Padre Antônio de Lima Neto


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Crédito da foto: Arquivo pessoal de Cícero Galdino.

 

BIOGRAFIA – Padre Antônio Lima

Padre Antônio Lima é patrono da cadeira n 13 da ACALA (Academia Arapiraquense de Letras e Artes).

Filho do agricultor Manoel Pereira Albuquerque e da dona de casa Ana Dorotéia da Natividade, nascido no dia 14 de abril de 1927, no povoado Lagoa do Caldeirão, no município de Palmeira  dos Índios/AL.

Aos 23 anos de idade, isto é, no dia 2 de dezembro de 1951, Antônio Lima, aluno dedicado e profundo conhecedor da língua portuguesa, foi ordenado padre em solenidade acontecida na Igreja Matriz de N. S. do Amparo, da cidade de Palmeira dos Índios.

Depois de sua ordenação, foi nomeado vigário das Paróquias de Piaçabuçu, São Braz e Feira Grande/AL, vindo, posteriormente, ocupar a função e coadjutor da paróquia N. S. do Bom Conselho, capelão do Colégio S. Francisco de Assis e primeiro vigário da Paróquia de Santo Antônio no bairro Cacimbas, em Arapiraca/AL.

Considerado um religioso muito humanista e dedicado aos jovens, Padre Antônio Lima era formado em Letras e Filosofia, destacando-se como grande professor de Português, Francês e Latim. Sua carreira no magistério se deu nos Colégios N. S. do Bom Conselho, Quintella Cavalcante e S. Francisco de Assis e, foi um dos professores fundadores da Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca.

Alguns dos textos do padre Antônio Lima foram publicados “posmortem” no seu livro “Recados Para os Meus Irmãos”, sob pesquisa e organização de Maria Madalena Barros de Menezes, no ano 2000.

Admirado como padre, como professor e como cidadão pela comunidade alagoana. Pe. Antônio Lima veio a falecer no dia 23 de fevereiro de 1980. Nesta data, portanto, Palmeira dos Índios/AL perdeu o seu filho ilustre, a Igreja Católica ficou órfã de seu bom pastor e a cidade de Arapiraca ficou empobrecida na sua cultura e no seu saber. A morte do ainda jovem padre Antônio se deu após uma cirurgia de transplante de rim, na cidade de Recife/PE, em decorrência de complicações pós-operatórias.

Esta, portanto, é um reduzida biografia desse extraordinário ícone de bondade, do saber e do amor ao próximo.

[ Fonte: Livro “ACALA – História e Vida”, abril de 2009 ]

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ARTIGO ( Por Cícero Galdino )

PADRE ANTÔNIO DE LIMA NETO – PROFESSOR E AMIGO
Por Cícero Galdino (Licenciatura em Biologia e membro da ACALA )

Minha infância foi pautada nas atividades religiosas. Aos oito anos, quando acabei de me preparar para fazer minha Primeira Eucaristia, sendo instruído no então educandário São Francisco de Assis, que funcionava na Escola Aurino Maciel, tomei gosto pelos serviços de acompanhante das missas, sempre na qualidade de ajudante ou seja coroinha, acalentando assim, um sonho de minha mãe cujo objetivo era me tornar um dia sacerdote. Foi nessa ocasião que vivenciei momentos inesquecíveis em companhia do saudoso e amável Pe. Antônio Lima.

Certa vez, após ter participado da celebração de uma missa no povoado Antonica, no município de Lagoa da Canoa/AL, por volta das 9h fui convidado, como de costume, a tomar o café da manhã juntamente com o celebrante. Após ter sido muito bem servido, me benzi e rezando uma oração, tive a ideia de pedir a bênção ao Pe. Antônio. Ao falar “bença, Padre” ele de forma engraçada me respondeu “menino, eu sou seu pai?”. Fiquei desconfiado, cabisbaixo só por alguns segundos. Logo ele me disse “é brincadeira, Deus abençoe”. Para mim foi um grande alento suas palavras. Revigorei-me e voltei a sorrir.

Quando o Colégio São Francisco de Assis estava sendo ainda construído, Padre Antônio Lima, capelão oficial daquele colégio, se dirigia em seu jipe preto, veículo de melhor alternativa na época, em dia nublado, pela Dom Felício, ao cruzar a Possidônio Nunes chocou-se com outro jipe também preto. O jipe do Padre protegido pelo manto de Maria, nossa bondosa mãe, nada sofreu mas o outro, que era conduzido por um cidadão chamado senhor José Dias, capotou de forma que terminou ficando com as rodas no chão, atravessado. Seu condutor foi arremessado a cerca de quatro metros, totalmente desacordado, pois nessa época não havia hábito do uso de cinto de segurança. Foi a única vez que presenciei no Padre um semblante de profunda preocupação e nervosismo. Lembro que ele dizia “valha-me Deus, será que morreu?”. O padre rezava muito. Naquele clima de desespero, após alguns demorados minutos o motorista condutor do veículo tornou, acalmando os presentes.

Na quinta-feira santa, aos nove anos, participei pela primeira vez do lava pés da paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho representando um dos apóstolos. Essa solenidade foi concelebrada pelo vigário cônego Epitácio Rodrigues ao lado do auxiliar Pe. Antônio Lima. Foi um dos mais importantes momentos de minha infância. Nos três anos subsequentes, participaram comigo: meu irmão Galdino Filho, meus primos Antônio Galdino e José Caetano Neto. Foram eventos inesquecíveis para todos nós que sempre contávamos com a organização de Pe. Antônio de Lima.

