ARTISTAS DE ARAPIRACA III (1)

CAPÍTULO 1

 

REGIONAL, FOLCLÓRICO E INSTRUMENTAL

 

Crédito da foto: portal SESC/RS (Serviço Social do Comércio do Rio    Grande do Sul).

 

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CAPÍTULO 3 – REGIONAL, FOLCLÓRICO E INSTRUMENTAL

 

3.01 l  BANDA DE PÍFANOS OS AMBRÓSIOS [ Instrumental ]

No Nordeste brasileiro ainda se encontram as tradicionais bandas de pífanos, sendo compostas por dois pífanos carros-chefes, acompanhados em geral por um surdo, um tarol e um bombo ou zabumba, além de outros pífanos. O início da Banda de Pífanos os Ambrósios foi com os tios e o pai do Sr. José Ambrósio da Silva que começaram tocando apenas o pífano, foi quando o dono da banda de pífanos, João Ambrósio, resolveu modificar a formação colocando cinco participantes. Com a banda de pífano formada, os Ambrósios começam a ficar conhecidos e a fazer festas em diferentes localidades como Batalha, Major Izidoro, Craíbas, Cacimbinhas, Arapiraca, Palmeira dos Índios (AL) e outras cidades.

Quando Manoel André foi trazer a imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho que se tornou a Padroeira do local onde morava, Arapiraca convidou a banda dos Ambrósios para acompanhar e fazer a festa em frente à Capela que ficou a Santa. Desse momento em diante a banda de Pífanos os Ambrósios anima a Festa da Padroeira da antiga Capital Brasileira do Fumo.

As principais festas que a banda tocava, em Arapiraca, anualmente eram nas festas da Padroeira (os) dos bairros Cacimbas, Alto do Cruzeiro e Centro. Atualmente, participa apenas da festa do Centro, na área interna da Concatedral N. Sr.ª do Bom Conselho. A Banda de Pífanos os Ambrósios se apresenta todos os dias festivos (de 23 de janeiro a 2 de fevereiro).

Homenagens (Banda de Pífanos os Ambrósios):

1 – “Remanescentes dos escravos vindos da África, fixou no interior dos estados de Alagoas e Pernambuco, a Família Ambrósio, composta de agricultores. Desde dedo dedicaram-se a música folclórica do zabumba – que era o encanto do povo do Sertão e, revelaram-se exímios tocadores, atuando nas festas da região com muito sucesso. Manoel André construiu a primeira Capela do então povoado de Arapiraca, em 1864. No ano seguinte ao inaugurá-la contratou, em Palmeira dos Índios (AL), o Terno de Zabumba dos Ambrósios para acompanhar a imagem que vinha de Bom Conselho (PE). Dessa época até os anos atuais continuam tocando (uns sucedendo os outros) com regularidade da Padroeira. Assim, a primeira geração de zabumbeiros tocou nos primeiros anos da Terra de Manoel André e Esperidião Rodrigues. A segunda geração dos Ambrósios tocou até o ano de 1930. A terceira tocou no Novenário de Nossa Senhora do Bom Conselho até 1965 e, a partir dessa data, já continua tocando na festa a quarta geração dos Ambrósios. O simples fato dessa modesta família de músicos animar as festas da cidade, merece um registro especial – não só pela dedicação, mas pela ação contínua através dos anos. Assim, com muita justiça, essas quatro gerações dos Ambrósios passam, automaticamente, a fazer parte da história da antiga Capital Brasileira do Fumo. ” – (Zezito Guedes – historiador, folclorista, artista plástico e membro da ACALA)

2 – “Sua denominação varia, a sua composição também tem sensíveis diferenças, mas seus instrumentos básicos são dois pífanos, um surdo, um tarol e um bombo ou zabumba. Assim está formada a banda descendente da tradição musical centenária dos Ambrósios.” – (Marcelo Amorim, jornalista arapiraquense)

3 – “Nós, arapiraquenses, devemos tratar os componentes deste tradicional terno de zabumba com muito carinho, pois eles tocam na Festa da Padroeira Nossa Senhora do Bom Conselho, recebendo apenas uma pequena contribuição. Eles são testemunhas vivas do passado de Arapiraca! ” – (Januário Leite/Janu, produtor cultural e músico)

Fontes: sites Zoio TV – Marcelo Amorim, Grupo de Pesquisa Nordestanças/UFAL – Mapeamento do Patrimônio Cultural do Agreste Alagoano e Wikipédia – redações; livro Arapiraca Através do Tempo (1999) – Zezito Guedes e jornal Jornal de Arapiraca – Januário Leite/Janu.

 

3.02 l  BEREGUEDÊ (PEDRO ANTÔNIO LINO, in Memoriam ]

Em toda pequena comunidade nordestina, motivada pela presença do povo simples, se manifesta as verdadeiras tradições folclóricas. A localidade conhecida antigamente por Alto do Cangurú, constituía um importante celeiro de manifestações populares. Era lá que o povo trabalhava durante o Inverno e brincava na fase de Verão, porque naqueles tempos tinha de tudo para o povo humilde se divertir. No Alto do Cangurú, moravam os Matias que vieram de Anadia (AL), em 1925, e fizeram suas casas de taipa dançando coco.

Em 1929, chegou o Negro Lídio (da Gamaleira) remanescente de escravos que ensaiou um quilombo. Mestre Tôta também ensaiou um reisado dançando nos fins de ano. Realizavam forró quase toda semana. As destaladeiras de fumo cantavam que nem cigarra na colheita de fumo e, de quebra, ainda tinha o zabumba de Mané Gordo que tocava nas Festas de Santo.

Naquela época, brincava naquela localidade, Pedro Antônio Lino (filho de Seu Antônio Lino): um cantador de rojão de eito e que fazia travessuras na rua. Misturado com a molecada, jogando bola de meia e apreciando os folguedos do Alto do Cangurú, o garoto foi crescendo naquela vida descontraída. Nesse ambiente, o que mais lhe chamava a atenção era o Terno de Zabumba, que ele costumava acompanhar, ouvindo principalmente a percussão dos instrumentos de couro, pois, o toque da caixa lhe deixava fascinado. E, de tanto ouvir tocar a caixa, ele fez uma comparação à sua maneira: o som que saia do instrumento era exatamente este – “Be-re-gue-dê, be-re-gue-dê, be-re-gue-dê…”. Logo a meninada da localidade apelidou Pedro Antônio de Bereguedê. Ele ficou rapaz, jogou futebol durante anos no (extinto) Ipiranga; depois foi para o estado de São Paulo, onde residiu por muito tempo e retornou para sua terra natal.

Homenagens (Bereguedê/Pedro Antônio Lino):

1 – “Foi do meu pai, Pedro Antônio Lino – o Bereguedê; que herdei a vida boêmia, o gosto pela música e pelas coisas boas da vida… Hoje, 22 de maio de 2016, faz exatamente 14 anos que ele se foi… Parece que foi ontem!” – (Dira Lino, intérprete e instrumentista)

2 – “Bereguedê, foi um matuto que mesmo não sendo alfabetizado, honrou o torrão onde nasceu e teve mais cortesia e boas maneiras que muitas pessoas com o nível universitário!” – (Zezito Guedes, historiador, folclorista e membro da ACALA)

Fontes: livro Arapiraca Através do Tempo (1999) – Zezito Guedes e Facebook Dira Lino.

 

3.03 l  BRILHANTES DAS CAVALGADAS [Aboio e Toada]

“Eu canto por amor, pois a minha arte é o meu divertimento. Me sinto bem quando me apresento nas festas de Pega de Boi no Mato, Vaquejada, Cavalhada e em outros locais, ao lado de meus companheiros: Antônio Sobrinho e Nego Aboiador.” – (Zominho)

Os três cantores de aboio e toada: Zominho Aboiador, Antônio Sobrinho e Nego Aboiador são legítimos representantes da cultura de raiz dos vaqueiros nordestinos. Eles formam o atuante e conceituado trio Brilhantes das Cavalgadas.

Zominho Aboiador – Vamos começar apresentando a história de Manoel Fernandes Neto, o Zominho Aboiador. Ele nasceu no povoado Lagoa do Curral, pertencente a cidade de Palmeira dos Índios (AL), em 12 de fevereiro de 1945. É filho da Sra. Maria e do Sr. Dativo Fernandes da Silva (in memorians). Ele é desquitado de sua primeira esposa, há 40 anos, com a qual teve dois filhos: Edson e Edlane Fernandes da Silva. Depois da separação de sua segunda companheira há 20 anos, ele com a atual companheira é pai de cinco filhos: Andreza, Andréa, André, Juliana e Daiane Fernandes da Silva, além de seu filho adotivo, Joel de Oliveira.

Ainda jovem descobriu o ritmo das toadas, mas só investiu na carreira de cantor de vaquejada, aos 48 anos de idade, quando formou dupla com o seu sobrinho, Givanildo Fernandes da Silva e, começou a cantar durante três anos aboios e toadas em diversos bares de Arapiraca (AL) e em festas de vaqueiro, em 1992. Depois formou dupla com Antônio Sobrinho (também seu sobrinho), durante 14 anos, e em trio a partir de 2009, com Antônio Sobrinho e Nego Aboiador. Só a partir de formar dupla com Antônio Sobrinho, foi que ele começou a participar como convidado em Pegas de Boi no Mato – um tipo de competição em que os vaqueiros participantes usam um traje, popularmente chamado de incorados: usando jibão, chapéu de couro e perneiras, e os cavalos uma proteção, chamada peitoral. Em 2001, Zominho Aboiador gravou seu primeiro CD com Antônio Sobrinho e já lançou vários CDs independentes, na formação de trio com Antônio Sobrinho e Nego Aboiador. Suas principais composições são: O Sofrimento de Uma Mulher, A Batida de um Caminhão, Moça Namoradeira e Eu Nasci no Meu Sertão (todas em parceria com Antônio Sobrinho).

Antônio Sobrinho – Antônio Ramos da Silva, o Antônio Sobrinho (sobrinho de Zominho Aboiador), aprendeu a ter gosto pela cultura popular com o pai, José Ramos de Oliveira Filho, cantor de pagode e coco, que também tocava violão nas apresentações de reisado. Aos 13 anos de idade ficou encantando com as toadas de Vavá Machado & Marcolino que ouvia no rádio e passou a admirar ainda mais quando viu a apresentação da dupla em festas de vaquejada e corridas de mourão, e a partir daí passou a cantar toada junto com o irmão, Manoel Ramos, na época com 12 anos. A dupla teve o total apoio do pai que deu liberdade para que fossem cantar em festas da região. A união durou até 1995, quando o irmão decidiu ser zagueiro do Grêmio do bairro Caititus – time de futebol amador de Arapiraca.

Em 1985, Zominho e Givanildo desfizeram a dupla de toada e como Antônio também ficou sem parceiro, seu tio, Zominho, o convidou para formar uma nova dupla. Antônio Sobrinho & Zominho Aboiador passou a ser conhecida como Os Faceiros do Gado. O sucesso da dupla de toada rendeu vários convites para participar das festas de Pega de Boi no Mato, Corrida de Mourão, Vaquejada, Cavalgada e Cavalhada; o que tornou a dupla conhecida em toda as regiões do Sertão e Agreste alagoano. De 1995 a 2000, a dupla gravou quatro K7s que eram vendidas nos shows, mas o primeiro CD só foi gravado, em 2001, quando a dupla passou a ser divulgada nas emissoras de rádio.

Nego Aboiador – Em 2004, Nego Aboiador convidou Antônio Sobrinho para participar da gravação de seu CD, a parceria deu tão certo que Nego passou a compor um trio com Zomimho Aboiador e Antônio Sobrinho, deixando então de existir os Faceiros do Gado para dar lugar ao Brilhantes das Cavalgadas. O trio passou a realizar vários shows, mas um problema de saúde fez Zominho se afastar por alguns anos dos palcos, mesmo assim o nome foi mantido em homenagem e respeito a Zominho Aboiador.

Entre 2005 e 2012, foram gravados mais três CDs de Antônio Sobrinho & Nego Aboiador, a última gravação em 2012, contou com a participação de Zominho que totalmente recuperado voltou a fazer shows. Em 2013, os Brilhantes das Cavalgadas receberam premiação da Secretaria de Cultura de Arapiraca em reconhecimento a preservação das cantorias nordestinas, e em junho de 2014 o trio estava entre os artistas convidados para abrir oficialmente o São João de Arapiraca.

Fontes: jornal Tribuna Independente (box Cultura da coluna Agreste) – Lourdes Rizzatto e blog Arapiraca Legal – Pedro Jorge.

 

3.04 l  CURIÓ & VERDE LINHO [ Embolada ]

“Nós, artistas arapiraquenses, precisamos de mais espaços para mostrarmos os nossos trabalhos artísticos e de mais apoio para que possamos divulgar nossa arte. Reivindicamos um espaço na praça Marques da Silva, onde outrora sempre nos apresentamos. Precisamos continuar desenvolvendo e divulgando a autêntica arte da embolada. Alguns projetos foram apresentados por nós, com a contribuição de simpatizantes para participação em encontros da categoria, mas devido à falta de apoio do poder público, ficamos de fora!” – (Curió)

A antiga dupla de emboladores, Curió & Verde Linho, foi formada na cidade de Arapiraca (AL) no início de 1970 – quando ambos fixaram residência na Terra do ASA “Gigante” -, Curió vindo de Cacimbinhas (AL) e Verde Linho de Canhotinho (PE). Eles permaneceram juntos de 1970 a 1983 – ano em que Verde Linho foi residir, em Maceió (AL) -; formando na capital alagoana a dupla Verde Linho & Jaçanã e o parceiro Curió, nesta mesma época, continuou morando na Terra de Manoel André e Esperidião Rodrigues – participando da dupla Curió & Lavandeira. Somente em 2006, eles retornaram a parceria, em 2006. Os veteranos artistas Curió & Verde Linho formaram uma das duplas de emboladores mais famosas e respeitadas de nossa região.

Eles já registraram uma participação especial no DVD idealizado, produzido e apresentado por Afrísio Acácio no prestigiado projeto Cultura na Praça. Os emboladores, geralmente, exercem a sua atividade artística em praças públicas. Verde Linho diz que não se consegue sobreviver somente com as apresentações ao ar livre, através das doações dos espectadores.

Curió – Geraldo Evaristo da Rocha, o popular Curió, nasceu na cidade de Cacimbinhas no dia 20 de abril de 1949. Está radicado em Arapiraca desde 1970 – ano que conheceu o parceiro Verde Linho -; formando assim a (antiga) dupla de emboladores Curió & Verde Linho. Curió tem em seu currículo várias apresentações, ao lado de Verde Linho e de outros parceiros, em diversas cidades de nosso país: Quatipuru (PA), Aracaju (SE) e, em outras localidades. Ele já participou de um comercial de TV, divulgando o Fumo Coringa; se apresentou no programa televisivo Terreiro da Fazenda, apresentado por Clemilda (1936-2014), em Aracaju (SE); na inauguração da Rádio Gazeta FM – Arapiraca; e, em outros importantes eventos artísticos-culturais. Curió é casado com D. Josefa Maria da Rocha e, é pai de seis filhas: Francisca, Sandra, Gilvaneide, Miriam e Maria da Rocha.

