perfeição na acústica dos clubes sociais e casas de shows. Ele chegou, ainda, a integrar outros grupos musicais, dentre esses, os Tremendões. A sua voz era tão perfeita que chegou a impressionar até mesmo o famoso cantor Agnaldo Timóteo quando este fazia uma turnê pelo Nordeste, inclusive chegou a ser presenteado pelo famoso cantor com um par de sandálias, numa simbologia que sua caminhada artistística tinha futuro.

Mas o tempo foi passando e o inesquecível artista foi trabalhar como fiscal na Estação Rodoviária de Arapiraca, deixando, assim, de dedicar-se exclusivamente à vida artística. Em 1997, a convite do amigo e músico Pedrinho, foi embora para Aracaju, onde passou a integrar o grupo deste imortalizado tecladista que passou, também, a interpretar as canções do famoso trovador Altemar Dutra (falecido aos 43 anos de idade, no dia 09 de novembro de 1983, na cidade de Nova York).

É inegável o sucesso conquistado nesta cidade sergipana por estes dois filhos de Arapiraca, principalmente no Café Express e outros pontos de encontro da cidade sergipana.

Em Aracaju Petrúcio Silva permaneceu por oito meses, retornando em seguida para Arapiraca, onde ficou até a sua morte, aos 72 anos, ao lado da esposa Sissi e dos filhos Guilherme e Francisco Roberto. Porém, por ironia do destino, aquele que outrora cantava e encantava multidões com sua bela voz, passou a ter problemas cardíacos, sofreu dois derrames (AVCs) e perdeu a voz uma semana antes de viajar para o outro lado da vida. E foi justamente no dia em que completou 35 anos de casamento com Cicera Alex Souza Leão da Silva (“Sissi do Salão de Beleza”), em 25 de outubro de 2012, que Petrúcio Silva foi integrar para sempre o coral dos Anjos de Deus, deixando para os entes queridos a dor e a saudade daquele que engrandeceu com sua voz e com o seu talento, por muitos anos, a então “Capital do Fumo”.

E neste meu tributo ao imortalizado artista Petrúcio Silva (será que ele está mesmo imortalizado pelos arapiraquenses?), neste aniversário de um ano de sua morte, é importante destacar o progresso desenfreado que Arapiraca vem conquistando nestes últimos anos – porque até shopping center a cidade já ganhou. Entretanto, não há como negar que a época de ouro da música da Terra de Manoel André e Esperidão Rodrigues foi e continua sendo mesmo representada pelo saudoso e inesquecível cantor Petrúcio Silva. Esperamos que as autoridades constituídas deste próspero município do Agreste alagoano saibam reconhecer o valor deste artista filho de Arapiraca que viveu seus momentos de glória e jamais negou ser um amante da Terra de Manoel André. Será que um dia veremos o nome de Petrúcio Silva estampado numa rua, praça, monumento ou espaço musical na cidade de Arapiraca? Fica aqui a minha dica.

E enquanto a saudade dói, as mentes refletem e as autoridades constituídas não cometem esta justiça, só resta-me dizer: descanse em paz, prócer cantor Petrúcio Silva!

Fonte: site “Minuto Sertão” (Postado em 25/10/2013).
Link: http://minutosertao.cadaminuto.com.br/noticia/2013/10/25/tributo-ao-cantor-arapiraquense-petrucio-silva-hoje-faz-um-ano-de-sua-morte

l Editado por Pedro Jorge (pjorge-65@hotmail.com) l

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