Um certo dia de domingo, quando tinha 10 anos, não mais era preciso o Pe. Antônio me buscar para viajar com ele, dirigi-me para sua residência ao lado da Igreja do Santíssimo, na rua do Comércio. Cheguei cedo, o Padre ainda não tinha tomado café. Ao saber que eu havia chegado, mandou me chamar para tomar café da manhã em sua companhia. Foi a maior satisfação que tive quando criança, pela consideração dele e pelo prazer que senti em me alimentar na casa do padre, mas o melhor estava por vir. Viajamos ao povoado Canaã, hoje bairro de Arapiraca. Após a celebração da missa, antes do costumeiro café havia a roda de batismo que era seguida pela consagração. Naquela época, já eram feitas as duas celebrações, além do batismo a criança era consagrada à Nossa Senhora. O bom da história foi que para minha surpresa, a partir desse dia o Padre Antônio liberou o valor correspondente a taxa de Consagração para o coroinha do evento. Era muito dinheiro para uma criança. O trabalho era extenso, pois as vezes chegava a realizar de 12 a 15 batizados por dia. Até nessas ocasiões, o Pe. Antônio Lima demonstrava ser desprovido de apego ao bem material, um marco de sua personalidade.

Em 1971, quando cursava o científico intensivo no Colégio Quintela Cavalcante, escrevi o soneto Infiel, publicado no livro Desafio em maio de 2012. Naquela ocasião, Padre Antônio, a título evidente de incentivo, procurou me motivar trabalhando, em sala de aula com a minha turma, a interpretação do texto poético que escrevi. Isso para mim foi motivo de justo contentamento e serviu de sustentação ao meu propósito de agregá-los a outros e publicar meu primeiro livro, tornando-me escritor. Pena que não estava mais conosco no lançamento, o que muito me honraria. No período de iniciação literária, o nobre professor Pe. Antônio orientou a turma, despertando nosso interesse pelo estudo do latim. Juntamente com José Ventura Neto e Antônio Vicente nos reuníamos uma vez por semana na residência de meu saudoso padrinho José Ventura, no bairro Cavaco, para estudarmos sobre a orientação do confrade José Ventura Filho.

O professor, orientador e fiel amigo que era, procurava ser muito compreensivo com seus alunos. Um certo dia de domingo, quando ainda era seu aluno de Português, o Padre Antônio me interceptou ao chegar à igreja de Santo Antônio para assistir a sua missa e me fez um convite para que eu fizesse uma das leituras dominicais. Nessa época, eu não tinha habilidade para ler em público. Comentei rapidamente sobre a minha dificuldade e ele aceitou minha justificativa. Naquele momento, isso para mim foi um grande alívio. Fico a imaginar que tamanha sabedoria tinha aquele homem. Ele era meu professor de Português e podia insistir para que eu fizesse aquela leitura, mas respeitou minha limitação e me proporcionou uma situação de favorável conforto. Sábia decisão.

O Padre Antônio foi para mim até mais que grande educador. Desde minha infância, foi um mestre que abriu trilhas para minha desenvoltura literária, um conselheiro que só me orientava pelo caminho do bem. Enfim, um amigo que sempre se dispôs a instruir e a servir ao seu próximo de forma amável e santa. Por isso, quando entrei na ACALA (Academia Arapiraquense de Letras e Artes), escolhi a cadeira de nº 13, a que leva seu nome.

Lembro-me que o período de sua doença renal, que o preparou para sua viagem ao banquete celestial, foi curto. Perdemos o contato desde o dia em que ele viajou para tratar de sua saúde em Recife/PE. No dia em que retornava de minha lua-de-mel, início de 1980, ouvi pelo rádio a lamentável notícia da morte daquele grande amigo, podendo dizer um segundo pai, o inesquecível Padre Antônio de Lima Neto. Acalento as saudades que dele sinto ao meditar as palavras bíblicas filosóficas que aquele santo homem pronunciava sempre nas mais diversificadas ocasiões “Viver é Cristo, morrer é lucro”.

AMIGO E PROFESSOR* (Soneto)
Autor: Cícero Galdino (Membro da ACALA) – (20/09/2012)

Convivi quando pequeno com bom pastor
Que apascentava as ovelhas alegremente,
Aconselhando e revendo frequentemente.
Era um trabalho eficiente o desse instrutor.

O padre Antônio foi também meu professor.
Lá em Cacimbas, foi vigário oficial.
Foi muito ativo com trabalho pontual,
Sempre sozinho, sem contar com assessor.

“Viver é Cristo, morrer é lucro”, era assim
Que ele falava nos eventos, pregação…
Benfeitor que para servir dizia sim.

Era um bom líder exemplar, um homem santo.
Pregando tocava o povo no coração,
Talentoso, dedicado, foi sempre encanto!

* Homenagem ao Pe. Antônio de Lima Neto, 1° pároco da Igreja de Santo Antônio do bairro Cacimbas, em Arapiraca (AL).

[ Fonte: Revista “O Mensageiro”, outubro de 2013 ]

[ Editado por Pedro Jorge / E-mail: pjorge-65@hotmail,com ]

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