Verde Linho – Francisco de Assis Gomes, popularmente conhecido por Verde Linho, nasceu no município de Canhotinho (PE), no dia de 12 de maio de 1958. Chegou em Arapiraca em 1970, ano que foi formada a famosa dupla de emboladores Curió & Verde Linho. Ao lado de Curió e de outros parceiros, Verde Linho, teve a oportunidade de se apresentar em congressos e festivais de emboladores em diversas cidades de vários estados brasileiros: Campina Grande (PB), Recife (PE), Maceió, entre outras. Verde Linho é viúvo de Marlene Francisca da Silva e, é pai de dois filhos: Cícero Francisco e Eliane Vitória.

Homenagem (Curió & Verde Linho):

“Os emboladores cantam o céu, a terra, o fogo, a água e o ar, e mesmo assim não recebem o devido apoio, enquanto cantores que pouco valorizam a cultura, enriquecem apenas fazendo alusão em suas músicas ao sexo e a sentimentos que tornam o homem inferior em sua própria condição de existência: traições, vulgarização da mulher etc.” – (João Caboclo-Linho de Alagoas, in memoriam)

Fonte: blog Arapiraca Legal – Pedro Jorge.

 

3.05 l  DESTALADEIRAS DE FUMO DE ARAPIRACA DA CANAFÍSTULA & JABABOYS [ Folclórico ]  

“É uma alegria ver a cultura da região ser levada para outros lugares. Onde as mulheres chegam, são bastante elogiadas e isso está sendo muito importante para a autoestima delas e até para a saúde!” – (Mariângela Lopes Barbosa, coordenadora do grupo Destaladeiras de Fumo de Arapiraca da Canafístula & Jababoys)

Na reportagem publicada, em 16 de setembro de 2014, no site G1/AL assinada por Carolina Sanches é relatado com primazia o trabalho do grupo folclórico Destaladeiras de Fumo de Arapiraca da Canafístula & Jababoys. Na matéria consta que o cultivo do fumo para a produção de tabaco foi a principal atividade econômica por mais de cinco décadas na (antiga) Capital Brasileira do Fumo. Além das plantações e dos varais onde a produção era colocada para secar, também chamavam a atenção os salões onde o fumo era destalado (retirada do talo), permitindo que as folhas pudessem ser enroladas. Neste processo, mulheres trabalhavam horas a fio nos salões ou armazéns na destalagem e seleção das folhas para formar o rolo. Em meio ao trabalho árduo de bater e enrolar as folhas, elas criaram cantos e versos que ficaram conhecidos como cantigas de salão de fumo. A atividade, que surgiu de forma natural, se tornou um atrativo na época da colheita e acabou deixando o trabalho mais alegre e menos cansativo. Com o passar dos anos e o declínio da cultura do fumo na região, a atividade diminuiu. Para resgatar essa atividade que se tornou tradição no período da colheita, um grupo de mulheres revive as cantigas entoadas durante a destalagem.

O grupo Destaladeiras de Fumo de Arapiraca da Canafístula foi criado e conta com mulheres que trabalhavam na colheita e destalação do fumo. Elas se apresentam em Arapiraca (AL) e região, e até em outros estados. A maioria deixou o plantio do fumo há algum tempo e estava sem nenhuma atividade até que decidiu participar da ação de resgate cultural, que começou na associação do bairro Canafístula.

Depois dos ensaios e organização dos figurinos, as mulheres começaram a se apresentar em festas no bairro. Mas o sucesso foi tamanho que elas receberam convites e saíram para se apresentar em outros locais do município. Com a divulgação, o grupo foi convidado para outras cidades de Alagoas e até para outros estados. Na ocasião, elas também chegaram a gravar um CD com as canções mais populares. Com elas, se apresenta um grupo de forró pé de serra: o Jababoys que é composto por três pessoas que acompanham as mulheres durante os cantos.

Linha do Tempo (Destaladeiras de Fumo de Arapiraca da Canafístula & Jababoys):

2013 – A Terra de Manoel André e Esperidião Rodrigues foi, mais uma vez, destaque a nível nacional na área cultural, com a apresentação do Grupo da Melhor Idade e das Destaladeiras de Fumo de Arapiraca da Canafístula, em Aparecida do Norte (SP). A apresentação foi na TV Canção Nova (emissora católica).

Homenagens (Destaladeiras de Fumo de Canafístula & Jababoys):

1 – “Participar das apresentações das Destaladeiras de Fumo de Arapiraca é reviver as comemorações que viravam o dia após as colheitas. Eu acompanhei os salões de fumo e ouvia as destaladeiras cantando. Esse resgate que é feito pelo grupo é uma renovação para nós e toda a região Agreste do estado de Alagoas. Eu lembro do período de auge da colheita que sempre encerrava as safras com uma grande festa!” – (Domingos da Fonseca – Jababoys)

2 – “No auge do cultivo na região, quando o trabalho era pesado, a única diversão que eu e outras mulheres tínhamos era cantar nos salões de fumo. Continuo nos salões, mas o canto agora é só com o grupo. Com o tempo, as pessoas foram deixando de fazer versos. Por isso acho o grupo importante para que todos lembrem como era animado o trabalho no passado! Os cantos surgiram de improviso durante o trabalho” – (Severina da Silva e Maria José dos Santos)

3 – “Quando as mulheres se reuniram e começaram a lembrar os cantos e versos da destalação, percebemos que essa cultura deveria ser retomada. Que isso era uma coisa da região e não poderia ser esquecido. As mulheres começaram a reunir as anotações e lembrar dos versos que cantavam nos salões. O resultado foi uma reunião de mais de 50 cânticos, que começaram a ser ensaiados pelo grupo. A maioria já conhecia os cantos. Uma começava e logo as outras iam lembrando. O nosso trabalho foi de escolher quais músicas seriam melhores para as apresentações.” – (Mariângela Lopes Barbosa)

4 – “Parabéns para todas as destaladeiras de fumo!” – (Maria Cícera Porfírio)

5 – “Muito legal! Eu mesma já destalei muito fumo principalmente em casa. Era uma um dinheiro que ajudava muito. Mas passou o tempo e hoje é só uma lembrança boa!” – (Giselma Martins)

6 – “A partir de um mote nasciam os versinhos. Podia ser a fome, um namorico novo ou até uma briguinha.” – (Ana Xavier)

Fontes: sites G1/AL – Carolina Sanches e Minuto Arapiraca – ASCOM; jornal Tribuna Independente – Davi Salsa e Mônica Nunes e blog Arapiraca Legal.

 

3.06 l  DESTALADEIRAS DE FUMO DE ARAPIRACA DA VILA FERNANDES & MESTRE NELSON ROSA [ Folclórico ]

Destaladeiras de Fumo de Arapiraca da Vila Fernandes é um grupo formado por cinco mulheres: Josefa Correia Lima, Isabel Cipriano, Regineide Rosa, Rosália Gomes e Rosinalva Farias dos Santos; e comandado pelo Patrimônio Vivo do Estado de Alagoas, Mestre Nelson Rosa – um símbolo vivo da cultura popular alagoana. A vila Fernandes fica localizado na zona rural de Arapiraca (AL). No repertório constam – além das canções tradicionalmente entoadas na rotina da destalação de fumo -; cantigas de barreiro e tapagem de casa; rojões de eito entoados nas tarefas de roça e o pagode, música que embalava as festas em que a comunidade comemorava o chamado derradeiro dia do fumo, no encerramento da safra.

O cultivo do fumo foi a principal atividade econômica da Terra de Manoel André e Esperidião Rodrigues por mais de cinco décadas. As mulheres trabalhavam durante várias horas sentadas nos salões de fumo, destalando e selecionando as folhas ao som de cantigas entoadas para espantar o sono durante as noites.

Em uma ampla reportagem publicada no site Jangada Brasil são relatadas as origens, os caminhos percorridos e a luta pela preservação das destaladeiras de fumo (tradicional manifestação artística-folclórica-musical) da antiga Capital Brasileira do Fumo. Confira alguns trechos desta excelente matéria jornalística:

Com a expansão da cultura de fumo, em Arapiraca, a partir da década de 1920, cresceu também a necessidade de mão de obra e assim convergiram para o município trabalhadores de várias regiões do Nordeste brasileiro, que foram trazendo em suas bagagens, costumes, folguedos, crendices, cantos… Os quais foram se adaptando à primitiva cultura já existente e assim se concentrou um número imenso de cantigas que há mais de meio século são cantadas na época da colheita de fumo pelas mulheres que retiram os talos de folhas de fumo. O coco, a cantiga de roda e o reisado na Zona da Mata; o aboio, a toada, a cantoria de viola e a cantiga de eito no Sertão: todas essas manifestações folclóricas influíram decisivamente na formação das cantigas de salão de fumo que as mulheres entoam, afastando o sono enquanto destalam folhas e que, com o passar do tempo, foram adquirindo características próprias, constituindo uma manifestação do povo da (antiga) região fumageira.

Essas cantigas em forma de trovas, originalmente sem acompanhamentos musicais, são entoadas em várias vozes, formando um só coro harmonioso no estribilho, com uma só voz no improviso dos versos geralmente tirado pelas líderes do salão. E, assim, elas estimulam cada vez mais, mantém o salão em permanente alegria, evitando o tédio ou o sono usando sátiras e gracejos espirituosos que são mais das vezes interrompidos por uma algazarra geral. E, principalmente versos românticos impregnados de lirismo, o Sertão nordestino conservou talvez como nenhuma outra região brasileira e que eram geralmente dedicados pelas destaladeiras aos rapazes solteiros.

Como acontece com várias manifestações folclóricas, as destaladeiras também gostam de render homenagens, fazer louvações a lugares, a proprietários, algum visitante. Um fato curioso chama a atenção nessa pesquisa: não conseguimos registrar um só verso contendo reclamações ou desprezo pelo trabalho, não há lamentações nas cantigas da colheita de fumo, daí concluímos que existia um grande contentamento no ambiente onde elas executavam a tarefa. Convém ressaltar que muitas dessas cantigas de salão de fumo já foram gravadas com modificações da letra, da música e do ritmo. Mas, estas cantigas são anônimas – produtos da invenção do povo simples da roça. E, assim, as mulheres trabalhavam melhor durante horas à fio na destalagem e seleção das folhas para formar o rolo. O período áureo destas cantigas foram as décadas de 1940 e 50. Foram memoráveis os derradeiros dias de fumos nos salões das fazendas: Seridó, Ouro Preto e Pernambucana. Eram verdadeiras festas, com os salões enfeitados e as destaladeiras bem inspiradas com o vinho, cantando versos de despedida.

Linha do Tempo (Destaladeiras de Fumo de Arapiraca da Vila Fernandes & Mestre Nelson Rosa):

2007 – A Cia. Cabelo de Maria: Felipe Dias (violino), Lucilene Silva (voz e percussão), Renata Mattar (voz e sanfona) e Gustavo Finkler (violão e viola caipira); com participação da cantora, Ceumar, as vozes e memórias das Destaladeiras de Fumo de Arapiraca da Vila Fernandes viram CD e invadem o palco. Pela segunda vez este grupo folclórico sai de Alagoas para mostrar ao público de São Paulo a força impressionante de suas vozes. O show foi realizado, no dia 6 de dezembro de 2007, no Teatro do SESC/Pompéia-SP (Serviço Social do Comércio – Pompéia São Paulo). Mattar pesquisa cantos de trabalho há mais de dez anos. Conduziu gravações, participou de rituais e festas tradicionais, aprendeu versos e cantigas. A musicista viajou por diversas localidades de diferentes regiões do Brasil buscando comunidades que ainda trabalhassem em mutirão e que utilizassem a música na lida. O CD Cantos de Trabalho surge a partir das canções registradas em campo por ela e sua parceira, Lucilene Silva.

2009 – Com a presença de diversas autoridades e representantes dos diversos segmentos da sociedade arapiraquense, a direção do Memorial da Mulher realizou, na noite de 27 de outubro, a abertura da exposição O Canto das Destaladeiras. A mostra é composta por equipamentos de salão de fumo e fotos que registram parte da história de vida da figura feminina nos salões de fumo, bem como a criação de uma expressão cultural tipicamente arapiraquense. No encerramento o grupo das destaladeiras de fumo fez uma belíssima apresentação para o público presente.

2015/2016 – O Sonora Brasil é uma ação do SESC (Serviço Social do Comércio) para a difusão de expressões musicais identificados com o desenvolvimento histórico da música no Brasil. Em 18ª edição, apresentou os temas Sonoros Ofícios – Cantos de Trabalho e Violas Brasileiras que circulou pelo país. Destaladeiras de Fumo de Arapiraca & Mestre Nelson Rosa foi um dos grupos participantes.

Homenagens (Destaladeiras de Fumo de Arapiraca da Vila Fernandes & Mestre Nelson Rosa):

1 – “Ao lançar o CD Cantos de Trabalho, o selo SESC corrobora seu papel de apoiar o registro e a difusão da obra de artistas que possuem a faculdade de provocar rupturas e suscitar o inesperado e, ao mesmo tempo, atender ao compromisso da instituição de apoiar ações voltadas para a educação e diversidade da cultura brasileira.” – (Danilo Santos de Miranda, diretor regional do SESC/SP)

2 – “O público sai do espetáculo cantando, pois facilmente as melodias ficam fixadas na memória. Assim, já temos visto por aí algumas crianças brincando de roda com essas cantigas e, quem sabe um dia, irão lembrá-las ao embalar seus filhos, assim como fez minha mãe!” – (Renata Mattar)

Fontes: sites Jangada Brasil – redação, Prefeitura Municipal de Arapiraca – Departamento de Imprensa, SESC-Pompéia/SP – redação e Queremos Justiça/AL Notícias – Davi Salsa (com a colaboração de Mônica Nunes); informativo Sonora Brasil-Circuito 2015/2016 (SESC) – redação e blog Arapiraca Legal.

 

3.07 l  FERNANDO MELO / DUOFEL [ Instrumental ]

“Nós não estamos presos a nenhum tipo de modismo. Só temos compromisso com a música pura, com a arte. Isso é o que nos impulsiona! Aos amigos conterrâneos, o meu agradecimento pela divulgação da música da Terra das Lagoas, é muito bom saber que não estamos sozinhos nesse caminho de harmonia e felicidade. Desejamos muitas realizações e sucessos para todos!” – (Fernando Melo – Duofel, músico)

Fernando Melo nasceu no dia 9 de outubro de 1955, em Arapiraca (AL). Ele é considerado um dos melhores violonistas do nosso país. Melo é filho do Sr. José Lúcio de Melo e D. Ancila Pereira de Melo (in memorians). Cursou o Primário (atual Ensino Fundamental I) no Ginásio Nossa Senhora do Bom Conselho (hoje Colégio) e no antigo Instituto São Luiz (atual Colégio Rosa Mística), ambos da Terra de Manoel André e Esperidião Rodrigues; o Ginasial (Ensino Fundamental II), em Maceió (AL), nos Colégios Santo Antônio, Guido de Fontgalland e Eli Lemos.

