O CICLO FUMAGEIRO


O CICLO FUMAGEIRO

O tabaco começou a ser cultivado em Arapiraca-AL no final do século XIX,
quando a cultura da mandioca predominava no então povoado. A partir de 1945, a
produção fumageira aumentou. Na década de 1950, houve um avanço na
extensão do plantio. E, foi nesse período em que a vegetação nativa passou a ser drasticamente reduzida.

Arapiraca ganhou notoriedade, passando a ser chamada de capital brasileira do
fumo. A dinâmica da cidade mudou, adaptando-se a essa modalidade econômica.

Ivan Fernandes Lima em “Geografia de Alagoas” indica: “O progresso é visível, as
residências multiplicam-se, (…) O comércio já se torna variado a oferecer muitos
dos confortos modernos a seus habitantes, pelas fortunas que as plantações de
fumo lhe vão proporcionando”. (LIMA, 1965).

A cada ano foi aumentando a produção fumageira. Nos meses de agosto a
outubro, ampliava-se o movimento de automóveis com cargas de folhas de
tabaco; enchendo-se os salões e até mesmo as casas de famílias com as folhas,
para a destalagem.

O cheiro do fumo estava por toda parte. as mulheres e jovens aproveitavam a
temporada para ganhar dinheiro; de forma inadequada, até mesmo as crianças
trabalhavam. No interior dos salões e nas residências, as destaladeiras de fumo
entoavam seus cantos, que ficaram gravados na memória cultural de Arapiraca.

No meio rural, houve a afirmação e a expansão da divisão fundiária em pequenas
propriedades. Do ponto de vista econômico e social, o ciclo fumageiro gerou
riquezas e, contribuiu para a expansão da cidade. Jean Baptiste Nardi explicita:
“A indústria atraiu o dinheiro de fora pela venda de seu produto, aumentou o
volume e a circulação interna, fortaleceu e ampliou as atividades econômicas e melhorou o padrão de vida da população urbana” . (NARDI, 2004).

Este ciclo produtivo no entanto não resultou numa distribuição de recursos que
beneficiasse os diversos setores, tanto da Cidade como do meio rural. Nardi
também afirma: “A comparação do faturamento do produtor e da empresa de
fumo desfiado, quando da mudança quantitativa de produção, mostra a
desvantagem que leva o produtor em relação á empresa”. E, ainda relatou que
mediante a informalidade desta atividade produtiva, o setor público não arrecadou recursos compatíveis com a circulação de riquezas.

Uma crise tomou conta do setor a partir da década de 1990. O fim do ciclo
fumageiro contribuiu para compor um modelo de crescimento mais diversificado,
e tem um papel preponderante no entendimento da economia, da história e da identidade local.

[ Fonte (link): http://www.arapiraca.al.gov.br/planodecenal/livro/ ]

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DECLÍNIO DA CULTURA DO FUMO – Por Zezito Guedes (Historiador, folclorista e artista plástico)

No ano de 1975, Arapiraca/AL encontrava-se num verdadeiro divisor de águas. tal qual o destino de outras culturas como o cacau da Bahia, a seringueira no Pará, o café em São paulo, o ciclo da cultura de fumo também chegou melancolicamente ao seu final.

Atualmente, observamos que o tão decantado Eldorado não mais existe e que o fantasma do latifúndio ameaça se instalar novamente em toda a região Agreste. Um ciclo cujo fastígio duro cerca de trinta anos, vai finalmente apagando suas luzes e, o que resta desse apogeu são as empresas dos bem sucedidos fumicultores empresários com suas residências faustosas, não só em Arapiraca, como também, nas praias do litoral.

