A FEIRA LIVRE DE ARAPIRACA


                                                          

 
A FEIRA LIVRE DE ARAPIRACA – 1
 
Expansão da Feira Livre Motivou a Emancipação
Por Roberto Gonçalves
 
A tradicional feira de Arapiraca/AL, cantada e decantada em prosa e versos pelos violeiros e repentistas, teve sua origem em 1884 e foi a grande propulsora para a emancipação política do Município.A feira livre cresceu quando a Cidade era um simples povoado. O advento da Cultura Fumageira a fez progredir, atraindo para o Município uma grande população. Segundo o historiador Nelson Rodrigues, em 1920 a renda da feira livre de Arapiraca superava a de Limoeiro de Anadia/AL gerando a partir deste fato, movimento pela emancipação que ocorreu em 30 de outubro de 1924.Atualmente, a feira assume proporções alarmantes, uma concentração média de 100.000 pessoas ocupando todas as ruas do Centro da Cidade, fato que tem gerado muita insatisfação da grande maioria dos comerciantes, principalmente os mais capitalizados.A organização e modernização da feira livre de Arapiraca é um projeto do SEBRAE/AL e que está sendo desenvolvido em 17 Municípios. No caso de Arapiraca, este projeto foi solicitado pelo Programa Comunidade Ativa.

Para o professor, pesquisador e folclorista Zezito Guedes, os maiores empresários de Arapiraca cresceram com a feira. O Clube dos Diretores Lojistas e a Associação Comercial são contrários a feira, alegando a questão da evasão de rendas, transtornos no trânsito e até sonegação de impostos por parte dos feirantes.

Os empresários reclamam que os feirantes armam as suas barracas em frente de suas lojas e comercializam os produtos a baixo custo. “Eles não pagam os encargos sociais como nós”, afirma um comerciante instalado na Praça Marques da Silva.

Ruas do Centro Recebem Nomes de Produtos Vendidos na Feira

A feira de Arapiraca, por sua importância deu “nomes” a várias ruas da Cidade como a “Feira do Peixe”; Ruas “Do Carvão”, “Dos Móveis”, “Das Frutas” e “Do Coco”. Zezito Guedes costuma dizer que a feira é o refúgio da população de baixa renda. “Na ‘Feira do Peixe’ a população carente se abastece do Cará, da traira e do Jundiá”, observa.

Segundo o historiador, a modernização não deve tirar as tradições e as raízes da feira. Os raizeiros devem continuar vendendo sus meizinhas. A feira não pode perder o seu folclore com os seus cantores de Coco, emboladores, repentistas e violeiros, defende.

[ Fonte: Informativo “Arapiraca – 77 Anos de Emancipação”, 30/10/2001 ]

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A FEIRA LIVRE DE ARAPIRACA –  2
 
Arapiraca acelerava seu desenvolvimento. Sua feira que teve origem no ano de 1884, quando Arapiraca era apenas uma povoação, a feira que a princípio, era um “adjunto”, logo foi a se desenvolvendo e graças a ela, em pouco tempo, Arapiraca passou á categoria de vila, isso no final do século passado.
 
Com o advento da cultura do fumo, a feira foi se expandindo de tal forma que, em 1920 a renda da vila  já superava da própria sede do município que era Limoeiro de Anadia/AL, o que forçou seus habitantes a lutarem pela emancipação que ocorreu,  finalmente, em 1924. A partir dessa data, a feira foi acompanhando, passo a passo, o crescimento da Cidade.
 
Hoje, produto da própria evolução do Município como pólo regional, a feira  assumiu proporções assustadoras e se construí num verdadeiro complexo, uma verdadeira batalha semanal que envolve a todos uma espécie de sacrifício coletivo que o povo, logo no domingo á noite, a se referir á feira, pronuncia o refrão: “amanhã é dia de branco”.
 
A imensa concentração semanal, que era formada  por mais de trinta mil pessoas, ocupava quase todo os  logradouros do centro da Cidade e a anos foi se construindo um sério desafio á Prefeitura Municipal que apesar de envidar um grande esforço conseguiu disciplinar  o gigantesco mercado exposto ao ar livre, que em vista a natural desorganização dos feirantes, que por sinal uma característica das feiras nordestinas.
 
Para se ter uma ideia do que era a feira livre de Arapiraca basta dizer que os primeiros produtos (inhame, batata, frutas e cereais) chegavam ainda no domingo á tarde. Á noite, um sem número de carregadores ainda utilizam carroças puxadas á tração animal, então pela  madrugada espalhavam pelas ruas milhares de mesas (os feirantes chamam de bancas) onde os negociantes armam as toldas de lona que servem de cobertura. E, muitos donos de botequins já passavam a noite apurando seu dinheirinho com a venda de pratos feitos, pão, café e principalmente cachaça “rinchona” ou misturada de “raiz de pau”  que os feirantes bebem para “espertar a ideia “ ou para espairecer, segundo dizem.
 