Autodidata, Fernando Melo, cresceu ao som do triângulo, sanfona e zabumba e das bandas de pífano do interior. Iniciou cantando na porta do (antigo) Cine Trianon e na (extinta) Sorveteria Pinguim, em Arapiraca. Com seus dois irmãos, Flávio e Paulo, criou o The Lucius Boys, apresentando-se, com o repertório do Jovem Guarda e, ainda, dos grupos de rock internacional, em programas de calouros e festas de fim de ano.

Ao lado do paulistano, Luiz Bueno, formam o aclamado Duofel – duo instrumental cujo currículo inclui apresentações em festivais de música da Alemanha, França, EUA, Bélgica e Suíça; acompanharam a cantora Tetê Espíndola no Brasil e no exterior como instrumentistas e arranjadores, tendo assinado o arranjo da música Escrito nas Estrelas, que venceu o Festival dos Festivais da TV Globo, em 1985, e turnê pela Europa com o músico Hermeto Pascoal no ano de 1992.

Linha do Tempo (Fernando Melo):

1977 –  No início dos anos 1970, Fernando Melo se mudou para São Paulo (SP), trabalhou como músico acompanhando vários artistas. Em 1977, conheceu o paulistano, Luiz Bueno, e tocaram juntos na banda de rock progressivo A Boissucanga (Fernando no baixo e Luiz na guitarra). Depois do fim do fim do grupo, eles continuaram tocando juntos.

1978 – Melo cria com o Bueno o consagrado Duofel – parceria que até hoje se mantém. Participou, com quatro músicas e o violão de 12 cordas, de Instrumental 2, disco de Almir Sater pela gravadora Som da Gente de 1990 (prêmio Sharp de Música – 91 como melhor disco).

1996 – Com o 3º disco intitulado Duofel, Fernando Melo & Luiz Bueno tiveram cinco indicações para o Prêmio Sharp 1996 e com o CD Kids of Brazil, com arranjos do multi-instrumentista alagoano, Hermeto Pascoal, eles ganharam finalmente o Sharp.

2005 –  Melo & Bueno criaram o selo discográfico e site Fine Music, como conceito de distribuição musical do Duofel e relacionamento direto com os seus admiradores. Neste mesmo ano, Fernando Melo, lançou um trabalho solo: a caixa especial com três álbuns intitulada Alagoas em Trilogia: Forró de Violão (uma visita aos artistas de forró); Tocador (aborda o universo dos tocadores de feira com os seus repentes) e Da Lagoa pro Mar, do Mar Pra Lagoa (reúne músicos da vanguarda alagoana). A audição desta trilogia, em versão instrumental, leva a um passeio pelo cancioneiro popular alagoano. Este lançamento marca o encontro do artista, radicado em São Paulo, com as suas raízes de poeta que se encontra distante de sua terra natal.

2009 – Atendendo a pedidos dos fãs o Duofel lançou um CD com versões da banda The Beatles intitulado Duofel Plays The Beatles (Fine Music – 2009). São 11 músicas revestidas com experimentalismo e entrosamento ímpar, num diálogo instrumental que apenas os violões de Fernando & Luiz conseguem travar. Respeitada no Brasil e no exterior a música instrumental do Duofel não para de se reinventar.  Eles pretendem ampliar o seu público e tornar a música instrumental de seus violões mais conhecida.

Homenagem (Fernando Melo):

“O musicista, Fernando Melo, do duo instrumental Duofel fez carreira internacional dedilhando as cordas mágicas de seu violão e orgulha não somente os arapiraquenses, mas todos os alagoanos. Isso só demonstra que Arapiraca é, de fato, uma grande cidade!” – (Jairo José Campos da Costa – UNEAL)

Fontes: jornais Alagoas em Tempo (caderno especial Arapiraca – 87 Anos), Alagoas em Tempo e Gazeta de Alagoas – redações; site ABC das Alagoas – redação e blog Arapiraca Legal.

 

3.08 l  HERMETO PASCOAL [ Instrumental, Lagoa da Canoa (AL) ]

“Aos sete anos de idade descobri que a nossa fala é o nosso canto. O mais natural de todos, pois cada fala é uma melodia. O Som da Aura é a vibração sonora da alma de cada um, refletida pela sua fala, que faz a ligação entre mente e corpo! Muitas coisas que eu faço são inspiradas nas coisas que eu via de criança nas Feiras Livres de Lagoa da Canoa e Arapiraca, que eram os lugares onde eu ia até os meus 14 anos de idade! Não tive e nem vou ter nenhum retorno financeiro com minha obra, mas meu prazer, minha alegria, continua sendo tocar. Meu valor não são as notas de dinheiro, e sim as notas musicais! ” – (Hermeto Pascoal)

Conhecido internacionalmente como O Mago, o multi-instrumentista e compositor, Hermeto Pascoal, nasceu no dia 22 de junho de 1936, em Lagoa da canoa (AL) – na época pertencente a cidade de Arapiraca (AL). Ele é filho do (saudoso) casal D. Vergelina Eulália de Oliveira (D. Divina) e do Sr. Pascoal José da Costa (Seu Pascoal). Autodidata, desde criança interessou-se por vários instrumentos. Descobriu a música misturada à natureza que o envolvia fazendo flautas de talos de mamona e indo à casa do avô ferreiro, para ouvir o som do martelo no ferro.

Os sons da natureza o fascinaram desde pequeno. A partir de um cano de mamona de abóbora, fazia um pífano e ficava tocando para os passarinhos. Ao ir para a lagoa, passava horas tocando com a água. O que sobrava de material do seu avô ferreiro, ele pendurava num varal e ficava tirando sons. Até a sanfona 8 baixos de seu pai, de sete para oito anos, ele resolveu experimentar e não parou mais. Dessa forma, passou a tocar com seu irmão mais velho, José Neto, em forrós, festas de casamento e feiras livres; revezando-se com ele na sanfona 8 baixos e no pandeiro.

Autodidata, desde criança interessou-se por vários instrumentos. Descobriu a música misturada à natureza que o envolvia fazendo flautas de talos de mamona e indo à casa do avô ferreiro, para ouvir o som do martelo no ferro. Hermeto Pascoal, aos oito anos de idade começa a tocar sanfona e, aos 11 anos já tocava em bailes e forrós; e nas feiras livres de Lagoa da Canoa e Arapiraca. Aos 14 anos muda-se para Recife (PE), onde passa a tocar acordeão nas rádios. Depois, muda-se para Caruaru (PE) onde continua com a sanfona. A partir de 1958, quando se mudou para o Rio de Janeiro, trabalha na Rádio Mauá e, ainda, como acordeonista no Regional do Pernambuco do Pandeiro. Tocou, também, em vários conjuntos. Muda-se para São Paulo, onde mora por cerca de 20 anos, como músico de boate, formando grupos que marcariam a história da MPB após a bossa nova, tal como o Samba Brasil Trio. Aprende a tocar flauta e piano. Desenvolve uma fase experimentalista, tirando sons de molas de carros, de panelas e garrafas, entre outros objetos.

Ele é virtuose em vários instrumentos (teclados, flautas, violão, saxofone…), e utiliza em apresentações e gravações a sonoridade de garrafas, panelas, ruídos de animais etc. Compõe e executa com extraordinária criatividade e um estilo muito pessoal. Sua sensibilidade permite passar do forró ao free jazz, das partituras pré-combinadas ao improviso, com a mesma musicalidade ilimitada. É considerado um dos maiores percussionistas da atualidade, por conta de sua capacidade de extrair música de qualquer objeto, desde copos, chaleiras e brinquedos de plástico e até da fala das pessoas. Hermeto Pascoal já escreveu mais de 7.700 músicas.

Hermeto Pascoal já teve a oportunidade de se apresentar com cinco formações: Hermeto Pascoal & Grupo, HP & Aline Morena, HP Solo, HP & Big Band e HP & Orquestra Sinfônica. Atualmente, ele vive no apartamento do filho percussionista, Fábio Pascoal, em um conjunto residencial de Bangu, na Zona Oeste do Rio. Vida nova para quem passou os últimos 12 anos, em Curitiba (PR), casado com a cantora Aline Morena.

Homenagens (Hermeto Pascoal):

1 – “Além da força de sua economia, Arapiraca é rica em manifestações artísticas e populares. A Feira Livre local foi palco para o surgimento de diversos talentos artísticos regionais. A feira acompanhou o desenvolvimento da antiga Capital Brasileira do Fumo, atraindo mercadores, visitantes e artistas populares; como repentistas, cantadores, violeiros, emboladores, sanfoneiros, a exemplo de Hermeto Pascoal, considerado pela crítica como um dos maiores gênios em atividade na música mundial!” – (Zezito Guedes, historiador e folclorista)

2 – “Quando criança, a música de Hermeto Pascoal estava na fala dos adultos, no metal batido do avô ferreiro, no ritmo das gotas da chuva e na melodia dos pássaros. Antes da música, eram apenas sons. Não havia piano nem violões, rádios nem cantoria. A infância de Pascoal vivida no fim dos anos 1930, em Lagoa da Canoa, seria no mais profundo silêncio se o Bruxinho Albino não tivesse vindo ao mundo de ouvidos bem mais abertos do que os olhos. A sua música estava na fala dos adultos, no metal batido do avô ferreiro, no ritmo das gotas da chuva e na melodia dos pássaros. Quando a mãe viu seu menino tocando algo parecido com Asa Branca, em peças de ferro amarradas a um varal, correu para pedir socorro ao avô: ‘Venha, pelo amor de Deus, o menino ficou louco’. A mãe tinha razão. 80 anos se passaram e ele continua louco. Miles Davis o chamou de Crazy Albino (Albino Maluco) depois de gravar com ele duas músicas, chamá-lo para integrar seu grupo e ouvir um ‘não’ que o desconcertou para sempre. Ninguém dorme muito bem depois de dividir um palco e/ou um estúdio com ele!” – (Júlio Maria – agência Estado, jornalista)

3 – “Este nosso conterrâneo tem muita bagagem musical. O Mago Hermeto Pascoal toca muito!” – (Jacinto do Sax, músico) / 4 – “Finalmente, Hermeto Pascoal – que completou 80 anos de idade, em 22 de junho de 2016 -, ganhou reconhecimento no seu estado natal. O vereador, Cleber Costa, propôs à Câmara Municipal de Maceió a concessão ao Mago do título de Cidadão Honorário da capital alagoana!” – (Flávio Gomes de Barros, jornalista)

5 – “Hermeto Pascoal, foi e ainda é no grandioso meio artístico, um dos maiores músicos do mundo, junta-se ao Mago a nata dos maiores instrumentistas dos EUA que o conheceram a partir do primeiro Festival de Jazz de São Paulo. Um dos seus maiores shows foi ao lado da eterna Elis Regina, dando origem ao álbum duplo Montreuz Jazz (ao vivo). Ele tocou com Flora Purim, John Mclaughlin, Airto Moreira e Miles Davis e gravou vários discos nos Estados Unidos. Tive a oportunidade de conversar com ele por três vezes e pude fazer uma avaliação do homem dotado de uma imensa simpatia capaz de nos conduzir aos papos mais significativos em se tratando de música. Que Deus continue o iluminando !” – (Paulo Lourenço/Paulo do Bar)

Fontes: sites Hermeto Pascoal e ABC das Alagoas – redações; revistas Venha Ver e Época – redações; jornais Gazeta de Alagoas – redação & Júlio Maria (agência Estado) e Jornal de Arapiraca – Flávio Gomes de Barros & Paulo Lourenço/Paulo do Bar.

 

3.09 l  JOÃO DO PIFE, O REI DO PIFE  [ Instrumental, in Memoriam ]

João do Pife é o nome artístico de João Bibi dos Santos. Este saudoso e consagrado artista aprendeu a tocar ainda criança com seu pai, que tocava nas novenas, sem imaginar, naquela época, que esse instrumento musical seria seu passaporte para lugares que nunca imaginou conhecer, pois com seu pífano teve a oportunidade de viajar por todo o Brasil e pela Europa. O Rei do Pife levou o nome do estado de Alagoas para as plateias de todo o Brasil e do exterior. Ele nasceu no dia 1° de julho de 1932, em Porto Real do Colégio (AL) xxxxxxx.

O estado de Alagoas se constitui de um verdadeiro celeiro das mais diversas manifestações populares e de consagrados artistas. Um desses ícones da cultura regional é João do Pife. Ele foi considerado um gênio na arte de tocar o pífano. Aprendeu a tocar ainda criança, quando ajudava os pais nas lavouras de fumo, em Arapiraca (AL). Dono de uma musicalidade ímpar e autodidata, o menino logo começou a ganhar fama e a ser reconhecido pelo seu talento. Do final da década de 1960 até o término dos anos 1980, João do Pife viveu a fase áurea de sua carreira artística, realizando shows em todo o Brasil acompanhando o humorista, Coronel Ludugero (1929-1970), e tocando com artistas de renome nacional a exemplo de Luiz Gonzaga (1912-1989) e Dominguinhos (1941-2013).

João do Pife, tornou-se um dos principais nomes da cultura popular nordestina, gravou inúmeros discos de vinil e foi considerado por Hermeto Pascoal um gênio da arte de tocar o pífano. Teve o seu talento reconhecido pela Prefeitura Municipal de Arapiraca, recebendo das mãos do então prefeito, Luciano Barbosa, o Troféu Arraiá da Integração – em reconhecimento à preservação da música de raiz e da cultura popular. Ele faleceu na Santa Casa de Misericórdia, em Maceió (AL), no dia 6 de fevereiro de 2009, vítima de falência múltipla dos órgãos e foi sepultado no cemitério do bairro Canafístula, em Arapiraca. No momento de seu sepultamento emoção e tristeza marcaram a despedida dele. O forrozeiro, Miguel Vieira, o homenageou com um belíssimo discurso que emocionou a todos que estavam presentes. Miguel e sua esposa acolheram o músico nos últimos anos de sua vida.

Linha do Tempo (João do Pife, O Rei do Pife):

2016 – No dia 19 de junho, o Projeto Valores da Nossa Terra – através da Caravana Respirando Cultura -, homenageou a família do Rei João do Pife. A homenagem ocorreu no povoado Olho D`água dos Dandanhas (Feira Grande/AL), e contou com a presença de grandes personalidades da cultura: Afrísio Acácio do Acordeon, Derinho do Acordeon, grupo Forró Maior e o lançamento do Coco Pisado das Alagoas. Foi um dia cultural, onde foram entregues medalhas de honra ao mérito (O Rei João) aos seus familiares. Outro (a) homenageado (a) foi o forrozeiro, Miguel Vieira, e sua esposa, D. Aparecida (prima de João do Pife) – ambos cuidaram com muito amor e paciência do João do Pife, até os seus últimos dias. Este projeto é comandado pelo radialista e incentivador cultural, Sérgio Tenório.