Uma cidade que nos tempos das vacas gordas transformou toda estrutura física do centro urbano, agora entra compulsoriamente em um novo estágio, cujas perspectivas são por demais incertas, tendo em vista a presença de graves problemas sociais como o êxodo rural e consequente proliferação de favelas, ilhares de cortiços, desemprego e nas ruas os ambulantes, camelôs, biscateiros, bicheiros e delinquentes mirins que procuram sobreviver de qualquer maneira. Para este final dramático – a decadência da cultura de fumo, diversos fatores concorrem decisivamente para o desfecho.

Como primeiro obstáculo, poderíamos citar a Legislação Social (ações trabalhistas rigorosas), aplicadas numa região de minifúndios, onde havia uma autêntica reforma agrária, que ao invés de proteger o trabalhador rural, orientado-o, conscientizando-o sobre os seus reais direitos trabalhistas, concorreu para intensificar o êxodo rural motivando o surgimento dos “boias-frias”, até então inexistentes. (…)

[ Fonte: Livro “Arapiraca Através do Tempo”, 1999 ]

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NÉ DE PAULA MAGALHÃES – Por Zezito Guedes (Historiador, folclorista e artista plástico)

Na trajetória da cultura de fumo em Arapiraca/AL, ocorreram várias fases. A primeira por conta de Chico Magalhães e a segunda fase tem como líderes seus herdeiros e demais parentes. Todavia, um nome se destaca a partir de 1936 – Manoel (“Né”) de Paula Magalhães, não só como um dos maiores plantadores de fumo da época, mas, como um dos inovadores no processo de curar o fumo em rolo, permutando instrumentos primitivos por instrumentos de madeira mais práticos e atualizados.

“Né de Paula Magalhães” era um homem alvo, de baixa estatura, franzino, olhos vivos e espírito empreendedor que herdara do pioneiro da cultura de fumo vários atributos, tais como: capacidade de trabalho, coragem, iniciativa e espírito de liderança.

Com o crescimento de sua colheita de fumo, adquiriu a Fazenda Seridó, que ficava no bairro Cacimbas. Quando desenvolveu este “curral de fumo” e, não teve condições de cultivá-lo somente com os moradores, “Né de Paula” resolveu dividir a área com os meieiros, inaugurando um sistema que durou cerca de trinta anos.

Em 1938, “Né de Paula” já vendia fumo em várias regiões do Nordeste e aumentava cada vez mais a sua produção de fumo, agora já com mais uma propriedade, da Baixa da Onça. A essa altura, superou seu irmão Lino de Paula Magalhães, conseguindo aumentar o número de meieiros para dez: Manoel Lúcio da Silva, Tonho Cavacante, Né Rozendo, Anatólio Leite, Abílio da Mirinda ?, Lau Leite e Zezé Sulino; Amabílio, Artur e Alcides Leite.

“Né de Paula Magalhães”, como todo líder, era um homem alegre, comunicativo e, por isso conseguia reunir uma boa quantidade de trabalhadores, promovendo horas de lazer na Fazenda Seridó, onde se dançava coco, cantiga de roda e as mulheres cantavam o dia todo na destalação do fumo; tudo isso fazia com que a produção do fumo aumentasse.

Como era um entusiasta das coisas populares, “Né de Paula Magalhães” foi quem inventou “o derradeiro dia do fumo”, para comemorar o final da destalação das folhas para enrolar a corda de fumo.

Em 1940, “Né de Paula” era considerado um homem rico e construiu a melhor casa da Cidade – em frente ao Grupo Escolar Adriano Jorge, e nas duas propriedades possuia dezesseis meieiros, com uma produção aumentando progressivamente

Finalmente, assediado por um forte concorrente, o comerciante Luiz Pereira Lima, que fornecia dinheiro aos meieiros para atrai-los, “Né de Paula Magalhães” transferiu-se para o Estado da Paraíba, onde se estabeleceu no então Município de Sapé – atual Mari, onde terminou seus últimos dias, cercado por sua numerosa prole.

[ Fonte: Livro “Arapiraca Através do Tempo”, 1999 ]

[ Editado por Pedro Jorge – E-mail: pjorge-65@hotmail.com ]

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