João Lúcio da Silva


João Lúcio da Silva

 

BIOGRAFIA – Por  Zezito Guedes

Uma pessoa que não poderia ficar sem o merecido registro no livro “Arapiraca através do tempo” é sem dúvida a figura carismática do político João Lúcio da Silva, um homem simples, de origem humilde, que nasceu no sítio Caititus na zona rural de Arapiraca-AL, o terceiro filho do agricultor Salustiano José Dos Santos, mais conhecido por “Lúcio” e de Maria Josefa de Melo, cuja vida foi marcada por uma série de circunstância adversa.

Órfão de mãe aos oito anos passou a ser criado com os oito irmãos menores, por seu tio Pedro Correia das Graças, um homem generoso e altruísta que acolheu os filhos de sua irmã numa hora difícil. Com essa idade João Lúcio teve que ir para roça com os irmãos mais velhos Manoel e José Lúcio de Melo, trabalhar alugado nas terras de João Nunes Magalhães para ajudar ao velho Salustiano dos Santos, a criar sua numerosa prole, já casado pela segunda vez.

Era na época da mandioca, em 1928 plantava-se ainda pouco fumo e a mão obra NASA casa de farinha era intensa, exigia muitos trabalhadores na fase da colheita. Aos quatorze anos, João Lúcio já derramava seu suor nas rodas da casa de farinha e foi uma criatura que não soube o que era infância e nem adolescência, conheceu somente o que era trabalho.

Em 1932, aos dezoito anos, tentando encontrar uma saída para aquela vida de sacrifício no trabalho alugado, arranjou um emprego na empresa de Antônio Apolinário, em substituição a seu primo Marciano Ferreira que perdera um braço num acidente e João Lúcio ficou em seu lugar. Nessa mesma fase, seu irmão José Lúcio Melo, conseguiu um emprego de balconista na loja de Luis Pereira Lima.

Mais adiante, no dia 22 de janeiro de 1936, João Lúcio contraiu matrimônio com Inês Nunes da Silva, uma prendada jovem filha de Antonio Nunes da Silva e Antônia Madalena da Conceição, ficando Inês órfã aos seis anos, passando a ser criada por seu tio Antonio Ventura, um pequeno comerciante que morava na rua do comércio e mantinha em sua guarda umas criações de cabras herdadas por Inês. Com o casamento seu pai adotivo vendeu as criações e comprou trinta tarefas de terra no sítio Cavaco, onde João Lúcio com muito sacrifício construiu uma casa de taipa, com a madeira que cortara na Serra da Mangabeira e onde o jovem casal passou residir.

Nessa fase, em 1936, João Lúcio deu os primeiros passos no cultivo de fumo, incentivado pelos cunhados Antonio Ventura de Oliveira, João Alexandre e outros parentes. Aos poucos foi prosperando com a nova cultura e quatro anos depois em 1940, com as economias do curral de fumo, se estabelece com uma pequena mercearia e nesse mesmo ano constrói um bangalô, no lugar da casa de taipa, onde o casal e os quatro filhos Elisene, Luisa e Bernadete, passam a residir.

A Essa altura, início da década de 40, João Lúcio aproveitando a especulação, passa a investir no comércio de fumo em corda e vai melhorando a cada ano a sua situação econômica, faturado com a mercearia onde José Cândido ajudava e armazenando o fumo para aproveitar a alta do preço do produto. Nasceram ainda no cavaco os filhos Narciso, Ana Alice Dulcineia, Felício e Florisval. Enquanto seu irmão José Lúcio de Melo em 1944, instala a “fábrica de charutos Lêda” e mais adiante, ingressa na política partidária e na eleição de 1947, elege-se vereador pela UDN, fazendo oposição ao prefeito Luis Pereira Lima, eleito pelo PSD, com o apoio do Governador eleito Silvestre Péricles de Góes Monteiro.

A essa altura, a família Lúcio não era vista com bons olhos pelos políticos da situação e a rivalidade se consolida com injusta prisão de José Lúcio da Silva e se agrava com o tiroteio ocorrido no Cartório do Tabelião João Ribeiro Lima em fevereiro de 1948.

João Lúcio permaneceu no sítio Cavaco, cuidando de suas atividades e para evitar confrontos, poucas vezes vem ao centro da cidade. Todavia, mantém-se a frente do reduto eleitoral, apoiando o irmão José Lúcio de Melo, líder da UDN na câmara de vereadores. Com a eleição de Claudenor Lima, em novembro 195 para Deputado Estadual, diversos membros da família Lúcio homens de índole pacifica, tiveram que se ausentar de Arapiraca, temendo ser assassinados. Em fevereiro 1954 o Deputado Claudenor Lima envolve-se no tiroteio com a polícia do Major Vicente Ramos e acusa os “Lúcio” de cúmplices.