Tributos (João do Pife):

1 – “Sou filho deste músico espetacular que por incompatibilidade pessoal com a minha mãe, se separaram quando eu tinha apenas cinco anos de idade. Tenho mais seis irmãos que também não tiveram a oportunidade de conviverem e verem a trajetória mágica que ele obteve mundo afora. Apesar da distância, sempre o admirei como instrumentista e que de uma maneira ou de outra, era meu pai e vai permanecer na minha memória, de meus irmãos e de seus netos. Espero que no Céu ele esteja muito feliz e mostrando essa genialidade que aqui na Terra, ele conseguiu mostrar pra muita gente!” – (Carlos Antônio dos Santos/Tuca, filho de João do Pife)

2 – “Sempre serei teu filho, mesmo tendo o conhecido somente quando ele tinha os seus 76 anos de idade. Tive a oportunidade de dar aquele abraço depois de longos anos e ficando lado a lado. Meu pai, João do pife, nos pediu para fazer um passeio em Arapiraca. Nunca imaginei que ele não voltaria mais. Que Deus o tenha!” – (Luiz Carlos dos Santos, filho de João do Pife)

3 – “Quando eu tinha seis anos de idade, meu pai estava definitivamente se separando de minha mãe, em 1970, após se ausentar por dois anos em razão dos shows que estava realizando. Independente do ocorrido, ele não vai ser o primeiro e nem o último músico a passar por essa trilha pois Deus sabe das coisas. Ganhei sua herança por ter o dom de tocar instrumento de corda (banjo e cavaquinho) e antes dele partir Deus me deu a oportunidade de tocar ao seu lado aos 45 anos de idade como despedida na residência de meu irmão, Luiz Carlos, e sua família após. A única recordação que tenho quando criança, era meu pai nos ensaios na sala de casa com a sua banda e o som da bateria me deixava com uma vontade louca de tocar. Enfim, entendo essa alegria de fazer as pessoas ouvirem e dançarem ao som de quem sabe tocar com a beleza de um instrumento bem tocado. Fique com Deus e descanse em paz, pai!” – (José Carlos dos Santos/Zinho, filho de João do Pife)

4 – “Para mim, João do Pife foi o maior tocador desse instrumento. Ele deixou vários LPs gravados, e participou de algumas coletâneas de forró, a exemplo da Pau de Sebo que fez muito sucesso.” – (Everaldo Santana)

5 – “A musicalidade de João do Pife permanecerá viva na memória e na história de Arapiraca para as atuais e futuras gerações!” – (Zezito Guedes – historiador, folclorista e membro da ACALA)

6 – “Sou saxofonista natural de Altinho (PE) mas fui adotado por Caruaru (PE) ainda adolescente. Desde criança fui acostumado a escutar música de verdade, ouvindo todos os dias as emissoras de rádios AMs, principalmente a Rádio Cultura de Caruaru. Destaco o programa, A Feira de Caruaru, de um dos maiores defensores da música regional. Sempre escutei o melhor humorista do Brasil, Coronel Ludugero, e a perfeição da obra do maior tocador de pífano que já conheci, o João do Pife!” – (Josenilson Amaro)

7 – “Eu e João do Pife convivemos muito tempo na década de 1960 no estado de São Paulo em shows, forrós, gravações e suas participações em meus programas de TV. Ele se apresentava dando as suas tradicionais gingadas, entremeadas ao sopro do seu pífano. Muita saudade do artista e amigo que se junta a outros astros em outras paragens!” – (Jorge Paulo)

8 – “João do Pife foi um nome expressivo e ajudou a difundir o pífano e deu a este instrumento um grande status. Arapiraca é conhecida por sua vocação com a cultura popular teve a honra de tê-lo como um dos filhos artísticos, pois ele iniciou a sua brilhante carreira nesse município. João do Pife sempre nos presenteou com uma musicalidade ímpar: suas interpretações são um verdadeiro deslumbramento através de um som mágico e fascinante. Ele foi um marco, e continua a ser, de referência quando se trata de músico instrumental, em especial um solista de pife. João Bibi era o nome com o qual assinava a maioria de suas composições. João do Pife fez parte da caravana do Coronel Ludugero, inclusive, se apresentando em outros países!” – (José Lessa Gama/Zé Lessa e Rosiane Pedrosa – site Forró Alagoano, Maceió/AL)

9 – “João do Pife foi um músico autodidata. Este exímio tocador de pífano foi filho de agricultores, começou a tocar pífano ainda criança, no povoado Olho D’água dos Dandanhas, em Arapiraca. Viveu sua época áurea nas décadas de 1970 e 80 – época na qual gravou vários LPs e acompanhou artistas renomados como Coronel Ludugero, Dominguinhos, Luiz Gonzaga, entre outros.” – (DJ Ivan)

10 – “Nunca pensei que os arapiraquenses fossem esquecer um artista tão consagrado. Ele levou ao Brasil e ao mundo o nome de Arapiraca no som de uma taboca (o pife). Reconhecido como o Rei do Pife nunca negou que era arapiraquense.  Porque não lhe homenagear em forma de monumento na cidade, em gratidão ao homem que se orgulhava de sua terra!” – (Benedito Aciole de Souza – Pindorama/AL)

11 – “Gosto muito de sanfonas 8 baixos e de pife. Para mim o João do Pife, é verdadeiramente o eterno Rei do Pife!” – (Everaldo Santana)

12 – “Este consagrado músico alagoano, faleceu aos 78 anos de idade. Ele sofria de vários problemas de saúde e dependia da ajuda do forrozeiro, Miguel Vieira, que o acolheu em seus últimos dias de vida – sua louvável atitude merece os parabéns e os agradecimentos de todos! O Rei do Pife deixou vários admiradores e seguidores de sua arte. João do Pife foi por diversas vezes a atração principal da Caravana Respirando Cultura comandada por mim. A meta desta caravana é resgatar o Folclore Nordestino, homenagear personalidades e descobrir novos talentos!” – (Sérgio Tenório – locutor de vaquejada, radialista e incentivador cultural)

Fontes: informativo ACALA – Roberto Gonçalves; sites Acervo Origens, Alagoas 24 Horas, Alagoas em Tempo Real e Forró em Vinil – redações; (extinta) revista O Mensageiro – Pedro Jorge; jornal Jornal de Arapiraca – Sérgio Tenório (com Sidnéia Tavares); blog Arapiraca Legal – Pedro Jorge; e, sites Cultura – Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas – redação e Forró Alagoano – José Lessa Gama/Zé Lessa & Rosiane Pedrosa.

 

3.10 l  JOÃO DO VIALEJO [ Instrumental ]

O veterano músico, João do Vialejo, é autodidata e se apresenta regularmente no Projeto Cultura na Praça comandado pelo Mestre Afrísio Acácio do Acordeon. Esta imperdível atração cultural acontece todas às segundas-feiras a partir das 9h na praça Luiz Pereira Lima (antiga Praça da Prefeitura).

Fonte: blog Arapiraca Legal – Pedro Jorge.

 

3.11 l  MENSAGEIRO DO GADO [ Aboio e Toada ]

O cantor de músicas de aboios e toadas, Mensageiro do Gado, já gravou diversos CDs e um DVD. O DVD foi gravado na Festa do Vaqueiro realizada no município de Simão Dias, interior do estado de Sergipe. Ele tem dois roteiros de documentários prontos, e está buscando de patrocinadores para a produção dos mesmos.

Fonte: blog Arapiraca Legal – Pedro Jorge.

 

3.12 l  MESTRE NELSON ROSA [ Folclórico ]

“Temos mantido intercâmbio com Mestres de outros estados e fortalecido os laços com entidades como o SESC/SP (Serviço Social do Comércio de São Paulo) e a Cia. Cabelo de Maria: responsáveis por nossas idas à capital paulista, onde gravamos nossos trabalhos. Nenhuma comunidade sobrevive sem Cultura – eu sempre fui agricultor, mas nunca a deixei de lado. Em 2001, por conta própria, fiz um documentário com os cantos das destaladeiras. Até 2014, eu lidava com um grupo de coco de roda formado por adolescentes. Foram cinco anos de projeto. Hoje, sigo com o de adultos. É o coco autêntico, com voz e pandeiro. Os ensaios acontecem no Centro de Cultura “Mestre” Nelson Rosa, que consegui fazer depois do prêmio do Ministério da Cultura, em 2008. Trabalho também com as destaladeiras. Já estivemos no Sudeste divulgando o coco de roda. É maravilhoso levar nossa Cultura para os quatro cantos deste imenso Brasil!” – (Nelson Rosa)

O Mestre Nelson (Vicente) Rosa nasceu no dia 18 de dezembro de 1933, em Arapiraca (AL). Ele é Mestre do Coco de Roda – título recebido da SECULT/AL (Secretaria de Cultura do Estado de Alagoas), em 13 de maio de 2005, como Patrimônio Vivo de Alagoas. Rosa coordena, desde 1990, o grupo das Destaladeiras de Fumo do Sítio Fernandes e já se apresentou, em São Paulo, no ano de 2007, e fez participações no CD Cantos de Trabalho, da Cia. Cabelo de Maria. Nelson Rosa é um dos baluartes da nossa cultura, considerado Mestre da Cultura Popular Tradicional pela Prefeitura Municipal de Arapiraca, em 2013.

O talentoso poeta popular, Nelson Rosa, é quem lidera o seu grupo folclórico há mais de 30 anos. Ele é um homem simples, apegado ao amanhã da terra onde nasceu e vive até hoje, cercado por seus familiares, no povoado Fernandes. É o que se pode afirmar ser realmente um produto do meio onde viveu toda sua vida, a zona rural, onde ainda criança já ouvia o popular Cícero Duca (casado com sua tia), nas cantigas e nas tapagens de casa, ou entoando seus rojões nas tarefas da roça na década de 1930. Além desses cantos de trabalho, ouvia também as cantigas das destaladeiras de fumo que atravessava sua época de ouro.

Em 1938, encontrava-se com seus pais no sítio Cacimba Doce, onde acontecia uma festa, ficou maravilhado ao ouvir a D. Maria Proteciano cantando o coco Araúna e formando uma grande roda com as pessoas presentes. Para o menino Nelson, foi a coisa mais bonita do mundo e isso marcou toda sua vida. Todavia, o tempo foi passando e já adolescente, não ouvindo mais as cantigas de barreiro e nem os rojões do eito, Nelson Rosa passou a acompanhar o coco de seu padrinho Gervásio Lima, que periodicamente apresentava seu famoso pagode, no qual dançava toda a família e os vizinhos.

Tempos depois do desaparecimento do seu padrinho, Gervásio Lima, Nelson Rosa começou timidamente a cantar emboladas no terreiro de casa acompanhado pelo coro de seus familiares e assim renascia um coco de roça, com toda a força de um fato folclórico autêntico. Nesses primeiros passos as apresentações aconteciam apenas entre familiares, onde dançavam seus filhos, sobrinhos, primos cunhados e amigos. Mais adiante, seus filhos foram casando e afastando-se do coco, sendo substituídos pelos vizinhos e a dança foi continuando, agora, com apresentações em festivais de Folclore, Semana da Cultura, Festas Juninas e eventos além das fronteiras do município de Arapiraca e das cercas dos currais de fumo do sítio Fernandes.

O reconhecimento a Nelson Rosa, como Mestre, tem provocado uma transformação na comunidade onde ele vive, a vila Fernandes, zona rural de Arapiraca (AL). Exímio representante do coco de roda, dos cânticos de trabalho das destaladeiras de fumo e da poesia matuta, o trabalho desse senhor já garantiu apresentações em vários estados brasileiros, gravação de CD e DVD, e principalmente a consolidação e a transmissão dos folguedos para as futuras gerações.

Ele inaugurou um centro de cultura popular na comunidade, com recursos do Prêmio de Culturas Populares, conquistado pelo artista e mais o apoio de uma cooperativa médica da Terra de Manoel André e Esperidião Rodrigues. É essa união de esforços, somados à sua dedicação, que tem favorecido a formação de mais um grupo de cultura popular no sítio Fernandes, o coco de roda Brilho de Vida, constituído por jovens moradores da localidade. Os meninos se inspiram nos mais velhos para seguirem o caminho da valorização dos folguedos.

Linha do Tempo (Mestre Nelson Rosa):

1988 – O grupo comandado por Nelson Rosa, que está em atividade desde 1979, já realizou apresentações em festivais de Folclore, Feiras de Artesanato e até mesmo na abertura dos Festejos Juninos de Campina Grande (PB), em 1988. A tradição do coco de roda também fez parte de um quadro do programa Fantástico (Rede Globo), em reportagem da jornalista, Glória Maria. Entre os participantes, homens e mulheres, alguns com mais de 70 anos de idade, que têm no Folclore um motivo a mais para se manter ativos, além, é claro, de guardar para futuras gerações os ensinamentos da própria cultura. Em Arapiraca e região, o guerreiro, pastoril, reisado, o bumba-meu-boi e o coco de roda são manifestações folclóricas de maior tradição, mas apenas o coco de roda ainda permanece em atividade ao público, através do grupo de Nelson Rosa.

2005 – Nelson Rosa, recebe o título de Patrimônio Vivo de Alagoas.  Esta honraria foi concedida pela SECULT (Secretaria de Cultura do Estado de Alagoas) – Uma ajuda estendida a outros que, assim como ele, difundem a arte, a história, os modos e costumes a outras gerações.

2013 – O talentoso poeta popular e embolador do sítio Fernandes, Nelson Rosa, foi merecidamente considerado Mestre da Cultura Tradicional pela Prefeitura Municipal de Arapiraca.

2015 –  Em maio, O Mestre do Coco de Roda, Nelson Rosa, foi o homenageado da primeira edição do projeto Cardápio Cultural realizado pela SECTUR (Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Arapiraca) – alocada na Casa da Cultura de Arapiraca.

2015 – xxxxxxx O coco de roda é uma das manifestações culturais mais genuínas com conotações africanas e indígenas. E, um dos grupos de Arapiraca realizou diversas apresentações pelo Brasil, em 2015.  A investida foi a partir de um convite feito ao Mestre Nelson Rosa.

Talentoso poeta popular e embolador, Nelson Rosa leva uma vida simples e arraigada ao setor cultural na comunidade vila Fernandes, desde que começou a comandar o grupo que tinha parentes como integrantes e hoje ultrapassou as cercas dos currais de fumo de Arapiraca e ganhou o país.

diz o Mestre Nelson Rosa, ressaltando que as performances começam apenas em junho de 2015. Com mais de 17 edições, o Sonora Brasil é o evento de maior importância da música contemporânea do país, sendo uma das mais importantes ações de transmissão da cultura musical brasileira e o maior projeto brasileiro de circulação de espetáculos musicais. A ação escolhe bianualmente dois temas com quatro grupos por temática. Em 2013, os temas foram Tambores e Batuques.

