Espaço Trate


Arapiraca Tem Primeiro Espaço Público Para Autistas Do Brasil

O Prefeito, Luciano Barbosa (PMDB) e a Secretária de Saúde, Aurélia Fernandes, inauguraram, na noite desta terça-feira (6), o primeiro espaço público ligado ao SUS (Sistema Único de Saúde) destinado ao atendimento de crianças autistas com necessidades especiais do Brasil.

O Espaço Trate está localizado na Rua Abraão de de Oliveira, no Bairro Cavaco, e foi construído como prédio anexo do CEMFRA (Centro de Medicina Física e Reabilitação de Arapiraca), que já atende pacientes de 48 Municípios alagoanos.

A solenidade de inauguração também contou com a presença dos secretários de Agricultura, Manoel Henrique Cavalcante; de Administração e Recursos Humanos, Lúcia de Fátima Cavalcante; subsecretária de Finanças, Marciete Barros, além dos diretores do Cemfra, Marcos Fontes, e do Centro de Referência e Assistência em Saúde do Trabalhador (Cerest), Sandra Márcia Lima, bem como de psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e representantes da classe empresarial de Arapiraca.

O Espaço Trate possui modernas instalações, com salas climatizadas e foi construído com o apoio de um grupo de 46 empresários locais que doaram material de construção, móveis, equipamentos visuais, entre outros materiais destinados ao trabalho dos profissionais no atendimento diário das famílias e crianças com autismo.

Na ocasião, a psicóloga Ana Paula Rios agradeceu ao prefeito Luciano Barbosa e secretária Aurélia Fernandes pelo apoio dado à iniciativa, que também foi idealizada pelas psicólogas Luana de Freitas e Sílvia Sobral.

“A credibilidade dos nossos gestores facilitou nossa parceria com a classe empresarial”, frisou Ana Paula Rios.
Ela adiantou que o antigo prédio, que funcionava como anexo do CEMFRA, foi totalmente reformado e adaptado para receber os profissionais, familiares e as crianças com autismo.

No local foram construídas salas de recepção, sala de fonoaudiologia, sala de reuniões, sala de avaliação, cozinha, quarto, jardim e um galpão em concreto para futura ampliação do espaço.
“Absorvemos a luta e o sentimentos das mães, e o resultado está aqui”, disse emocionada a psicóloga.

Acolhimento
Representando as mães das crianças, a dona-de-casa Maria Nunes de Amorim, que tem um filho de sete anos de idade com autismo, agradeceu a todos pela inauguração do espaço.
“Só nós (mães) sabemos o sofrimento e a angústia de lidar com esse problema, mas vocês abriram seus corações e acolheram a gente e os nossos filhos”, declarou.

A Secretária de Saúde, Aurélia Fernandes, disse, na ocasião, que a Prefeitura de Arapiraca entregava e oferecia mais um serviço de qualidade para o povo.

“Isso aqui é a prova de que o SUS pode dispor de serviços modernos, com qualidade e, acima de tudo, com o trabalho de pessoas comprometidas com a saúde das crianças e famílias”, acrescentou, agradecendo também o apoio da iniciativa privada.

Aurélia Fernandes falou da sensibilidade do prefeito Luciano Barbosa como gestor público. “Ele compreende as nossas apreensões e necessidades, e tem dado total apoio para a realização de um trabalho digno e que tem colhido muitos frutos”, afirmou a secretária.

Capacidade
Em seu pronunciamento, o prefeito Luciano Barbosa saudou as mães das crianças e parabenizou a equipe de psicólogas da Secretaria de Saúde. “Sinto orgulho de ser prefeito de Arapiraca e contar com servidores capazes, ousados, competentes e comprometidos com a melhoria constante da qualidade de vida de nossa população”, enfatizou.

“A inauguração deste espaço prova que é possível contar com o apoio do setor privado para avançarmos em nossas ações por uma cidade mais saudável e cada vez melhor. Isso serve de exemplo, desde o trabalho do gari até o prefeito, que juntos fazem o que podem para enfrentar os desafios e oferecer ao cidadão uma vida mais digna e com qualidade ”, completou Luciano.

Após o pronunciamento das autoridades, o padre Geraldo Freire abençoou as instalações do prédio e, em seguida, prefeito e secretária descerraram as placas de inauguração do Espaço Trate.

Pioneirismo
O trabalho com nove crianças autistas começou em maio deste ano. As psicólogas resolveram adotar o Sistema de Comunicação pela Troca de Figuras (Picturing Exchanging Communication System) e vêm obtendo resultados altamente satisfatórios, sendo, inclusive, referência em todo o País, sensibilizando o Ministério da Saúde, que também decidiu aplicar recursos para manutenção do projeto.

O PECs foi originalmente desenvolvido para crianças do espectro do autismo em idade pré-escolar, mas está atualmente sendo usado por crianças e adultos com transtornos do espectro do autismo e outros diagnósticos que apresentem dificuldades com a fala e a comunicação.

O PECS é dividido em 6 fases. Na 1ª fase, o objetivo é o de permutar a figura. Mais tarde a criança aprende a generalizar essa habilidade de forma que possa se comunicar com um grande nº de pessoas diferentes, em diferentes lugares e por diferentes motivos. Eventualmente, a criança poderá produzir sentenças com as figuras em uma “tira” de sentenças e poderá expandir o vocabulário.