Apesar desse clima de tensão, na eleição de 1954, os Lúcios conseguem eleger o Deputado Marques da Silva além de José Lúcio de Melo e seu primo José Pereira Lúcio – “Lucinho” como vereadores pela UDN. A política do município começa a tomar um novo rumo, com a renúncia do prefeito Dr. Coaracy da Mata Fonseca, que faz concurso para Juiz de Direito e se afasta da política. Como não havia vice-prefeito, assume o cargo de prefeito o presidente da Câmara Municipal, José Pereira Lúcio, em 15 de setembro de 1955.

Os dirigentes da UDN, liderados pelo deputado José Marques da Silva e pelo vereador José Lúcio de Melo (que mestre em articulações nos bastidores) numa manobra hábil retornaram o Prefeito interino José Pereira Lúcio para a Presidência da Câmara de Vereadores, formando assim a maioria no Poder Legislativo. Recurso este que foi usado para eleger o dentista Dr. José de Souza Guedes (que entrou na “fogueira”), para tomar a liderança do município dos políticos do PSD.

Para a eleição de novembro de 1955, a UDN lança João Lúcio da Silva como candidato a Prefeito de Arapiraca e apesar da violência instalada em vários pontos do Estado, o eleitorado de Arapiraca elegeu o “sizudo” João Lúcio da Silva para Prefeito do município de Arapiraca, para a gestão de 56 a 60, quando passa a residir na Praça Marques da Silva onde nasceu seu filho caçula Carlos Hamilton.

Em dezembro de 1956, foi assassinado o vereador Benício Alves de Oliveira e recrudesce a violência no município de Arapiraca. O Deputado Marques da Silva passa a denunciar da Tribuna da Legislativa Assembleia a morte do vereador e compadre Benício Alves e em fevereiro de 1957 foi trucidado em praça pública. Todavia, apesar do clima de violência que imperava em Arapiraca, o prefeito João Lúcio da Silva elegeu o vereador “Lucinho” para Deputado estadual em 1958 e em 1960, após o assassinato de Hugo Lima, em fevereiro, em novembro João Lúcio elegeu seu sucessor Francisco Pereira Lima para prefeito na gestão 1961 a 1965. Em 1962 elegeu José Lúcio de Melo para Deputado Estadual.

Em 1966, João Lúcio da Silva passou a comandar os destinos de sua terra, para mais um mandato e elegeu novamente José Lúcio de Melo para Deputado Estadual em mais dois mandatos seguidos. Mais adiante, em 1974 elegeu seu filho Narciso Lúcio para deputado estadual. E para culminar a sua carreira política, em 1980, foi eleito suplente na chapa do senador Arnon de Melo que saiu vitorioso com a votação de João Lúcio no Agreste alagoano.

Com o falecimento do ex-governador Arnon de Mello, o carismático político João Lúcio da Silva, para orgulho de Arapiraca, assumiu o mandato de senador da República.

E finalmente, a sua vida de lutas chegou ao fim no dia 17 de julho de 1985, quando o povo de Arapiraca lhe prestou a sua última homenagem ao GRANDE LÍDER

 

Fonte: Livro “Arapiraca Através Do Tempo”,  (1999)
Autor: Zezito Guedes.

Pesquisa: Blog Arapiraca Legal.

 

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4 Respostas para “João Lúcio da Silva

  1. O homem Joao Lúcio agigantava-se na sua simplicidade. Tornou-se uma reserva moral da extensa região onde vivia. Sem abandonar seus hábitos de pessoa humilde, galgou posições de destaque no seu Estado, levando a família Lúcio à hegemonia política de Arapiraca e vários municípios alagoanos. Indiferente aos obstáculos que lhe causavam partencer ao bloco de oposição, foi sempre o líder a conduzir sua gente. É inegável, sob todos os aspectos, o trabalho de João Lúcio no desenvolvimento de Arapiraca. A cidade é hoje um orgulho para o Nordeste, estando preparada para o futuro grandioso que caminha ao seu encontro. Em cada rua, em cada praça sente-se a presença do homem que dedicou sua vida à cidade que tanto amou. Cada arapiraquense que se orgulha de nela ter nascido deve saber quem foi esse grande homem e dar-lhe o valor merecido. João Lúcio é um nome integrado à história e ao progresso da grande cidade. Agradeçamos ao velho Senador.

  2. Gostaria de saber se o nome dele era só esse, porque meu tio, nascido em pernambuco e hj morando no Rio de Janeiro, chama-se João Lúcio da Silva. Seriam eles parentes. meu nome tb tem Lúcio da Silva.

  3. Deve haver um engano quanto a João Lúcio da Silva ter sido senador com a morte de Arnon de Melo, pois quando Arnon morreu quem ficou com sua cadeira foi Carlos Lira.

  4. João Rocha
    Ex-prefeito por duas legislaturas e senador (PDS), João Lúcio da Silva deixou sua marca como grande político e empreendedor autêntico na historia de Arapiraca, sua terra natal. Lúcio assumiu o senado em substituição a Arnon de Mello na década de 1980. Faleceu em 1985.

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