Homenagens (Mestre Nelson Rosa):

1 – “Ter Nelson Rosa como amigo é um privilégio! Este Mestre do Coco de Roda e Patrimônio Vivo de Alagoas é, sem sombra de dúvidas, uma das pessoas mais vibrantes e lutadoras para a preservação da cultura de raiz. Ele continua com a mesma emoção vibrante de um menino quando compartilha suas histórias de vida e fala com o coração sobre seus herdeiros das tradições culturais. Nelson Rosa traz na alma a simplicidade dos grandes mestres, no discurso a leveza dos sábios, nas palavras e no texto a emoção dos contadores de histórias. Este homem tem coração gigante de pai, avô, amigo… Parabéns, Mestre!” – (Lourdes Rizzatto, jornalista, e Silvestre Rizzatto, fotógrafo)

2 – “O talentoso poeta popular e inspirado embolador, Nelson Rosa, é quem lidera o seu grupo folclórico há 37 anos. Ele é um homem simples, apegado à terra onde nasceu e vive até hoje, cercado por seus familiares, no povoado Fernandes. Ainda criança ouvia o popular Cícero Duca (casado com sua tia), nas cantigas e nas tapagens de casa, e entoando seus rojões nas tarefas da roça na década de 1930. Ouvia, também, as cantigas das destaladeiras de fumo que atravessava sua época de ouro. Em 1938, Nelson Rosa, encontrava-se com seus pais no sítio Cacimba Doce onde acontecia uma festa, ficou encantado ao ouvir Maria Proteciano, cantando o coco Araúna e formando uma grande roda com as pessoas presentes. Para o menino Nelson, foi a coisa mais bonita do mundo e isso marcou toda sua vida. Todavia, o tempo foi passando e já adolescente, não ouvindo mais essas cantigas de barreiro e nem os rojões do eito, Nelson passou a acompanhar o coco de seu padrinho Gervásio Lima, que periodicamente apresentava seu famoso pagode, no qual dançava toda a família e os vizinhos. Tempos depois do desaparecimento do seu padrinho, Nelson Rosa começou timidamente a cantar emboladas no terreiro de casa acompanhado pelo coro de seus familiares e assim renascia um coco de roça, com toda a força de um fato folclórico autêntico. Nesses primeiros passos as apresentações aconteciam apenas entre familiares e amigos. Mais adiante, seus filhos foram casando e afastando-se do coco, sendo substituídos pelos vizinhos e a dança foi continuando, agora, com apresentações em festivais de Folclore, Semana da Cultura, Festas Juninas e eventos além das fronteiras dos currais de fumo do sítio Fernandes.” – (Zezito Guedes, historiador e folclorista)

Fontes: jornais Alagoas em Tempo – redação, Tribuna Independente – Davi Salsa & Mônica Nunes, (extinto) Tribuna de Alagoas – Marcelo Amorim e Gazeta de Alagoas – redação; informativo Cardápio Cultural (Museu da Casa da Cultura de Arapiraca) – redação; sites Sec. de Cultura de Alagoas – Zezito Guedes, Minuto Arapiraca (blog Click Due) – Lourdes & Silvestre Rizzatto e Prefeitura de Arapiraca – Dep. de Imprensa; blog Arapiraca Legal e Facebook Nelson Rosa.

 

3.13 l  MESTRE WILSON DA CANAFÍSTULA [ Folclórico ]

No município de Arapiraca (AL), um mestre-artesão desempenha brilhantemente esta atividade, inclusive voltada para os folguedos natalinos, reisado e guerreiro. Trata-se de Mestre Wilson da Canafístula. Seus chapéus em formas de Igrejas e outros formatos encantam os apreciadores destas artes populares. Ele nasceu no bairro Canafístula – reduto cultural da Terra de Manoel André e Esperidião Rodrigues. Mestre Wilson, passou vários anos em São Paulo (SP), e lá se especializou como motorista de ônibus, porém sua vocação pela cultura popular, principalmente pela arte de fazer chapéus de reisado e guerreiro, sempre lhe acompanhou.

De volta a antiga Capital Brasileira do Fumo, há vinte anos, num prolífico trabalho de resgate às tradições populares o radialista e cordelista, Ronaldo Oliveira, e outras pessoas ligadas à cultura perceberam a grandeza da arte do Mestre Wilson. Ele passou a ministrar oficinas e, juntamente com Ronaldo resgatou o reisado do Mestre Duda. A partir daí Mestre Wilson da Canafístula não parou mais de produzir. Hoje tem participação efetiva nos principais grupos de culturas populares de Canafístula, repassa seus conhecimentos aos mais novos, e atende encomendas para grupos em formação de diversas cidades alagoanas.

Mestre Wilson da Canafístula; tem sido elemento fundamental para o resgate das culturas populares. Canta, dança, organiza e articula as apresentações de diversos folguedos no estado de Alagoas e até por esse Brasil afora, mas o principal papel deste verdadeiro guerreiro é de repassar para os mais novos de forma contagiante os saberes e fazeres.

Homenagem (Mestre Wilson da Canafístula):

“Parabéns, Mestre Wilson da Canafístula. Sua arte e sua disposição para repassar seus conhecimentos às gerações futuras são posturas fundamentais para uma cultura de paz. Seu voluntariado precisa e deve ser reconhecido pelo Brasil afora. Deus te abençoe e te ilumine e, que teu exemplo seja seguido por outras pessoas!” – (Ronaldo Oliveira – radialista, administrador de empresas, incentivador cultural, cordelista e membro da ACALA)

Fonte: site 7 Segundos (blog Ronaldo Oliveira) – Ronaldo Oliveira.

 

3.14 l  PASTORIL IMACULADA CONCEIÇÃO [ Folclórico ] 

O antigo Pastoril Imaculada Conceição era produzido e dirigido pela tradicional Família Sá. Este pastoril – foi considerado na época o melhor do estado de Alagoas – excursionou para outras cidades sem o apoio da Prefeitura Municipal de Arapiraca (AL) e dos políticos locais.

Homenagem (Pastoril Imaculada Conceição):

“O Pastoril Imaculada Conceição não tinha apoio local, por isso eu resolvi acabar. O mesmo aconteceu com o meu grupo de teatro (Teatro Cultura de Arapiraca): aquele que produziu o maior espetáculo já visto, em Alagoas: o Auto da Compadecida. Esta peça é uma obra prima de Ariano Suassuna (1927-2014). Até os ingressos e os programas foram negados. Tive de recorrer a Prefeitura Municipal de Craíbas (AL)!” – (José de Sá: radialista e artista plástico, in memoriam)

Fonte: blog Stúdio José de Sá – José de Sá (in memoriam).

 

3.15 l  SÉRGIO TENÓRIO, O GUERREIRO DA CULTURA NORDESTINA   

O locutor de vaquejada, radialista e incentivador cultural, Sérgio Tenório, coordena o importantíssimo projeto e Comenda Valores da Nossa Terra que têm por finalidade incentivar os artistas, radialistas, escritores (as), jornalistas e profissionais liberais dos estados de Alagoas, Pernambuco e Sergipe. Ele é (re) conhecido como O Guerreiro da Cultura Nordestina por sua contribuição pela valorização da cultura regional nordestina.

Sérgio Tenório assina (com Sidnéia Tavares) a coluna Valores da Nossa Terra no jornal Jornal de Arapiraca. O Projeto Valores da Nossa Terra, através da Caravana Respirando Cultura, tem ramificações em todo o Nordeste brasileiro. No estado de Pernambuco o representante é Tiago Nagô, Embaixador da Cultura Afro no Brasil e; em Sergipe Radarane Tenório.

Linha do Tempo (Sérgio Tenório):

2015 – Em julho, Sérgio Tenório realizou na Comendaria Escritório o primeiro Papo de Botequim. Os homenageados foram: Tony Medeiros (jornalista); Afrísio Acácio do Acordeon (sanfoneiro e radialista); Marcelo Mascaro (artista plástico) e Marcos Sena (maestro). Todos eles receberam a comenda Valores da Nossa Terra. No mês de setembro, foi a vez de outras personalidades arapiraquenses receberem a comenda Valores da Nossa Terra: Rejane Barros (atriz e radialista); Alberto do Carmo (diretor teatral e dramaturgo); Janu (músico e produtor cultural); Lourdes Rizzatto (jornalista); Silvestre Rizzatto (fotógrafo) e Roberto Baía (jornalista).

Homenagem (Sérgio Tenório):

“Ser homenageada com a Comenda Valores da Nossa Terra, em Arapiraca – essa cidade que há 15 anos me acolheu pelas mãos de um homem que dedicou sua vida ao trabalho social: um servo de Deus, monsenhor Aldo (in memoriam). Ele me educou e me mostrou que podemos escrever sempre uma nova história para nossas vidas. Ser reconhecida pelo meu simples trabalho na radiodifusão comunitária e no teatro é uma grande satisfação pessoal. O acesso à educação e cultura me levou ao caminho da cidadania e oportunidade, e é isso que procuro passar para as pessoas. Agradeço a oportunidade de dividir este momento na esfera cultural com grandes nomes – meus companheiros (as) de lutas -; que também foram homenageados (as) e ao amigo, Sérgio Tenório. O projeto cultural Valores da Nossa Terra é um incentivo forte!” – (Rejane Barros, atriz e radialista)

Fontes: jornais Tribuna Independente (coluna Cidades em Foco) – Roberto Baía e jornal Jornal de Arapiraca (coluna Valores da Nossa Terra) – Sérgio Tenório (com Sidnéia Tavares); Facebooks Rejane Barros e Sergio Tenorio; e blog Arapiraca Legal – Pedro Jorge.

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CAPÍTULO 4

 

POETAS, CORDELISTAS E REPENTISTAS

 

Crédito da foto de Ronaldo Oliveira e Jô Soares: Internet.

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CAPÍTULO 4 – POETAS, CORDELISTAS E REPENTISTAS

 

4.01 l  CARTUXO CORDELISTA (CARTUXO VALDEMIR FERREIRA), O GANDHI DO NORDESTE [ Cordelista e Poeta ]                     

“Meu maior objetivo é investir na Literatura de Cordel ensinando os jovens a valorizar o conhecimento da região, e a receptividade das pessoas têm sido boas, sobretudo as crianças. Quero ver os jovens lendo coisas interessantes, ao invés de assistir a alguns programas de TV que deturpam os valores da nossa sociedade. Faço tudo com muito esforço e não recebo nenhuma compensação financeira por isso. Meu sonho é contar com apoio para confeccionar os livros e distribuir nas escolas. Agradeço a todos que admiram meu humilde trabalho literário!” – (Cartuxo Cordelista)

Valdemir Ferreira é o nome de batismo do prolífico cordelista e poeta arapiraquense, Cartuxo Valdemir Ferreira/Cartuxo Cordelista, O Gandhi do Nordeste. Ele é filho do Sr. Emídio (mecânico, in memoriam) e da Sra. Flora (costureira); e passou toda a sua infância e adolescência na rua Boa Vista (centro de Arapiraca/AL), e atualmente reside na rua Estudante José de Oliveira Leite. Começou a trabalhar, aos 11 anos de idade, vendendo picolés e aos 13 anos entregava botijões de gás. Antes de ingressar no BB (Banco do Brasil) – onde trabalhou de 1981 a 1997 -; lecionou Matemática na Escola Estadual Hugo José Camelo Lima e trabalhou em uma empresa multinacional de beneficiamento de tabaco. Cartuxo Cordelista é casado com D. Zélia e, é pai de quatro filhos.

Atualmente, ele tem mais de 100 cordéis e livros escritos contando com a assinatura dos desenhos, xilogravuras e ilustrações das capas de seu talentoso amigo e parceiro, Paulinho da Julita, que reside no município de Girau do Ponciano (AL). Cartuxo continua na luta pela realização de seu grande sonho que é ver os seus cordéis publicados, dando assim a sua contribuição para o crescimento cultural de todos nós. Ele é um grande divulgador da literatura de cordel, que nasceu em Portugal e se tornou popular aqui no Nordeste brasileiro, ajudando a ensinar durante décadas, o nordestino a ler.

Cartuxo Valdemir Ferreira, com criatividade e improviso dá o exemplo de que a poesia popular nordestina – mais precisamente a literatura de cordel -; pode baixar os índices de analfabetismo e melhorar o aprendizado. Ele intitula seu trabalho de Novo Cordel e mantém a tradição do cordel antigo com versos rimados e estrofes curtas, mas está inovando o trabalho com a escolha de temas ligados à ecologia, prostituição infantil e até um traduzido para a língua inglesa intitulado Travelling, – que significa viajante: este cordel relata com muita diversão a história de duas aves migratórias que contam suas experiências pelos estados brasileiros por onde passaram. “Essa foi uma maneira divertida que encontrei para incentivar o hábito da leitura entre as crianças, além de ensinar um pouco de Inglês e Geografia”, explica o cordelista.

Cartuxo Valdemir Ferreira/Cartuxo Cordelista, O Gandhi do Nordeste; diz que nunca havia escrito nada ligado à literatura ou poesia e que a ideia de produzir cordel surgiu de repente, após completar 54 anos de idade. Atento a importância do seu trabalho, ele reclama da falta de apoio para a produção de seus livros.

Linha do Tempo (Cartuxo Valdemir Ferreira / Cartuxo Cordelista):

2012 – Cartuxo Valdemir Ferreira consegue com recursos próprios publicar a cartilha ABC Infantil – Aprendendo a Respeitar a Vida. Neste livreto de 16 páginas, o cordelista traduz em texto simples e divertido as principais lições de educação para o trânsito, incluindo as formas seguras de atravessar as ruas; obedecer e respeitar os sinais de trânsito; trafegar com bicicletas, motos e outros veículos. Ele conta que seus trabalhos fazem parte do projeto Alfa Cordel.

2014 – A poética de Cartuxo Cordelista o torna único em um determinado gênero da literatura de cordel. Autor de mais de 100 livretos com temas voltados, principalmente, para a educação de crianças e adolescentes, o cordelista foi reconhecido fora de Alagoas atendendo o convite feito por Gisele Corrêa Ferreira, para participar da IX edição da Feira Nacional do Livro (Flipoços); que foi realizada entre os dias 26 de abril e 4 de maio, em Poços de Caldas (MG). Neste evento ele representou o Nordeste brasileiro.

2016 – Cartuxo Cordelista lança pela Agbook o cordel infanto-juvenil A Bicharada eu vi… sobre este livro ele diz: “Tendo em vista, o descaso que se tem com a nossa fauna e a flora do nosso país, procurei pesquisar os mamíferos, aves, répteis, peixes, insetos e crustáceos da nossa fauna que se encontram seriamente ameaçados de extinção, sendo que, os que não estão ameaçados estão seriamente vulneráveis, menos os animais domésticos. Assim sendo, tive a preocupação de fazer este cordel. Sendo que, 95%, dos animais, répteis e os demais que estão no cordel pertencem a nossa fauna e 5% a fauna de outros países.” Esta obra literária foi editada pelo genial José Carlos Gueta, O POETA DO ABC (O Homem dos Sete Instrumentos); de Santo André (SP).