É dia de feira em Arapiraca , era uma festa, um lazer para uns e muito trabalho para outros; comunicação total pois todo o povo das redondezas vai a feira para vender, trocar e comprar, ir ao correio, batizar menino, apreciar os folheteiros, emboladores de Coco, violeiros, tinha curadores de mordidas de cobras, rezadores, cartomantes, meizinheiros, astrólogo, tocador de realejo, cantigas de cegos. Tudo isso o homem simples da zona rural consome nos dias de feira, pois faz parte de sua vida.
 
Espalhadas pelas as ruas, observamos as mais variadas expressões: são figuras descontraídas, ingênuas, desconfiadas, muito preocupadas, angustiadas, outras com ar resignado do sertanejo, algumas grotesca e irreverente, enfim um mundo de expressões  que são de grande utilidade para os que militam no campo das artes plásticas.
 
Além dessas manifestações populares, a paisagem humana na feira de Arapiraca foi algo impressionante e construiu uma história á parte pois, os tipos humanos forma um valioso conteúdo e uma matéria importante para pesquisadores, sociólogos, cinegrafistas, fotógrafos, que exploram com frequência a grande feira semanal.
 
[ Fonte: Secretaria Municipal de Educação / EJA ( Educação de Jovens e Adultos ) ]
 
Coordenadores: Marcelo Gomes Carnaúba e Francisco Cruz da Silva ( Outubro/2003 ).
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A FEIRA LIVRE DE ARAPIRACA – 3
 
Uma árvore é o marco simbólico da fundação da Cidade, mas foi a feira que
escoou a produção agrícola e se firmou como espaço de interação sociocultural.
Durante muitos anos, a feira se espalhou pelas ruas do centro da Cidade, com
uma grande variedade de frutas, legumes, carnes, cereais, animais, roupas,
panelas, móveis, insumos e utensílios agrícolas.
 
Entre as décadas de 1960 a 2000 era uma das maiores feiras livres do
Nordeste, para onde convergiam além dos feirantes, os emboladores, violeiros,
cordelistas e sanfoneiros, resultando num palco da cultura popular. A feira de
Arapiraca-AL foi objeto de grande interesse de etnógrafos, artistas e
estudiosos por sua diversidade de produtos e riqueza cultural. O artista
Hermeto Pascoal, natural de Lagoa da Canoa-AL, afirma ter tido como base de
inspiração na infância e juventude os sons da feira, bem importantes para a sua
formação musical.Os moradores da zona rural aproveitavam a oportunidade para ir ao banco, ao
cartório e ao cinema. Tanto o Cine Trianon como o Cine Triunfo promoviam
sessões de matinês, nas segundas-feiras, ocasião em que o público lotava as
salas para assistir a filmes de diversos gêneros, desde os brasileiros como o
popular Mazzaroppi; os faroestes americanos; as aventuras como Zorro,
Tarzan ou James Bond. E, na Semana Santa não faltavam as histórias sobre a
Paixão de Cristo.

A feira, como um espaço de interação, faz parte da História e da identidade
de Arapiraca, com a qual a Cidade cresceu e se fortaleceu. No entanto, gerava
problemáticas urbanas e, no início do século XXI, passou por reordenamentos
que resultaram no enfraquecimento da sua integridade.

Conforme a publicação “A Cidade do Futuro, Agenda 21 de Arapiraca”: “A
tradiconal feira livre já não existe em sua pujança cultural e social. A feira vinha
multiplicando seus problemas enquanto sustentação econômica com baixa
arrecadação de impostos, sujeira, falta de organização, entre outros aspectos.
Assim, em janeiro de 2004, a administração municipal fez a relocalização da
feira, adotando uma nova configuração”.

Atualmente, o comércio formal e informal de Arapiraca tem crescido: há feiras
espalhadas nos bairros em diversos formatos, entretanto há a ausência da feira
em seu vigor de outrora. Buscando referências em Cidades dos Agrestes
pernambucano e paraibano, pode-se trabalhar numa reorganização da
feira como um negócio maior, propocionando interação social, comercial e, afirmação de identidade cultural; contribuindo também para o
turismo.

Fonte: Livro “Plano Decenal de Arapiraca”, 2012.

 
Pesquisa: Blog Arapiraca Legal
Contato: E-mail: blogassociado1@live.com
 
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Uma resposta para “A FEIRA LIVRE DE ARAPIRACA

  1. Por favor me ajudem, procuro por João Baia da Silva ele é muito conhecido ai em Arapiraca (AL). Ele é meu pai e faz muitos anos que não o vejo!

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