O PECS dá à criança a possibilidade de expressar suas necessidades e desejos de uma maneira muito fácil de entender. Muitas crianças que começaram a utilizar o PECS também desenvolvem a fala como um efeito colateral, claro que é um efeito colateral muito agradável!

A ideia da Secretária Aurélia Fernandes, com o aval do Prefeito Luciano Barbosa, é ampliar, no próximo ano, o Espaço Trate para o acolhimento e atendimento a mais famílias e crianças com autismo.

Re-publicação, em 07 de dezembro  de 2011.

Fonte:
Departamento de Imprensa da Prefeitura Mun. de Arapiraca,
em 07 de dezembro  de 2011.
 
AUTISMO / Venha Conhecer Este Mundo ( Sinopse )
Por Izabelle Targino ( 18 de dezembro de 2011 )Em Arapiraca/AL, crianças com o distúrbio ganham tratamento gratuito
pelo SUS ( Sistema Único de Saúde ) em clínica exclusiva.

Ousadia, Determinação e Pioneirismo
Todo o trabalho das psicólogas Ana Paula Rios, Luana de Freitas, e da
Terapeuta Ocupacional Sílvia Sobral é feito com as famílias. De início,
as pessoas eram atendidas numa sala do Centro de Reabilitação. Com o
aumento da procura e sentindo a necessidade de um espaço maior para
realizar o tratamento, as três profissionais de saúde decidiram se
mobilizar.

Com a ajuda de mais de 40 empresários do Município, as médicas
conseguiram reformar e mobiliar uma casa que funcionava como
depósito, ao lado do Centro de Reabilitação. Assim nasceu o Espaço
Trate, o único espaço público para tratamento de autismo pelo SUS
(Sistema Único de Saúde ).

O espaço conta com salas de avaliação e de treinamentos, cozinha,
quarto, banheiros. Tudo foi feito para que as famílias e crianças se
sintam como se estivessem em casa. A prefeitura é responsável por
toda manutenção e apoio profissional.

Para uma segunda etapa do projeto, um galpão já foi doado, onde,
futuramente, será construído um espaço para atividades de fisioterapia,
interatividdade, entre outros.

Tratamento Desenvolvido Junto Com as Famílias
Todo o tratamento de autismo desenvolvido pela equipe do Trate
começa com as famílias. A avaliação do caso é feita através dos
depoimentos e, principalmente, das queixas feitas pelos pais.

A partir daí, elas são acolhidas, e em seguida é feito um trabalho
psicoeducativo, o qual os pais são informados e começam a conhecer
o distúrbio e suas principais características. De acordo com Ana Paula,
uma fase importante do tratamento é fazer o ‘luto’ daquele filho. “Antes
de tudo, a gente vai fazer com que o pai e a mãe façam ‘luto’ do filho
tão esperado e que não nasceu da maneira que imaginavam. Em
seguida, começamos um trabalho de reconhecimento deste ‘outro
filho’, que é apenas diferente”, explicou a psicóloga.

Os trabalhos desenvolvidos pelas médicas tiverram início em maio,
com oito mães e nove crianças. Em setembro, o espaço começou a ser
reformado, se tornando hoje um local que proporciona uma melhor
qualidade no atendimento aos pacientes.

Sistema de Comunicação Por Troca de Figuras
O projeto do Espaço Trate é: “Uma Imagem Vale Mais Que Mil
Palavras”. A proposta é trabalhar com o treinamento de troca de
figuras. O modo usado é o PECs ( Sistema de Comunicação Por Troca
de Figuras ). As PECs são placas coloridas com fotos dos alimentos
consumidos diariamente na rotina de cada família.

Diagnosticar o Problema é o Mais Difícil
Segundo as psicólogas idealizadoras do projeto, hoje o que se busca
com relação a estudo é o diagnóstico precoce. Elas admitem que não é
fácil identificar uma criança autista, mas é possível.

As principais características do distúrbio são a dificuldade da fala, da
interação na comunicação e no comportamemto. Essas três
características comprometem seriamente a vida do paciente. Ele não se
comunica, não interage e ainda tem o comportamento muito restrito. É
aquela criança que tem dificuldade de imaginação. Ás vezes elas
brincam com uma tampa, um pedaço de madeira.

Dificuldade de Identificação do Problema
Pela dificuldade de identificação do distúrbio, e até falta de
conhecimento, muitas famílias asssociam essas características a
alguma coisa que aconteceu, algum trauma. Pode existir a
eventualidade de existir o fato, mas não é o que causa o distúrbio do
autismo.

Os médicos também não têm facilidade para diagnosticar o distúrbio
porque até o momento não existe nenhum exame específico.

Para as mâes, o grande problema é entender o que é o distúrbio e
assumir que o filho tem outro modo de viver, e que o autismo acaba
sendo um estilo de vida. As famílias que descobrem o distúrbio cedo e
fazem o acompanhamento, reagem de maneira diferente

Mesmo participando dos grupos terapêuticos e tratando os filhos,
muitas mães ainda não se conformam com o modo diferente dos filhos.
Mas Nadir Coelho, mãe de Samuel Coelho, de 5 anos, pensa diferente.
“Como faço parte do grupo de mães, o autismo hoje não incomoda. Eu
conseguí compreender a maneira de meu filho e me adaptei”.

[ Fonte: Jornal “O Jornal”, 18/12/2011 ]

[ Editado por Pedro Jorge ]

 
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