Homenagens (Cartuxo Valdemir Ferreira/Cartuxo Cordelista): 

1 – “Foi um prazer inenarrável editar o livro, A Bicharrada eu vi…, para meu grande amigo de Arapiraca Cartuxo Valdemir Ferreira – poeta, cordelista e escritor de raro talento. Cartuxo representa Arapiraca por onde anda. Ele é um homem honrado desta Terra de Artistas e merece o nosso respeito e consideração. Parabéns povo arapiraquense! O trabalho de Cartuxo é simples, singelo e traz em seu conteúdo o natural e o belo fomentando a cultura de nosso querido país verde e amarelo. Participar da edição do seu livro foi de grande importância e um enorme prazer. Seu livro está disponível para o leitor ávido por literatura de qualidade. Deus o abençoe, amigo!” – (José Carlos Gueta, O POETA DO ABC)

2 – “Cartuxo Cordelista, vem dedicando grande parte do seu tempo escrevendo versos em cordéis abordando vários temas. Segundo o autor, já escreveu diversos livretos inéditos: Maior Abandonado, Discriminação Racial, O Pastor e o Ladrão de Galinhas… Ele borda outros temas com foco na literatura infantil (com ilustrações) como: ABC dos Bichos, ABC Infantil, Sinfonia dos Bichos, Banda dos Bichos e O Vendedor de Bananas. O escritor reclama e lamenta da falta de apoio e incentivo dos poderes públicos. Apesar das dificuldades encontradas, ele não desanima e a cada dia busca mais inspiração para escrever novos temas preservando e divulgando a cultura popular e as raízes culturais nordestinas!” – (Davi Salsa, jornalista arapiraquense)

3 – “Cartuxo, vem desenvolvendo um bom trabalho poético. Ele é apaixonado pela natureza e conhecido por muitos. Hoje, seu nome tornou-se conhecido nacionalmente. Parabéns, por sua atuação e por teres representado os poetas de cordel do Nordeste brasileiro na Feira de Livros de Poços de Caldas (MG)!” – (Cícero Galdino, poeta e membro da ACALA) / 4 – “Cartuxo Cordelista é uma figura querida. Grande talento das palavras!” – (Rejane Barros, atriz e radialista)

5 – “Cartuxo, seu belo trabalho a um livro faz jus / Você é um escritor de primeira / Aqui torço para aparecer uma luz / Que vai impulsionar a sua carreira / Os poetas precisam ser valorizados / Eu também me incluo nesta lista / Artistas-populares sendo incentivados / Assim o povo mais cultura conquista!” – (José Carlos Gueta)

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CARTUXO CORDELISTA [ Acróstico ]*                                                                  Autor: José Carlos Gueta, O POETA DO ABC (Santo André/SP)

C om muita força de vontade                                                                                                             A liada a sua fé e determinação                                                                              R evelando muita criatividade                                                                       T razendo na bagagem emoção                                                                   U m dom enorme e capacidade                                                                    X fundamental desta questão                                                                       O incentivo que é uma raridade

C onheço Cartuxo pessoalmente                                                                  O s seus livros comigo eu tenho                                                                    R eferência ao descrever sua gente                                                                       D edicar-lhe este acróstico eu venho                                                               E de Arapiraca se destaca no mundo                                                           L evando junto a cultura do cordel                                                                          I ntroduz seu conhecimento profundo                                                               S eus poemas são doces como o mel                                                          T raz neles o seu pólen rico e fecundo                                                         A través da inspiração vinda do Céu.

  • Este acróstico é dedicado ao prolífico cordelista e poeta arapiraquense, Cartuxo Valdemir Ferreira. Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, em maio de 2014, num evento cultural de Arapiraca.

Fontes: blogs Arapiraca Legal – Pedro Jorge, O POETA DO ABC – José Carlos Gueta e Cartuxo Cordelista; sites Oops Net – Roberto Gonçalves, Prefeitura Municipal de Arapiraca – Departamento de Imprensa, Minuto Arapiraca – redação e Tribuna Hoje – Davi Salsa; jornal Tribuna Independente – Davi Salsa e coluna Agreste do caderno TV & Mulher – Lourdes Rizzatto; e, Facebooks Cartuxo Cordelista Ferreira e José Carlos Gueta.

 

4.02 l  JOÃO CABOCLO-LINHO DE ALAGOAS [ Poeta-Repentista e Cordelista, in Memoriam ]

João Gomes de Oliveira é o nome de batismo do saudoso poeta-repentista e cordelista alagoano; João Caboclo-Linho de Alagoas. Ele nasceu na cidade de Pão de Açúcar (AL), no dia 23 de março de 1930; e, é filho do Sr. Terto Gomes de Oliveira e da D. Alcina Maria Bezerra (in memorians). Sua infância foi nas usinas Ouricuri e São José, nos depois passou a residir no povoado de Canafístula do Cipriano (zona rural de Girau do Ponciano/AL). Em 1947, inicia seu trabalho de poeta-repentista e cordelista. Como poeta-repentista, percorreu o Nordeste brasileiro e teve a oportunidade de cantar ao lado de grandes improvisadores: Antônio Aleluia, José Faustino Vila Nova, João Alexandre, Pedro Bandeira, entre outros. De 1957 a 1980, residiu em Juazeiro do Norte (CE), onde se instalou com um box no mercado, vendendo artigos religiosos. João Caboclo-Linho deixou um grande arsenal de trabalhos com mais de 40 estilos de rimas diferentes, com belíssimos poemas, quartetos, etc. Escreveu, também, folhetos de cordel, alguns já publicados.

Caboclo-Linho ingressou na ACALA (Academia Arapiraquense de Letras e Artes), em 1987, sendo um dos seus fundadores. Por muitos anos residiu em Juazeiro do Norte (CE) fazendo ponto no Mercado Público da Terra do Padre Cícero Romão Batista de quem era um grande devoto. Publicou, em Arapiraca, o livro Flor de Poesia e sua publicação mais recente foi Padre Cícero, em Poesias (2006), pela Center Graf. João deixa um grande acervo de poesias inéditas e nunca teve oportunidade para publicação de suas obras: Os Astros da Poesia e Presente de Poesia, que constituem uma autêntica manifestação da cultura popular nordestina.

Participou da coletânea Canteiros da Poesia (1988), lançada pela ACALA. Entre as obras que aguardam publicação estão: Os Astros da Poesia e Presente de Poesia; que constituem uma autêntica manifestação da cultura popular regional do Nordeste brasileiro. Teve a oportunidade de conviver com o seu patrono, Rodolfo Coelho Cavalcanti, em Juazeiro do Norte, quando foi delegado do Grêmio Brasileiro de Trovadores. Nos últimos anos de sua vida se dedicou a fazer palestras e apresentações folclóricas em escolas de Arapiraca e apresentou um programa na emissora de rádio comunitária A Voz do Povo, A Voz de Deus, onde recitava poemas, cantava repentes e fazia comentários sobre o Folclore do Brasil.

João Caboclo-Linho faleceu, no dia 29 de junho de 2011, na antiga Capital Brasileira do Fumo, aos 81 anos de idade. O sepultamento ocorreu no dia 30, no Cemitério Santo Antônio, bairro Batingas às 10h, em Arapiraca. O corpo foi velado na residência onde morava na rua Santa Terezinha, centro. Radicado na Terra de Manoel André e Esperidião Rodrigues, além de ser cordelista e violeiro-repentista, ele vendia seus livretos de cordel pelas ruas da atual Capital do Agreste Alagoano.  O presidente da ACALA, Cláudio Olímpio, lamentou a morte de João Caboclo–Linho de Alagoas e assegurou que a cultura popular, em Arapiraca e Alagoas, fica mais pobre.

Fontes: livro ACALA: História e Vida (2009) – João Caboclo-Linho de Alagoas e blog Roberto Gonçalves.

 

4.03 l  JOÃO DE LIMA DAS ALAGOAS [ Poeta-Repentista e Cordelista – Porto Real do Colégio (AL) ] 

“A poesia é a minha vida. Tenho muita história pra contar! Já realizei muita coisa, mas ainda tenho outras para realizar. Gostaria de ter um programa de TV em nível nacional onde eu pudesse apresentar artistas de Alagoas. Também penso em construir uma Igreja para N. Sra. Aparecida no sítio Boa Vista, onde me criei. Para compor, o violeiro só precisa de um mote: num instante, a inspiração toma conta e a palavra vira música, poesia ou cordel! – (João de Lima)

João Pereira Lima é o nome de batismo do violeiro, cordelista, poeta-repentista e Patrimônio Vivo do Estado de Alagoas; João de Lima das Alagoas. Ele nasceu no dia 10 de maio de 1943, em Porto Real do Colégio (AL).  João de Lima tem constante inspiração para suas rimas, na maioria das vezes vinda da saudade da infância no campo de sua terra natal. Desde criança acompanhava o pai, que era cantador, com quem aprendeu o ofício. Vindo para Maceió (AL), começou a ser conhecido e a fazer sucesso em todo o país.

Nascido e criado no sítio Boa Vista, João de Lima das Alagoas ainda esbanja vitalidade. Ele já foi comerciário e lavrador, e o seu talento vem de berço: aprendeu a dedilhar a viola ainda menino, nos anos 1940, com seu pai, conhecido cantador da região que carregava o menino João para as festas nas fazendas das redondezas onde tocava. A profissionalização aconteceu mais tarde, por volta dos 20 anos de idade, quando foi tentar a vida na capital alagoana. João de Lima das Alagoas já publicou diversos folhetos de cordel, livros de poesias e repentes; e, gravou vários vinis CDs e DVDs como Recordações e Lembranças; Vergonha, Verso e Viola; Sonhei Cantando no Céu; Paisagem da Minha Terra; O Poder do Criador; Percorrendo as Estradas do Passado e outros.

Com o sucesso, começaram a aparecer convites de todo o Brasil. “Já me apresentei em emissoras de rádio e televisões de quase todo o país, inclusive pelo Projeto Minerva, do governo federal. Também já cantei nos programas do Silvio Santos, Jô Soares e outros. Vou muito a escolas. Faço versos com conselhos para as crianças sobre questões como o fumo e a violência ou muito a escolas”, conta. O lançamento de sua primeira gravação aconteceu, em 1977, com um disco repleto de músicas autorais.

Seus repentes e poesias também foram ouvidos por gente importante, como a atriz Sandra Bréa (1952-2000), jornalista Roberto Marinho (1904-2003) e outras personalidades. Tudo devidamente documentado nas fotos e reportagens de diversos jornais do país, em uma pasta que ele leva debaixo do braço pra todo lugar. Somente aos 16 anos de idade, tornou-se um poeta do povo com características bem peculiaridades. Católico convicto, João de Lima é um contumaz leitor de livros de todo gênero. Algumas de suas poesias já foram publicadas em obras literárias de diversos autores. Ele segue com seus sonhos e a viola a tiracolo para soltar os versos de sua cantoria para o povo sofrido brasileiro.

Nos anos 1970, João de Lima das Alagoas, começou a construir sua história em programas de TV a nível nacional. “No Rio de Janeiro (RJ) fui para o trono do quadro Show de Calouros do Cassino do Chacrinha!”, relembra. Fez várias gravações para o Projeto Minerva, com narração de Sérgio Chapelin. Participou dos programas O Povo na TV (SBT), Sem Censura (TV Educativa), Sílvio Santos (SBT), Jô Soares (Globo); entre outros. A primeira investida de sucesso aconteceu, em 1977, quando ele gravou seu primeiro LP, Repentes e Poesia. Depois veio o segundo, Os Vagalumes da Serra. Além da participação com faixas de sua autoria nas coletâneas Cheiro do Povo.

No dia 27 de abril, a ALESE (Assembleia Legislativa de Sergipe) homenageou João de Lima das Alagoas, pela sua atuação no campo da cultura popular. Ele recebeu o Título de Cidadania Sergipana no plenário da Assembleia Legislativa. A iniciativa foi da deputada estadual, Ana Lúcia. A solenidade reuniu artistas sergipanos de todos os segmentos, além de familiares e admiradores do cordelista.

Homenagens (João de Lima de Alagoas):

1 – “Basta dizer uma única palavra para que o Mestre João de Lima de Alagoas, comece a criar. Em poucos minutos, dezenas de estrofes e rimas feitas pelo senhor já pairam no ar. A inspiração é constante e, nas mãos do talentoso artista pode virar música, poesia ou cordel. Assim como o formato, os temas também são variados – os mais citados são a saudade e a infância no campo. Foi em sua cidade natal que ele começou a vida artística. Ainda criança, acompanhava o pai, que era cantador, nas festas pelas fazendas do município e, ensinado pelos primos, aprendeu a tocar e afinar sua viola. A profissionalização aconteceu mais tarde, por volta dos 20 anos de idade, quando decidiu tentar a vida, em Maceió (AL). Na capital alagoana, conheceu o médico e folclorista, Théo Brandão, que o levou para cantar em uma rádio pela primeira vez – a escolhida foi a Difusora AM. A empreitada deu tão certo que ele virou atração do programa A Hora dos Municípios, transmitido pra todo o Nordeste brasileiro!” – (Larissa Bastos, repórter)

2 – “A leitura dos folhetos de cordéis e a viola foram algo corriqueiro na infância de João de Lima das Alagoas. Mas, o costume da família de dedilhar cordas de aço do instrumento e delas retirar instigantes modas e toadas nasceu com o pai. Estendeu-se aos tios. E, atingiu em cheio o pequeno João. Isso lá para o final dos anos 1940. Hoje, aos 73 anos de idade, aquele menino que costumava plantar e colher na roça e amarrar cabras e bodes nos açudes cantarolando e improvisando versos e traquinar no violão do pai na esperança de um dia poder afiná-lo se transformou numa das principais referências, em Alagoas, quando os assuntos são repentes, modas, toadas e poesia cantada. “ – (Elô Baêta, repórter)

3 – “Valeu, João de Lima das Alagoas. Eu lhe admiro e você sabe disso!” – (Rosalvo Carreteiro)

Fontes: jornais Diário Oficial (coluna Algo Mais) – Larissa Bastos e (extinto) O Jornal – Elô Baêta; site G1/SE (com informações da ALESE); e, blogs Arapiraca Legal e João de Lima das Alagoas.

 

4.04 l  JOSÉ AMARO FILHO (ZÉ AMARO) [ Cordelista e Repentista  ]

“Realmente não há apoio para o artista popular. São poucos os que valorizam as coisas da própria terra, a maioria só gosta do que vem de fora!” – (José Amaro Filho/Zé Amaro)

O veterano cordelista e poeta-repentista José Amaro Filho/Zé Amaro nasceu, em 11 de maio de 1932, no sítio Tanque do Boi pertencente ao município de Flores (PE). É filho do Sr. José Amaro Silva e da Sra. Maria Francisca da Conceição (in memorians). Chegando do estado de Pernambuco com 20 anos de idade e, ainda sem nenhum documento de identificação, foi para o sítio Pau Ferro, município de Batalha (AL). Lá conseguiu regularizar sua documentação e venho residir em Arapiraca (AL) em definitivo. Sua esposa, Sra. Maria Julieta de Menezes, e sua filha, Elza Maria, já formaram uma dupla de toadeiras, com um CD e um DVD lançados.

José Amaro comandou diversos programas radiofônicos nas seguintes emissoras: (extintas) Cultura (“Rádio do Claudionor”) e Antena de Publicidade (de propriedade do prefeito da época, João Lúcio), durante dois anos em cada; Novo Nordeste AM, 12 anos e Cultura AM de Arapiraca (pertencente ao Grupo Geraldo Bulhões), nove anos; e cantou nas rádios: Sampaio AM de Palmeira dos Índios (AL), São Francisco de Penedo (AL), Liberdade de Aracaju (SE) e Nacional de São Paulo (SP).

Para Zé Amaro qualquer assunto pode se transformar numa trova, até mesmo com o nome de jornal: “Do Poeta José Amaro Filho / Repentista de verdade / Para o jornal ‘Alagoas em Tempo’ / Jornalismo com credibilidade / Veio para Arapiraca / Para o bem de nossa cidade!”; e sobre o local de seu nascimento: “A vida é um vai e vem / A morte é um vem e vai / O corpo é um bole-bole / O fôlego é um entre e sai / O coração faz teco-teco / Quando para o corpo cai / No município de Flores / Em maio de 1932, o ano / Data do meu nascimento / Por ordens do soberano / O meu nascimento foi / No sítio Tanque do Boi / Estado pernambucano!”.

Ele conta que começou a escrever versos e fazer repentes aos 20 anos de idade, junto com um amigo, que já faleceu. Zé Amaro era fotógrafo, mas acabou sendo aposentado por invalidez. Quando ele ia revelar as fotos, manuseava o líquido revelador com as mãos e acabava atingindo os seus olhos, o que acabou prejudicando a sua visão. Atualmente, José Amaro Filho/Zé Amaro, não realiza mais apresentações e divide seu tempo compondo poesias e fabricando remédios caseiros para completar a renda familiar.

Parcerias (José Amaro Filho/Zé Amaro):

  • Alagoanos – Darci Felix de Menezes, José Pequeno, Abelardio de Souza, José de Souza, José Francisco, José Gonzaga, Manoel Oliveira, João Caboclo Linho, Guarita, Benedito Pereira, Olegário, Barros Novais, Roxinó, Lourival, Antônio do Algodão, Alfredo de Menezes, Duda Ferreira, José Ferreira, Antônio Minrin, Antônio Pinheiro, Lavandeira, João de Lima das Alagoas, Gilberto Calixto, José Calixto, Noel Calixto, Andorinha, Manoel de Góis, Patativa Branca & Patativa Preta e Dão;

 

  • Pernambucanos – Raul Vicente, Lourival Barbosa, Manoel de Souza, Prigídio Bernardi, Ivanildo Vila Nova, José Lucas e Neve Branca & Curió;

 

  • Baianos – Limeira & Palmerinha da Bahia.

Homenagem (José Amaro Filho/Zé Amaro):

“José Amaro Filho/Zé Amaro é sinônimo de simplicidade, honestidade e talento. Ele é um verdadeiro homem de respeito!” – (Jair Matias dos Santos, filho de Zé do Rojão)

Homenagem (Maria Julieta):

“Em março de 2012, Maria julieta e outras treze cantoras que fazem parte da história da musicalidade arapiraquense foram homenageadas no Memorial da Mulher Ceci Cunha com a exposição Vozes Femininas – O Tom da História. Todas elas apresentaram seus perfis biográficos.” – (Lourdes Rizzatto, jornalista e Silvestre Rizzatto, fotógafo)

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CASA DA CULTURA* (Autor: José Amaro Filho, cordelista e poeta-repentista)

Obrigado a Célia Rocha / Por nos dar esta riqueza / Esta Casa da Cultura / Acabou nossa tristeza /Assim é que Arapiraca / É Forte por Natureza / Maria Cícera Pinheiro / Maravilhosa figura / Valoriza os artistas / Por ser ótima criatura / Merece ser secretária / De Educação e Cultura / Parabéns a Pedro Onofre / Com sua dignidade / Valorizando o artista / Com carinho e amizade / Para a Casa da Cultura / É a nossa sociedade / Obrigado, Zezito Guedes / Nosso diretor de cultura / Que é folclorista e poeta / De uma ideia segura / O seu trabalho escrito / É uma certeza pura.

  • Em 20 de agosto de 1998, José Amaro Filho/Zé Amaro assim declinou e versou sua satisfação pela inauguração da Casa de Cultura de Arapiraca (AL).

Fontes: cordel História das Plantas Medicinais: Plantas Que Curam (2009) – José Amaro Filho; jornal Alagoas em Tempo – redação, site Minuto Arapiraca (blog Click Due) – Lourdes & Silvestre Rizzatto; e Facebook Jair Matias Dos Santos.

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4.05 l  LAÉRCIO MORENO, O POETA TECNO-MATUTO / O POETA DO SERTÃO [ Poeta-Declamador, Cantor, Músico e Artista Plástico ]                       

“Tenho alguns poemas de minha autoria como O Corno Galinheiro, mas também reverencio os mestres Patativa do Assaré, Zé da Luz, Amazan e Jessier Quirino; entre outros. Este contato do internauta com a cultura é muito importante nos dias de hoje, quanto mais com o que se direciona às nossas raízes nordestinas. Então, vi o Facebook como o melhor canal para repassar isso!” – (Laércio Moreno)

Laércio Moreno, O Poeta Tecno-Matuto; é poeta-declamador, cantor, compositor, músico e artista plástico. Moreno nasceu no dia 30 de julho de 1967, em Major Izidoro (AL). Ele está ganhando cada vez mais notoriedade nas redes sociais, contando causos do homem do campo. É vasta a literatura que compreende o matuto, sujeito que de certo modo vive alheio à modernidade, mas tem os saberes repassados na oralidade. E, na declamação, é que a coisa toda ganha uma rima especial na sua voz, que alcançou um significativo número de compartilhamentos pelo Facebook de uma de suas declamações. Isso é o verdadeiro encontro, ou seja, a junção da poesia matuta com os recursos tecnológicos.

Na infância, ele costumava ler cordéis para sua avó, que não sabia ler. Foi deste modo que ele começou a descobrir o universo literário e o gosto pelas artes. Desde os seis anos de idade está radicado na cidade de Arapiraca (AL), onde criou vínculo também com a música e a pintura. Artista dinâmico, Laércio Moreno, é professor na Escola de Belas Artes de Arapiraca (II Centro de Apoio às Escolas de Tempo Integral), situada na praça Luiz Pereira Lima, onde leciona artes plásticas para crianças, adolescentes e adultos.

Linha do Tempo (Laércio Moreno):

2014 –  No dia 19 de dezembro, Laércio Moreno lança seu CD de poesias matutas na Escola de Belas Artes de Arapiraca. Na plateia, pouca gente e a ausência comum da cena vanguardista da Capital do Agreste Alagoano que praticamente nunca aparece nos eventos/lançamentos uns dos outros.

Homenagens (Laércio Moreno):

1 – “Laércio Moreno é cantor, compositor, artista plástico e um grande declamador de poesia matuta tanto que seus vídeos, gravados pelo celular, tomarem grandes proporções em compartilhamentos no Facebook e sendo usado em canais do Youtube de terceiros. Gente de todo canto vive pedindo músicas, alôs e declamações desse matuto interligado nas redes!” – (Januário Leite/Janu, músico e produtor cultural)

2 – “Pedro Jorge, não foi à toa que pedi para você me adicionar em seu Facebook, você entende de tudo o que é bom. Pra ser sincero não conhecia este cantor e instrumentista, Laércio Moreno, o qual a partir de agora tem todo o meu respeito por ser talentoso, afinado e sensato. Esta música que ele canta, recordando um grande sucesso de Vander Lee, Onde Deus Possa me Ouvir, tirou muitas pessoas que se encontravam transtornadas. Esta canção foi capaz de trazer muita paz para os corações de quem estavam em sofrimento. Um abraço fraterno!” – (Camilo Cândido Da Silveira Zaponi)

Fontes: sites Prefeitura Municipal de Arapiraca – Breno Airan e Novos Talentos – redação; jornal Jornal de Arapiraca – Januário Leite (Janu) e Facebook Laércio Moreno.

 

4.06 l  NOEL CALIXTO [ Poeta-Repentista e Cordelista – Feira Grande (AL) ] 

O poeta-repentista e cordelista, Noel Calixto, reside no município de Feira Grande (AL). Ele tem mais de 40 anos dedicados à poesia e participa ativamente do projeto Cultura na Praça, comandado pelo Poeta-Vaqueiro Afrísio Acácio do Acordeon.

Um dos CDs de Noel Calixto é intitulado Não Nego Minhas Raízes contendo 11 faixas, sendo nove poesias de autoria do paraibano, Zé da Luz (1904-1965); uma do cearense, Patativa do Assaré (1909-2002) e uma de Pedro Bandeira. Noel Calixto é o autor do hino de sua cidade natal.

Linha do Tempo (Noel Calixto):

2014 – Noel Calixto, afirma que a homenagem prestada à Zé do Rojão nos festejos juninos de Arapiraca (AL) é merecida pela sua importância à cultura popular alagoana. Na noite de São João Calixto recitou o poema intitulado Guerreiro Zé do Rojão durante o projeto Cultura na Praça. Apesar de ser de Feira Grande (AL), ele sabe da culminância do resgate da tradição nordestina proporcionado pela SECTUR (Secretaria de Cultura e Turismo de Arapiraca) e elaborou o cordel intitulado Mote São João, falando dos arraiais comunitários da antiga Capital Brasileira do Fumo.

Fontes: site Prefeitura Municipal de Arapiraca (AL) – Departamento de Imprensa; blog Arapiraca Legal – Pedro Jorge e CD Não Nego Minhas Raízes.

 

4.07 l  RONALDO OLIVEIRA [ Cordelista e Radialista ]  F – Livros

“O blog Arapiraca Legal é o que verdadeiramente conta a história cultural de Arapiraca. Parabéns aos administradores, Pedro Jorge e Gilvan Juvino, pelo excelente trabalho. Deus os abençoe!” – (Ronaldo Oliveira)

Ronaldo de Oliveira Silva – ou simplesmente Ronaldo Oliveira -; é administrador de empresas, radialista, escritor, cordelista e membro da ACALA (Academia Arapiraquense de Letras e Artes). Ele é um grande conhecedor e incentivador das tradições folclóricas e das manifestações artísticas-populares da antiga Capital Brasileira do Fumo.  Ronaldo nasceu, em 2 de maio de 1967, no sítio Flexeiras, zona rural de Arapiraca (AL) e, é filho dos agricultores, Sr. Otávio Nunes da Silva e Sra. Rosa de Oliveira Silva. Ronaldo Oliveira viveu na agricultura até os 15 anos de idade.

Em 1980, quando estudava na Escola Municipal Hugo José Camelo Lima, Ronaldo Oliveira se tornou uma grande liderança estudantil. Lá presidiu o Centro Cívico e fundou o jornal O Progresso Escolar que circulava mensalmente entre os estudantes. Na Escola Estadual Senador Rui Palmeira também presidiu o Centro Cívico e implantou o jornal Força Jovem. Já na universidade participou de diversas campanhas para melhorar o acervo da biblioteca. Como poeta popular é capaz de – com sensibilidade e criatividade -, retratar a vida com uma linguagem fácil e adequada ao tempo e momento oportunos.

Ronaldo Oliveira, estudou e tornou-se radialista. Aos 16 anos, iniciou o seu trabalho como operador de áudio e depois repórter na Rádio Novo Nordeste AM (570). Também atuou como repórter no (extinto) Jornal de Alagoas, tendo passagens pelas seguintes emissoras de rádio de Arapiraca: Cultura AM e Gazeta FM (101,1).

Ele é um ser humano voltado para o social, tendo desenvolvido importantes trabalhos em diversas associações comunitárias e entidades estudantis, e na Câmara Júnior. Formado em administração de Empresas, também já desenvolveu suas atividades como gerente de vendas na indústria CILEL (Comércio e Ind. de Lajes), foi assessor de planejamento na Secretaria Municipal de Governo e o primeiro secretário de cultura da Prefeitura Municipal de Arapiraca. Ronaldo Oliveira é um homem à frente do seu tempo, sempre preocupado com o bem-estar da sociedade.

Currículo Escolar – Educação Infantil (vila Cangandú); 1º Grau (atual Ensinos Fundamentais I e II) nas Escolas Reunida (bairro Canafístula) e Estadual Hugo Lima (Centro); 2º Grau (atual Ensino Médio), nas Escolas Estaduais Senador Rui Palmeira (bairro Capiatã) e Quintella Cavalcanti (Eldorado) e formado em Administração de Empresas com Pós-Graduação em Logística Empresarial pela UNEAL (Universidade Estadual de Alagoas).

Obras Publicadas (Ronaldo Oliveira):   – FALTA xxxxxx Retratando a Minha Terra (1998); O Caipira e o Onze e Meia (1997); Xxxxx cordel; Rádio Celestial (2014).

Linha do Tempo (Ronaldo Oliveira):

1992 – Reúne grande parte dos seus escritos e lança seu primeiro livro Retratando a Minha Terra – esgotado a 1 ª edição em menos de três meses. Entre os poemas se destaca o Embrião-Falante – escrito em parceria a Dr.ª Célia Rocha. Ronaldo Oliveira é um escritor diferente, pois transforma a nossa realidade em poesia.

1995 – Desenvolveu um trabalho que o levou ao programa Jô Soares Onze e Meia (Rede Globo). Ronaldo criou a síntese desta atração televisiva, transformando todas as entrevistas em literatura de cordel. Esta ideia levou Ronaldo Oliveira para ser entrevistado, em 22 de dezembro, pelo apresentador Jô Soares. Em 1997, aproveitando a experiência de ir ao Programa do Jô, ele lançou seu segundo livro intitulado O Caipira e o Onze e Meia.

1998 – Apresenta aos sábados o programa Tardes Nordestinas, recebendo semanalmente centenas de cartas.

2001 – Em dezembro, assume a Cadeira N.º 18 da ACALA, sucedendo o escritor e folclorista, Ernane Melo, e tendo como patrono o Jurista Dr. Domingos Correia. Além de escrever literatura de cordel, Ronaldo prepara um extenso documentário sobre as comunidades rurais e urbanas de Arapiraca, em parceria com a FACOMAR (Federação das Associações de Moradores de Arapiraca).

2007 – Em sua gestão como secretário de Cultura de Arapiraca, Ronaldo Oliveira, foi um dos homenageados da CIPIS (Câmara Internacional de Pesquisas e Integração Social): ONG que há 27 anos atuava na integração entre países latino-americanos. Oliveira, recebeu o prêmio Integracion Latino Americano durante solenidade realizada no dia 18 de maio, no Hotel Othon Palace (Rio de Janeiro/RJ).  Oliveira recebeu o prêmio por sua atuação em benefício da cultura da antiga “Capital Brasileira do Fumo” e, por consequência, pelos reflexos positivos gerados nos países de origem latina. Entre os trabalhos desenvolvidos e que contaram com apoio e incentivo do prefeito, (na época) Luciano Barbosa, se destaca o Arraiá da Integração – evento junino que tem como principal objetivo promover a integração entre comunidades do município, valorizando a cultura local e resgatando as tradições folclóricas. Outra preocupação da equipe do prefeito, é a valorização da cultura local através da contratação de artistas da terra para se apresentarem durante as Festas Juninas.

2014 – Reverenciando o São João Comunitário de Arapiraca e o radialista e poeta Zé do Rojão (in memoriam) – homenageado desta edição dos festejos juninos da segunda maior cidade do estado de Alagoas, o cordelista e empresário Ronaldo Oliveira, elaborou 100 estrofes em um livreto que conta a chegada do Rojão do Nordeste no Céu. De nome Rádio Celestial, o cordel traça um dilema que acaba ocorrendo no alto das nuvens. No enredo, Luiz Gonzaga, teria dito que o Reino de Deus estava precisando de um apresentador de um programa cultural de rádio por lá e, com a morte de Zé do Rojão, o problema estaria solucionado. Então, dá-se a sua recepção ao Reino Celestial.

2015 –  Mensalmente, a Casa da Cultura de Arapiraca abre suas portas para conversar com os Mestres da Cultura Popular da Terra de Manoel André e Esperidião Rodrigues. No dia 28 de agosto, a edição do projeto Papo de Mestre trouxe ao auditório do local o cordelista, Ronaldo Oliveira, que expôs as facetas cotidianas do povo nordestino com uma clareza poética única.

Homenagens (Ronaldo Oliveira):

1 – “Ronaldo Oliveira é o típico poeta popular, que consegue transcrever nossos sentimentos através de uma linguagem simples, acessível e muito gostosa. Devemos prestigiar a figura humana dele, incentivá-lo e motivá-lo para que ele continue nos brindando com as maravilhosas pérolas de sua capacidade criativa. Torcemos para que a evolução cultural dos arapiraquenses cresça a cada novo dia. Ler e viver esta realidade são privilégios que esperamos compartilhar durante uma longa vida. E, que nossas vidas produzam frutos saborosos e abundantes. E, que estes frutos sejam sempre partilhados!” – (Severino Lopes)

2 – “Ronaldo, hoje fuçando na Net tive a grata surpresa de ver o seu nome e fui mais a fundo e ao lhe ver – meu colega de infância (brincadeiras e escola) como um escritor de sucesso -, dei pulos de alegrias, fiquei muito feliz! Bom, ninguém entendeu nada. Afinal um cabra com mais de 40 anos de idade, instrutor de segurança patrimonial, chefe de segurança de uma tropa e com formação Militar sempre sério no ambiente de trabalho agindo como um pueril, enfim um cara que em poucos minutos lembrou-se de sua infância no bairro Canafístula, no sítio Riacho Seco, colhendo jabuticaba com alguns dos 16 irmãos do Ronaldo que para os quais vai o meu abraço!” – (Raimundo)

3 – “Cabe-nos motivar o talentoso e prolífico poeta, Ronaldo Oliveira, para que nossa cultura se firme, reafirme-se e produza frutos; proporcionando bem-estar, satisfação pessoal e sentimentos comunitários e que, através destas sementes, construamos uma sociedade mais justa e solidária! ” – (Célia Rocha)

4 – “Inspirado na multiplicidade de alternativas oferecidas através de sua participação no Jô Soares onze e Meia, Ronaldo Oliveira nos presentou com a publicação do livro O Caipira e o Onze e Meia (Centergraf – 1997), escrito em forma de cordel, contando sua passagem pelo programa e abordando temas e personagens da vida cultural brasileira!” – (Marcelo Amorim, jornalista)

5 – “Como secretário municipal de Cultura de Arapiraca, Ronaldo Oliveira, deu uma enorme contribuição para a divulgação, em âmbito nacional, dos artistas da Terra de Manoel André e Esperidião Rodrigues e de toda região Agreste de Alagoas, inclusive, produzindo um mapeamento cultural! ” – (Pedro Jorge, administrador do blog Arapiraca Legal)

6 – “Ronaldo Oliveira, emociono-me ao encontrar sua biografia. Você fez parte da minha história de vida. Sempre fostes um guerreiro! Peço a Deus que continue iluminando o seu caminho. Meu carinho. Tô com saudades, amigo!” – (Marta Maria de Melo – Luís Eduardo Magalhães/BA)

Fontes: livros ACALA: História e Vida (2009), O Caipira e o Onze e Meia (1997) e A Saga da Rádio Novo Nordeste, a Pioneira (2013) – Ronaldo Oliveira; sites Prefeitura Municipal de Arapiraca – Departamento de Imprensa, Zóio TV – Marcelo Amorim, Alagoas 24 horas – Assessoria e 7 Segundos – Ronaldo Oliveira; (extinto) jornal Novo Nordeste – Severino Lopes; informativo ACALA e blog Arapiraca Legal – Pedro Jorge.

 

4.08 l  ZEZITO GUEDES [ Historiador, Folclorista e Artista Plástico ]

O historiador, folclorista, escritor e escultor, Zezito Guedes, nasceu no dia 21 de abril de 1936, no sítio Riacho dos Porcos pertencente ao município de Princesa Isabel (atual Juru/PB). Seu nome de batismo é José Gomes Pereira. Ele é filho do Sr. João Pereira Nunes e da D. Antônia Gomes Pereira, e está radicado desde 1943, em Arapiraca (AL). Zezito Guedes, apesar de ter nascido no estado da Paraíba, mudou-se para Alagoas ainda menino, crescendo em meio ao desenvolvimento de uma cidade que lhe acolhera como substituta de sua terra natal com a qual não estabelecera raízes. Foi a Terra de Manoel André e Esperidião Rodrigues que lhe conferiu uma identidade de pertencimento territorial.

Ele, depois de passar sua infância no Alto Sertão paraibano, chegou em Arapiraca aos seis anos de idade acompanhado pela avó materna, Severina Guedes, onde vive até hoje. Aos quinze anos de idade já desenvolvia suas atividades como protético e estudava no Ginásio Nossa Senhora do Bom Conselho (atual Colégio Cenecista). Como autodidata, dedicou-se às artes como escultor, mas apenas em 1966, Zezito Guedes esculpiu as suas primeiras peças em madeira e iniciou efetivamente a sua trajetória de exposições pelo Nordeste brasileiro. Entre os trabalhos desenvolvidos pelo escultor, destacam-se exposições no Salão de Arte de Arapiraca, em 1967 (Menção Rosa); Festival do Sesquicentenário da Independência no ano de 1972; sendo agraciado com a Medalha de Bronze.

Ele, também, teve participação efetiva em Salões de Artes dos estados do Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe e Pernambuco. Também participou do Festival de Verão de Marechal Deodoro (AL), em 1968, onde conseguiu o primeiro lugar. Mesmo sendo um defensor intransigente da cultura nordestina, onde inclusive é o autor do livro Cantigas da Destaladeiras de Fumo, o historiador Zezito Guedes nunca tinha sido reconhecido por seu trabalho artístico. Autodidata, iniciou suas atividades artísticas como escultor, em 1958. Expôs pela primeira vez no I Salão de Artes de Arapiraca, onde recebeu Menção Honrosa. Zezito Guedes é um dos artistas plásticos mais premiados do Nordeste brasileiro.

Tem Licenciatura Plena em Letras, tido sendo professor deste curso na (antiga) xxxx FUNESA (Fundação Estadual de Alagoas) Zezito, também, exerceu a profissão de protético. Entre outras atividades é membro ativo da AAI (Associação Alagoana de Imprensa) e membro da comissão alagoana de Folclore. Ingressou na Academia Arapiraquense de Filosofia, Ciências e Letras (atual ACALA), como sócio fundador em 1987, com a qualificação de escritor. Ocupa a cadeira de Nº 16, cujo patrono é o Prof.º Pedro de Franças Reis.

Autodidata, iniciou suas atividades artísticas como escultor, em 1958. Expôs pela primeira vez no I Salão de Artes de Arapiraca, onde recebeu Menção Honrosa. Zezito Guedes é um dos artistas plásticos mais premiados do Nordeste brasileiro. Tendo, inclusive, a oportunidade de participar de uma Mostra de Artes na Itália, em 1983, representando o estado de Alagoas, através de um intercâmbio cultural. Nesta mostra também representaram o estado os escritores Graciliano Ramos e Jorge de Lima e outros intelectuais e artistas alagoanos.

Zezito foi diretor do Departamento de Cultura, em quatro gestões, e atual coordenador de Estudos Históricos e Geográficos de Arapiraca, realizou um fato inédito no Brasil: transformou, dando apoio e incentivo, 11 artesões (aqueles que somente copiam) em artistas plásticos (aqueles que criam). O Mestre Zezito Guedes formou os seguintes artistas plásticos: Lucas, Edvaldo Santos, Expedito Florentino, Geraldo Dantas, Raimundo Oliveira; Saturnino João; Irmãs Petuba: Zenaide, Zenilda e Zeneide (esculturas, pintoras e painéis decorativos); e, José Humberto e Gilberto Militão (in memorians). Recebeu o 1º prêmio no Salão de Artes Global em Recife (PE), foi destaque também no 1º Salão Nacional de Artes Plásticas no Rio de Janeiro (RJ), em 1978.

Foi colaborador do Dicionário dos Folcloristas Brasileiros (Fundação Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais e como folclorista publicou os livros: Cantigas das Destaladeiras de Fumo de Arapiraca (Editora da UFAL, 1978), A Feira de Arapiraca, Sinais de Chuva, A Força da Lua, Folclore da Seca, Padre Cícero no Folclore, O Folclore na História, Tabira e Suas Manifestações Populares, Uma Fábula Nordestina, Religiosidade, Crendices e Misticismo, 10 micro-monografias (publicadas pela Fundação Joaquim Nabuco), Meizinhas do Povo (folheto em trovas, 1988), Alvorada no Sertão (folheto em trovas, 1992), Arapiraca Através dos Tempos (1999), e Mapeamento Cultural do Agreste Alagoano (2002).

Museu Zezito Guedes – Durante muitos anos a população de Arapiraca (AL) esperava por um local onde suas memórias fossem conservadas e a história oficial da Terra de Manoel André e Esperidião Rodrigues fosse exposta às gerações mais jovens. Em 2010, no segundo mandato do prefeito, Luciano Barbosa, a Prefeitura Municipal de Arapiraca inaugurou o Museu Zezito Guedes, localizado na praça Luiz Pereira Lima (antiga Praça da Prefeitura). O espaço leva o nome de um dos mais tradicionais pesquisadores da história local, que teve seu nome eternizado nos trabalhos que fez sobre o município arapiraquense. O espaço é centro de referência para as diversas escolas particulares e públicas e as exposições que ocorrem ali trazem muito da cultura, do cotidiano e, principalmente, da característica lutadora do povo agrestino. Prestigiem e divulguem este belo espaço cultural da antiga Capital Brasileira do Fumo!

Linha do Tempo (Zezito Guedes):

[ xxxxx ] A Câmara Municipal de Arapiraca (AL) publicou projeto de Decreto Legislativo, cuja autoria foi do vereador, Moisés Machado, concedendo o Título de Cidadão Honorário de Arapiraca ao historiador, escultor, escritor e folclorista Zezito Guedes. ”Ele é a história viva de nossa cidade, de nossas raízes e da nossa cultura”, afirmaram os vereadores que usaram a tribuna para falar sobre a homenagem.

2009 – Neste ano, o grande homenageado do Arraiá de Arapiraca – Tem Festança no Interior foi o escultor e historiador, Zezito Guedes, que nasceu no estado da Paraíba, mas que habita, em Arapiraca, desde os seis anos de idade. Portanto, um arapiraquense de coração. Guedes possui Licenciatura em Letras pela antiga FUNESA (atual UNEAL – Universidade Estadual de Alagoas) xxxxxx, é professor universitário, escultor, historiador, cronista, poeta popular, sócio fundador da ACALA (Academia Arapiraquense de Letras e Artes), membro da AAI (Associação Alagoana de Imprensa), protético e diretor do Departamento de Cultura do município de Arapiraca. Estudou no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho. Por inúmeras vezes foi chamado para apresentar suas esculturas pelas regiões Nordeste e Sudeste, participando efetivamente dos salões de Artes do Rio de Janeiro (RJ).

Homenagens (Zezito Guedes):

1 – “Com Zezito Guedes, surge, mais uma vez, a confirmação daquilo que vivo dizendo a respeito do Nordeste brasileiro e do nosso grande povo: ambos têm reservas maravilhosas de invenção e criação, e de vez e quando como acontece agora com Zezito, irrompe de todas as deformações que andam fazendo, para aparecer com uma obra pura e forte, como é sem dúvida, a escultura em madeira desse moço, nascido e criado no Sertão paraibano!” (Ariano Suassuna – in memoriam)

2 – “Zezito Guedes tem dedicado sua vida na coleta de documentos para resgatar a memória histórica e geográfica de Arapiraca!” – (Aermeson Barros)

3 – “Zezito Guedes é um grande historiador de Arapiraca, amigo e irmão. Abraços!” – (Severino Pedro)

4 – “Meu primo, parabéns pelo seu trabalho. Estamos todos orgulhosos por termos um parente tão talentoso. Eu e você nascemos no mesmo sitio (Riacho dos Porcos), somos netos do mesmo avô, Joaquim Pereira; e de seu tio, Severino Alves. Resido na cidade de Jandaia do Sul (PR) e estamos com saudades!” – (Valdenor)

5 – “Com Licenciatura em Letras pela UNEAL (Universidade Estadual de Alagoas), Zezito Guedes, exerceu as seguintes funções: protético, professor universitário, escultor, folclorista, historiador, cordelista e cronista. Foi coordenador de Estudos Históricos e Geográficos da Secretaria de Cultura de Arapiraca e folclorista. É sócio fundador da ACALA (Academia Arapiraquense de Ciências e Letras) e membro da AAI (Associação Alagoana de Imprensa).” – (Pedro Jorge, blog Arapiraca Legal)

Fontes: livro ACALA: História e Vida (2009) – Zezito Guedes; revista Xereta – Cláudio Roberto; catálogo Mostra Individual da Fundação Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais (1975) – Ariano Suassuna; sites Prefeitura Municipal de Arapiraca (AL) – Aermeson Barros, Dicionário de Folcloristas Brasileiros, Fala Arapiraca e 24 Horas – redações; Facebook Pedro Jorge e blog Arapiraca Legal.

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